Diário da Região

01/07/2016 - 00h00min

ARTIGO

Coragem de Francisco

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O papa Francisco, em várias ocasiões, tem exposto abertamente seu pensamento como pessoa, nos mais variados assuntos. Digo que o faz como pessoa (portanto como indivíduo), porque assim fazendo pode contrariar o pensamento muitas vezes secular da instituição a que pertence e a qual dirige, sem se importar com os riscos inerentes à sua atitude.

Deve saber que, desta forma, é como se estivesse caminhando em terreno pantanoso que termina em um abismo profundo, para onde pode ser atirado a qualquer momento. Penso que ele também deve saber que, conscientemente ou não, comunga com o pensamento do filósofo dinamarquês, Kierkegaard, que pregava o valor do indivíduo acima das instituições.

Gostaria de citar três momentos que julguei importantes para corroborar aquilo de que falei acima:

Muitos hão de se lembrar, quando da volta à peregrinação pelo Brasil, de sua fala a bordo do avião, ocasião em que generosamente cedeu uma entrevista aos repórteres que o acompanhavam nesta viagem.

Interpelado por um deles, sobre o que pensava a respeito dos homossexuais, não deu de volta a resposta-padrão dogmatizada que outros dariam mas, simplesmente, colocou-se na posição evangélica, ao afirmar singelamente “quem sou eu para julgá-los; se um homossexual quer seguir os passos da Igreja cabe a nós, pastores, acolhê-los com generosidade”.

Recentemente, o papa conseguiu chocar a ala mais conservadora dos católicos, apenas pelo fato de ser sincero, mais uma vez como indivíduo. Porque ao manifestar sua opinião sobre juramentos feitos ao pé do altar, pelos noivos, sobre fidelidade, sobre o “para sempre”, etc, enfatizou o que sempre me pareceu óbvio: que a fidelidade não deve ser encarada como prova de amor, mas sim como consequência. Ou seja: eu não amo porque sou fiel, eu sou fiel porque amo.

Mais recentemente ainda, desta vez como um ato político que muitos países têm medo de assumir, ele concebeu como tendo sido um genocídio a matança devastadora perpetrada pelos turcos sobre o povo armênio no século 20 (mais de 1 milhão de mortos).

Sabia estar criando um problema diplomático entre o Estado do Vaticano e o governo da Turquia, mas não se apequenou, não se escondeu por trás da diplomacia de verniz e fez o que achou que deveria ser feito.

Os três exemplos citados vêm demonstrar apenas o que teorizava o filósofo Heidegger em meados do século 20 sobre o que chamava de falas autêntica e inautêntica, a primeira expressando o que realmente se pensa e a outra expressando somente a ideia conveniente para “ficar bem” com os outros. A fala nos revela porque nos expõe, para o bem e para o mal, diante do outro com quem interagimos. Dá pra perceber, claramente, que a fala de grande parte dos políticos é sempre inautêntica, plasmada pela tagarelice.

Não é o caso do pastor, papa Francisco. E que bom existirem pessoas assim, iluminando nossas ideias.

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