X
X

Diário da Região

28/10/2015 - 00h00min

artigo

A droga do câncer

artigo

NULL NULL
NULL

O laboratório do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), campus de São Carlos, produziu uma substância que foi inicialmente divulgada boca a boca, mas com o engrossamento das informações, ganhou as redes sociais que se encarregaram de alardear os benefícios para a cura de diversos tipos de cânceres. Indiscutivelmente, para aqueles que vivem os problemas da doença e sempre se agarram a uma esperança de cura, a procura intensificou e a limitada produção não tinha como atender os interessados.

Diante da dificuldade, várias ações judiciais foram intentadas com a finalidade de obrigar a Instituição a produzir a fosfoetanolamina sintética e entregá-la gratuitamente à população que a reclamava, contando até mesmo com decisões do Tribunal de Justiça de São Paulo e do próprio Supremo Tribunal Federal. Referida substância, que não pode ser rotulada como remédio, foi severamente contestada por não ter sido submetida aos protocolos científicos e nem mesmo testada em humanos para avaliar sua eficácia, de acordo com o regramento imposto pela Anvisa.

Não se pretende aqui discutir se a substância experimental traz benefícios ou não para os humanos. A intenção é justamente demonstrar que a notícia de um fato que envolve interesse geral, inicialmente com repercussão restrita, atingindo somente um número reduzido de doentes, pode ganhar corpo e como uma bolha cresce de forma avassaladora, provocando, em consequência, o convencimento de grande parte da população que passou a acreditar na cura da indesejável moléstia.

Não só as pessoas. A própria Justiça, abraçando a bandeira e a convicção popular, no âmbito de sua discricionariedade e contrariando as normas técnicas a respeito da homologação de medicamentos, assim como a opinio communis doctorum, passou a expedir ordens judiciais para a fabricação continuada da substância experimental.

Assim, se for apresentada determinada droga, como resultado de pesquisa de uma Instituição de referência, como é o caso, inevitavelmente chamará a atenção da população, principalmente quando acompanhada de resultados satisfatórios relatados por pacientes oncológicos. E a população passa a agir de forma apressada e até mesmo desnorteada para dela fazer uso, não se importando com ausência de estudos clínicos com a chancela da Anvisa, que comprovem eventual benefício e até mesmo malefício.

O paciente não pode ser considerado como resultado somente de alterações físico-químicas que norteiam seus parâmetros somáticos, até então desvendados. Conjugam-se também os aspectos psicossociais, que produzem muitas vezes ações mais benéficas. O homem, em determinados momentos, apega-se a crenças e a todo tipo de esperança que possa proporcionar a cura de uma grave doença. Diz o médico italiano Bobbio, com a segurança que lhe é peculiar, que “se alguém se cura confiando em medicinas alternativas, argumenta-se que o resultado de pende da sugestão ou do efeito placebo que, não esqueçamos, também influencia grande parte dos nossos sucessos”.

É interessante relembrar nesta oportunidade o caso mundialmente conhecido envolvendo José Meister, criança de nove anos, que foi mordida catorze vezes por um cão com a doença de raiva, que provocava a morte, fato acontecido no ano de 1885. A mãe suplicou a Louis Pasteur, químico, que tinha desenvolvido uma vacina antirrábica, porém só a testou em animais e sabia do perigo em utilizá-la em humanos. Além do que não era médico e não tinha autorização para ministrar a droga. Porém, em razão da urgência, arriscou e o paciente recebeu a primeira das 12 injeções antirraiva, vindo a sobreviver. Assim foi descoberta a vacina, porta de entrada para a medicina moderna.

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso