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Diário da Região

31/03/2016 - 00h00min

Artigo

Corrupto é sempre o outro

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Não é de hoje que a população brasileira vive saturada com tantas denúncias de atos de corrupção que inundam o País, incessantemente. O que fazer para mudar esse estado de coisas? Apenas uma mudança da classe política já seria suficiente? Ou será que caberia também ao povo alguma parcela de responsabilidade?

Desde sempre, vigora um entendimento de que os corruptos são sempre os outros, de forma que os nossos pequenos atos imorais do dia a dia não seriam atos de corrupção – o filósofo Sartre já dizia que “o inferno são os outros”.

Em 2015, o instituto de pesquisa “Data Popular” fez um levantamento e contatou que apenas 3% dos brasileiros se consideram corruptos, mas 80% admitem conhecer alguém que cometeu algum tipo de ilegalidade.

Para grande parte do povo, pequenos atos do cotidiano não configuram atos de corrupção propriamente ditos, como avançar o sinal vermelho; transitar pelo acostamento; jogar o lixo nas ruas; não respeitar o direito de idosos e deficientes; não declarar tudo ao Imposto de Renda; parar o carro sobre a faixa de pedestres; colar nas provas; “encomendar” trabalhos acadêmicos para apresentar na faculdade; simular doação de sangue e apresentar atestado médico falso para não trabalhar; bater ponto para o colega; comprar produtos piratas; sonegar impostos por causa da alta carga tributária, etc.

Essa lista de pequenos delitos do cotidiano vai muito mais longe e, no fundo, evidencia a frouxidão dos valores morais mínimos de uma sociedade que se pretende justa. Entretanto, para muita gente, eles não são tão graves, assim. Para essas pessoas, a corrupção seria apenas os grandes desvios de recursos públicos praticados por políticos, governantes, funcionários públicos e empresários desonestos, que, obviamente, são muito mais graves.

Esse ambiente de corrupção, que aparentemente faz parte da cultura brasileira, além de provocar danos à economia, à justiça e ao império da lei, contribui para a formação de um juízo moral distorcido, do tipo: “se todos fazem, por que não posso fazer, também?”.

No campo político, a principal oportunidade oferecida ao povo para que promova as mudanças necessárias ocorre no momento das eleições, um dos pontos centrais das modernas democracias.

Infelizmente ainda vemos com muita frequência os seguintes fatos: candidatos imorais, sabidamente corruptos, que são eleitos e reeleitos por um grande número de eleitores; candidatos que se associam a grandes grupos empresariais para obter o financiamento de suas campanhas eleitorais, em troca de obras e contratos do governo, além de generosos benefícios fiscais; e candidatos que, na campanha eleitoral, mentem descaradamente, e o eleitorado, sabedor de tudo, finge que acredita e ainda assim deposita neles o seu voto.

Depois das eleições, vem a revolta. Mas, aí já será tarde e só nos restará amargar por longos quatro anos de incompetência e mesmice, quando não, mais corrupção.

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