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Diário da Região

14/10/2015 - 00h00min

Painel de Ideias

Chá de cadeira

Painel de Ideias

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O atraso faz parte da nossa cultura. Horários não são cumpridos no Brasil. Nem adianta espernear. Está no cotidiano de todos nós. Navegando na internet, descobri sem querer a provável origem do fenômeno. Dizem os historiadores que remonta aos tempos do império, principalmente depois da independência.

As autoridades constituídas, quando tinham que receber alguém do povo, faziam questão de deixar as pessoas esperando sentadas em uma cadeira, horas e horas. Acreditavam que isso lhes conferia um ar de importância e superioridade. Mesmo não tendo nada a fazer. Só para “valorizar” o encontro. Enquanto isso, mandavam servir chá. Daí a expressão “chá de cadeira”.

Já tomei muito deste chá, principalmente quando frequentava Brasília com mais assiduidade. Amarguei esperas que chegaram a durar uma semana. Adquiri nesta época o hábito de carregar comigo livros de bolso. Teve ocasião de eu ler a “Arte da Guerra” duas vezes e meia.

Dizem que se ganha tempo planejando a agenda do dia seguinte. Não dá certo porque para o brasileiro o dia não é uma seqüência de compromissos com hora marcada e sim uma sucessão de eventos a serem presenciados.

O hábito do atraso contaminou todo o estado brasileiro e consequentemente as instituições e a população. Virou característica cultural descrita até em guias de turismo sobre o Brasil.

Se pensarmos bem, o atraso confere poder a quem atrasa. Todos ficam à sua disposição. Tome como exemplo uma reunião que não tem início enquanto “fulano” que é muito importante para a discussão não chegar.

E isto contamina também os eventos. É a aula que não começa enquanto a maioria não chegar, é a cerimônia que não começa enquanto não houver bastante gente, é a festinha na escola que não acontece enquanto não tiver bastantes pais e parentes de alunos.

Experimente chegar a uma festa exatamente na hora prevista no convite. Corre o risco de chegar antes do anfitrião. Já ouvi dizer que alguns consideram falta de educação chegar na hora...

Infelizmente paciência não basta. Diz o Luiz Fernando Garcia que ela deve acompanhar-se da resignação, afinal, o atraso é do outro, não depende de você.

O consultório médico é caricato. Até parece que o doutor tem urgência todos os dias. Bem no horário dele começar a atender. As esperas são de 2 ou 3 horas e daí para mais. Talvez seja por isso que a palavra “doente” foi substituída por “paciente”. Hoje em dia precisa de paciência para ir se tratar.

A lista dos campeões de atraso é gigantesca: audiências, recepções, shows, inaugurações, aeroportos, formaturas, encomendas, casamentos. Nada resiste. Acho que é por isso que joguinhos de celulares são um mercado bilionário.

A pontualidade é uma das características das nações mais desenvolvidas do mundo. Prezam muito esta qualidade. No caso do Brasil, pelo jeito, vou esperar sentado.

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