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Diário da Região

24/02/2016 - 00h00min

A terra que suja

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Parece que a cidade está suja. Dizem por aí que uma sujeira se alastrou por alguns pontos específicos, um tipo de terra escura que segundo as autoridades deve ser limpada imediatamente para que não atinja outras localidades mais importantes. A preocupação é que essa terra chegue até as áreas de lazer, shoppings e afins, descontentando a população de bem que costuma repugnar esse tipo de sujeira. Apesar de essas localidades já estarem ocupadas há algum tempo por um tipo de poeira parecida até com a terra, a forma de areia fina e clara dessa poeira nunca incomodou a ninguém.

O que se comenta é que a terra escura impregna e destrói os locais nos quais ela chega. Dizem até que ela poderá proliferar algum tipo de contaminação. O problema é que a única solução até agora encontrada para que essa terra não se contamine é varrê-la para embaixo de um enorme tapete lá mesmo onde ela costuma ficar.

A história me interessou muito, porque ao ouvir falar da tal terra, me parecia um tipo que eu conhecia, dessas que eu era acostumada desde muito pequena. Quando cheguei até o local, no qual inclusive já até morei, não é que eu conhecia mesmo? A terra era frutífera, terra que o que se planta dá.

Só que também desde que me entendo por gente, vi poucas pessoas ou ninguém jogando sementes e tentando cultivar algo ali. Tudo o que vi foi gente com nojo, varrendo, limpando, tentando exterminar a tal terra escura. Tudo o que vi foi gente tentando escondê-la do jeito que dava. Tudo o que vi foi gente deturpando e diminuindo seu poder de produtividade para justificar ações sem sentido contra aquilo que eu sempre costumei olhar com olhos de fertilidade, mas que a sociedade sempre viu com olhos de sujeira.

Nenhuma providência até agora foi tomada para que essa terra possa algum dia florescer, isso parece não ser do interesse de ninguém. O que vejo ao meu redor são só tentativas insistentes para que ela não chegue onde não é desejada, para que não saia debaixo do imenso tapete da vergonha. Nem isso anda dando muito certo, nenhuma ação conseguiu até agora sair do papel ou vingar.

Enquanto isso, o vento bate e a terra sai por aí voando, se espalha, faz redemoinhos, incomoda, perturba, se perde em meio à população, se joga nas áreas de areia fina. Até que, de um jeito estranho e quase instintivo, ela volta para o seu lugar de origem.

Anna Cláudia Magalhães

annamagalhaesc@gmail.com

Painel de Ideias

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