Diário da Região

19/05/2011 - 01h03min

 

De civilização e civilidade

 

Em breve, com as facilidades da internet, dos celulares e dos serviços de entrega (de livros, filmes e até TVs ou do delivery do restaurante chinês...) devo passar a sair de casa cada vez menos. Já sou quase um eremita, pois com exceção do trabalho no magistério, de idas cada vez mais eventuais ao cinema e de uma ida a um ou outro bar ou restaurante, fico mesmo é em casa. Nada reconforta mais do que chegar, ficar à vontade, deitar no sofá e ler um livro, ou assistir a um filme, comendo um bom yakissoba requentado da noite anterior. Evita-se, com isso, a sociedade dita civilizada. E o que tem causado, ao menos neste que se dirige aos senhores, tal atitude misantropa, ensimesmada e limitadora? Trata-se do bom e velho medo. De um sentimento de autopreservação. O caos em que se estão transformando as relações humanas acarreta os mais diversos tipos de reações e eu reajo com medo. Explico. A ideia de vivermos em sociedade é, como a maioria das ideias, muito boa no conceito. A teoria é linda: abre-se mão de parte de nossas liberdades individuais, em nome de nos organizarmos e nos relacionarmos. E aí mora boa parte do problema. Alguns cidadãos da autoproclamada “sociedade organizada” resolveram não abrir mão de parte de suas liberdades individuais. Agem sem um pingo de civilidade. A título de esclarecimento, entendo que há liberdades individuais indisponíveis, como direito à livre expressão das ideias e o direito de ir e vir. E há direitos (talvez “confortos” ou “caprichos” caibam melhor) que devem ser limitados. Exemplo: todos gostamos de música. Todos temos o direito de ouvir o que gostamos. Não temos, porém, o direito de expor aos outros nosso gosto musical. Se insistimos em ouvir o som em níveis absurdos, estamos infringindo uma regra. Colocando de outra forma: se todos resolverem comprar pick-ups e equipá-las com caixas de som de alta potência e saírem por aí com o som no último volume, teremos o caos instaurado.


A mera tentativa de dirigir pela cidade, ir a um bar, ou observar o movimento, tornou-se torturante, pois somos expostos a esses elementos com complexo de “trio elétrico”. Fica a dúvida: em que fase da vida desses seres, os responsáveis por sua educação deixaram de explicar que o direito de um vai até onde começa o do outro? E que não se pense que se trata apenas de jovenzinhos recém-saídos da puberdade. Tem-se de tudo, inclusive alguns quarentões, desfilando mau-gosto e falta de educação pelas ruas. Enfim, barbárie... Os exemplos acima poderiam ser acrescidos de vários outros. São diversas as situações em que a falta de civilidade, a falta de atitudes cordatas e a pura falta de gentileza, fazem com que nossas vidas se tornem mais difíceis ocasionando, em última instância, essa espécie de mal da vida moderna, o medo de viver em sociedade. Ao menos de conviver com parte dela. E de quem é a culpa? Sim, pois já deve ter alguém dizendo “bom, se ele já apontou os erros, como solucionar o problema?”... Respondo, sem medo das críticas: não sei! Mas tenho algumas pistas. Uma delas é a mais óbvia e clichê de todas... A culpa é dos pais! Sim, não tenho medo de cometer essa desfaçatez. O mundo em que vivemos sofre de uma grave crise de falta de limites. E os limites são dados às crianças pelos pais. Ao que tudo indica, trata-se de uma crise mundial, pois há programas de TV espalhados por toda a grade das emissoras da TV por assinatura, mostrando casais que não sabem educar seus filhos pequenos, seus adolescentes, seus cães... É triste, pois após os anos de prosperidade vividos pela civilização no pós-guerra, fruto de trabalho duro, abnegação e responsabilidade das gerações passadas, a geração que nos governa parece incapaz de impor limites em suas próprias casas. O resultado são filhos que não têm respeito por pais, professores, semáforos, limite de velocidade, quantidade de álcool que ingerem e sossego alheio. A lista é imensa. A solução a curto prazo, improvável. Estou me sentindo acuado e acho que a sociedade civilizada teria de reagir. A questão que se nos apresenta é: que sociedade civilizada?

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