Diário da Região

24/01/2008 - 01h02min

Crédito e políticas públicas

Consta que Sócrates, filósofo grego que viveu séculos antes de Cristo, gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. Abordado por vendedores, respondia: ?estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz?. Durante treze anos trabalhei no Banco do Brasil e pude ver muitas pessoas com sérios problemas em decorrência de descontrole em seus gastos. Além de vivermos em uma sociedade onde o ser humano é valorizado muito mais pelo ter, em detrimento ao ser, temos sofrido intenso assédio das instituições fornecedoras de crédito. Vamos ao banco e precisamos fugir dos vendedores-bancários; ouvimos ao telefone a voz metálica do telemarketing do cartão; passamos pelo calçadão e temos dificuldade de avançar, pela interceptação dos agentes financeiros. Faz oito anos que me afastei do mercado bancário, mas era muito comum ouvir as reclamações dos produtores rurais pelas rigorosas exigências feitas pelo Banco para lhes liberar recursos para investir nas lavouras. Hoje, acessamos o caixa eletrônico e vemos em nosso extrato limites pré-aprovados em várias linhas. Não somos um país de poupadores, mas podemos ser um país de endividados. A previsão é de que o Brasil cresça em torno de 4,5% neste ano, percentual bem inferior à média dos países emergentes. Como crescer e acreditar num Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) se nossa infra-estrutura deixa tanto a desejar? Crescimento sem infra-estrutura leva ao caos.

Crédito para investimento produtivo alavanca a economia de forma saudável, pois gera emprego e desenvolvimento sustentável. Crédito para consumo ("de supérfluos"), sem capacidade de pagamento, é uma porta escancarada para endividamento e recessão. Temos como exemplo os norte-americanos que fizeram financiamento para comprar bens de consumo dando imóvel em garantia: o calote está a galope e o valor dos imóveis despenca pela grande oferta no mercado. Dentre tantos levantamentos, índices e projeções, percebemos que a inflação voltou a subir no Brasil em especial pela alta do preço dos alimentos. Dizem que o poder aquisitivo dos países emergentes melhorou; grandes áreas de terra estão sendo cultivadas com produtos destinados à produção de álcool; e os problemas climáticos estão maiores (aquecimento global e fenômenos decorrentes). Basta olharmos para quanto foi o preço do feijão, do leite e da carne. Agora, temos o índice de inflação para o idoso, que constata que o custo de vida para esta parcela da população é ainda maior. Precisamos aprender a viver de forma que quando olhamos para trás possamos ter orgulho de nossa trajetória, da história de vida que construímos, não pelo padrão material de que desfrutamos ou aparentamos, mas pela consciência espiritual que desenvolvemos. Mas, precisamos também de políticas públicas que, ao invés de iludir e ampliar os problemas - consignação em folha de pagamento inclusive para aposentados -, garantam trabalho e remuneração digna a todos.

ANA LÚCIA DE LIMA GARCIA
Graduada em Tradução, Pedagogia e Letras; MBA em Gestão Empresarial

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