Diário da Região

10/01/2008 - 01h02min

Ano de eleições

Neste ano teremos eleições municipais, a mais próxima de nós como cidadãos e a que mais oferece chances de acerto, exatamente porque escolhemos votar em pessoas supostamente mais conhecidas. Em outras palavras, nas eleições locais temos maior poder de decisão e de escolha. Não se engane: essas aparentes vantagens podem ser anuladas em função do sistema de escolhas partidárias, onde ainda prevalecem os conchavos, o caciquismo, o poder econômico e outras circunstâncias similares. Contudo, sabe-se que o ato de filiar-se aos partidos e ser candidato é livre. Convivo com eleições há mais de 30 anos, participando delas direta ou indiretamente. Nesse tempo, houve mudanças radicais e a principal delas foi a transformação da política em um espetáculo midiático, mesmo nas menores cidades. A política como show exige mais dos candidatos. No interior de um processo de exposição superlativa, o candidato precisa de outras qualidades, além do conceito e da capacidade. Com televisão, gente feia não tem vez. O caso Collor é emblemático. José Serra e Lula são quase exceções. Certa vez, Rio Preto teve um candidato a prefeito bem mirradinho. Ao chegar ao aeroporto da cidade, o então secretário de Estado, Maluly, perguntou: "quem é o nosso candidato?" Responderam: "aquele que vem ali". De pronto, Maluly emendou: "não tem cacoete". Ruy Barbosa já provara deste veneno quase cem anos antes.

Basta ver a média de altura dos membros do Congresso Nacional para saber que ela está bem acima da média brasileira. Parece bobagem, não é um assunto tratado abertamente, mas deve ser levado em conta pelos partidos ao lançar os candidatos a prefeito e vereador. Nos Estados Unidos foram buscar candidatos até em Hollywood. Nem todos precisam ter a voz potente de um locutor de rádio, por exemplo. Contudo, os de vozes esganiçadas não têm chance. O mínimo exigido é que sejam inteligíveis e apresentem raciocínio lógico nas reuniões, nos comícios, nas emissoras de rádios e televisão. Se possível, é bom ter um estilista por perto. O resultado das eleições é apresentado em números, mas o pleito não tem precisão matemática. O ato de votar é influenciado por inúmeros fatores e os mais importantes são a emoção e a empatia. O que agrada um não agrada outro. Por isso, as pesquisas mostram a opinião média do eleitorado. Aqui entre nós, já tivemos um fenômeno interessante. Nas eleições de 1972, contra todos os prognósticos iniciais, Lotf João Bassit foi derrotado por Wilson Romano Calil. Lotf tinha sido bom prefeito e Wilson ficou conhecido em um programa de televisão. A imprevisibilidade margeia as eleições e é seu maior atrativo. Hoje, vemos dois grupos emergindo para o pleito de outubro. Prevê-se, mais ou menos, a repetição dos cenários de 2000 e 2004. Há pouco espaço para o novo ou para uma terceira via, embora isso não possa ser descartado. O imprevisto é a lei que rege a história.

LAERTE TEIXEIRA DA COSTA
Vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT); Rio Preto

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