Diário da Região

17/01/2007 - 01h02min

A guerra do ano que vem

Um velho ditado no Oriente Médio diz que a "paz é feita sempre depois da guerra". Parece haver uma constatação de que é necessária uma guerra para alterar o status quo e levar as partes a se sentarem à mesa de negociação. Assim foi na Guerra de Yom Kipur ou Guerra de Outubro, em 1973, que abriu o caminho para a longa jornada do presidente egípcio Sadat que culminou com o acordo de paz de Camp David, em 1979, entre Israel e Egito. Pois bem, parece que estamos próximos a um momento semelhante, só que, agora, com a Síria. Nos próximos dois anos, tendo o pico entre julho e outubro de 2007, cresce a probabilidade da eclosão de um conflito na fronteira norte de Israel, diretamente com a Síria, novamente com o Hezbollah ou em uma ação coordenada entre os dois. As razões para considerar altamente provável a eclosão desta guerra em 2007 são diversas. Em primeiro lugar, a crescente sensação de forças que se opõem a Israel e ao Ocidente de que elas têm tido sucesso em suas ações. A alta probabilidade de uma retirada parcial de tropas norte-americanas do Iraque deve contribuir para esta sensação. Além disso, o governo sírio tem-se sentido cada vez mais sob pressão, como resultado do acirramento dos conflitos internos no Líbano e o discurso agressivo de Washington (que, diga-se de passagem, sente-se mais confortável em pressionar a Síria do que a nuclear Coréia do Norte).

À medida que as pressões externas políticas crescem, aumenta o incentivo da Síria, liderada por Bashir AlAssad, de buscar uma saída militar na tentativa de se manter no poder, ao mesmo tempo em que geraria pressão para Israel e os Estados Unidos sentarem-se à mesa de negociação para discutir um novo arranjo de segurança para a região. Segundo fontes da inteligência militar israelense, o Hezbollah conta ainda com mais de 5 mil foguetes Katyusha. Isto, sem contar os mísseis de médio e longo alcance, como aqueles disparados contra a cidade israelense de Haifa, durante o conflito de 2006. Ou seja, o suficiente para gerar um considerável prejuízo a Israel. Além disso, Israel seria pressionado pelos Estados Unidos e a União Européia a uma ação militar limitada, que não levasse à entrada em Damasco (capital da Síria) e nem ao uso de armas de destruição em massa. A preferência por uma guerra limitada ocorreria para tentar evitar a escalada do conflito, com o possível envolvimento de outros atores, como a AlQueda e o Irã, que teriam fortes incentivos nesse sentido, caso a ação de Israel seja demasiadamente longa ou gravemente agressiva. Dessa forma, 2007 pode ser o ano da Guerra da Síria, que, ironicamente, suscitaria a volta à mesa de negociação, para um acordo que mantivesse o regime de Assad e até a devolução de grande parte das Colinas do Golan. No entanto, antes da calmaria virá o horror de mais um conflito bélico.

GILBERTO SARFATI
Doutor (USP) e mestre (Universidade de Jerusalém) em Relações Internacionais, professor das Faculdades Integradas Rio Branco, FAAP e Facamp

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