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Diário da Região

08/06/2016 - 00h00min

Artigo

Artista não é vagabundo

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Só num país de mentalidade subdesenvolvida é que artista pode ser chamado de vagabundo. Sem dúvida, o menosprezo pelos profissionais da cultura é um dos traços definidores de nações que ainda não erradicaram sua estreiteza do espírito. Seja em nome de uma meritocracia ilusória, uma supervalorização irrefletida do que é aplicável ou da produtividade mecanicista, o fato é que pessoas de boa vontade parecem, nos últimos tempos, particularmente determinadas a descontar na classe artística o peso de suas frustrações e ressentimentos.

Já que arte enquanto manifestação estética não interessa para essas pessoas, que veem no trabalho um atestado de moralidade, e não fonte de renda, talvez valha a pena mostrar os artistas também fazem contribuições muito práticas no campo da geração de emprego e que normalmente escapam aos indivíduos de consciência míope.

Pensemos, por exemplo, nos profissionais que trabalham na produção de uma peça de teatro. Para que uma peça seja montada e apresentada, são precisos atores profissionais, que estudam o texto dramático e os personagens criados por um dramaturgo para, então, ensaiar exaustivamente até a estreia – e continuar ensaiando depois, enquanto durar a turnê. Ademais, há também toda a equipe técnica, em geral bastante especializada, e indispensável para que o espetáculo aconteça.

Dentre os profissionais que compõem essa equipe, temos diretores, figurinistas, maquiadores, técnicos de som e luz, contrarregras e cenógrafos. Nem os atores profissionais e nem as pessoas que trabalham nos bastidores são voluntários abnegados que montam a peça por pura vocação. Atores e equipe técnica possuem família e contas a pagar. Portanto, se estão sendo pagos em troca de sua mão de obra, é inegável que eles estejam trabalhando.

A indústria fonográfica é outro exemplo. São necessários muitos profissionais para gravar um disco ou produzir um show. Além dos músicos propriamente ditos, artistas em torno dos quais gira todo o mercado milionário da música, há muitas outras pessoas que são diretamente empregadas.

Nenhum músico profissional, por exemplo, faz show sem contar com a ajuda de uma equipe de logística competente, que transporte toneladas de equipamento com eficiência, segurança e pontualidade. Além disso, há a equipe técnica, normalmente bastante numerosa, que é responsável pelo trabalho árduo de montar os palcos.

E a lista continua. Há também os roadies, que fazem a manutenção periódica dos instrumentos musicais, os técnicos de som e também os iluminadores. Assim como os atores, os músicos profissionais e as suas respectivas equipes técnicas também tem família e muitas contas para pagar. Sendo assim, chamar de vagabundo um músico que se apresenta em troca de um cachê e, portanto, vende a sua força de trabalho, é muita maledicência e desrespeito, para dizer o mínimo.

É evidente que esses dois exemplos não esgotam o assunto, mas já são suficientes para desmentir o argumento daqueles que insistem em chamar os artistas de vagabundos. O fato incontestável é que, para realizarem o seu trabalho, os artistas empregam muitos outros profissionais direta e indiretamente.

Por fim, é bom lembrar que os artistas profissionais também pagam muitos impostos. Logo, eles contribuem expressivamente para o crescimento da cultura e para o fortalecimento da economia do país. Essa é uma obviedade que qualquer pessoa ou governo inteligente deveria ser capaz de perceber.

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