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Diário da Região

28/05/2016 - 00h00min

Artigo

A fraude do projeto escola livre

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Não é surpresa que as propostas estapafúrdias da Associação Escola Sem Partido ou do Projeto Escola Livre sejam defendidas por quem são. Nenhuma das pessoas envolvidas nisso entende de educação ou de ensino. Por isso mesmo, elas recorrem a argumentos raquíticos e a uma eterna mania de perseguição que beira a insanidade. Em outros tempos, pessoas assim poderiam ser ignoradas. Em tempos de oportunismo político e letargia crítica, elas devem ser desmascaradas.

O Projeto Escola Livre, do deputado Ricardo Nezinho (PMDB), foi aprovado em Alagoas neste ano. Embora vetado pelo governador, ele foi aprovado novamente pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação. Num texto desconjuntado, o deputado diz que o professor deve se manter “neutro” sobre questões políticas, ideológicas e religiosas. Paradoxalmente, a determinação de que o professor precisa ser “neutro” parte de um político insuspeito de neutralidade. Dizer quem é ou não neutro já é arbitrariedade. Mas a situação piora quando vemos que o texto é indecorosamente rudimentar ao defender uma noção ideologicamente tacanha de neutralidade.

Ironicamente, o Projeto Escola Livre, que diz “combater a ideologia”, falha ao tentar esconder que seu objetivo é ideologicamente motivado por um conservadorismo avesso ao pensamento crítico dissidente. O autor prega o respeito à diversidade de ideias para afirmar que, no fim, é apenas a sua ideologia conservadora que deve prevalecer. Portanto, o Projeto Escola Livre é uma farsa política, um embuste legal e um insulto anti-educacional, pois tenta cercear a liberdade de pensamento do professor e do aluno que finge proteger. No fundo, tolhe a emancipação da razão reflexiva do estudante para constranger o pensamento de cada indivíduo a limites facilmente domesticáveis.

A Associação Escola Sem Partido defende o mesmo argumento obtuso. A farsa já está na distorção retórica do nome do grupo, que cria fantasiosas escolas partidárias para combatê-las. Um absurdo risível, facilmente desmentido por uma visita a qualquer escola. Os argumentos dessa associação, e os do deputado federal Izalci Ferreira (PSDB/DF), igualmente esdrúxulos, mostram que suas propostas são retrógradas e profundamente partidárias, embora jamais se assumam assim. Ademais, elas ignoram solenemente o contexto do ensino brasileiro em todos os seus níveis. Pelo modo raso como argumentam, fica claro que o deputado e os membros dessa associação desconhecem completamente as atividades realizadas dentro da sala de aula, a rotina estafante das escolas e o que diz a Constituição e a Lei de Diretrizes e Bases de Educação (LDB) sobre a educação. Não fossem legalistas de fachada, saberiam que suas propostas são tolices inconstitucionais.

Concluindo, será que essa gente realmente acredita que existam partidos políticos financiando professores para atuarem como doutrinadores profissionais? Ou que o ensino está sequestrado, como gostam de vociferar? Será que trocamos o conhecimento e a reflexão pela teoria da conspiração rasteira e tola dos oportunistas? Isso é vergonhoso. Mas, sobretudo, é preocupante. Porque essa gente “de boa vontade”, por falta de educação e/ou caráter, generaliza grosseiramente a docência como profissão. Esse é o erro crasso que invalida seus argumentos toscos. Qualquer pessoa de bom senso sabe bem que o professor não está cometendo crime algum ao ensinar seus alunos a duvidar e pensar por conta própria: ele só está fazendo seu trabalho.

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