Diário da Região

02/11/2011 - 01h50min

 

É o Brasil que queremos?

 

Recentemente, a revista Exame trouxe uma reportagem interessante e que muito tem a ver comigo, sobre a evolução do Brasil de 1967 a 2011, nas quatro décadas que separam a primeira da milésima edição da publicação. Coincidentemente, este foi o ano em que nasci. E, no decorrer de meus 44 anos de vida, não foram somente os números que me mostraram a evolução brasileira, mas o que vi e vivi neste tempo. Por isso, gostaria de compartilhar com os leitores algumas informações da revista que julgo importantes e que são chave para estreitar essa linha tênue que separa o Brasil que queremos e o Brasil emergente de hoje. Em 1967, com 90 milhões de habitantes, éramos apenas mais um país na lista dos fadados ao fracasso. Sempre à sombra dos melhores, despencávamos com taxas gritantes de atraso na educação, onde 40% dos brasileiros com mais de 15 anos eram analfabetos e só metade das crianças frequentava a escola; e na saúde, onde expectativa de vida ao nascer era de 52 anos, e a cada mil nascidos, 131 morriam antes de completar seu primeiro aniversário. Hoje, somos 192 milhões de brasileiros. São raros os exemplos de países que cresceram tanto em tão pouco tempo em termos demográficos - e somam-se a isso os hospitais, escolas, moradias e trabalhos que precisaram ser gerados para abrigar esse contingente. Muita coisa mudou de lá pra cá. De pobre a emergente, hoje despontamos aos olhos de investidores. Nosso PIB foi multiplicado por sete. O número de crianças matriculadas nas escolas passou de 51% para 97,6% em 2009. A expectativa de vida avançou para a casa dos 70 anos.


Em 1970, havia apenas sete cidades brasileiras com mais de um milhão de habitantes; hoje são 15. A malha rodoviária passou de 462 mil km em 1960, para 1,7 milhão de km em 2010. O movimento dos aeroportos era de 21 milhões de passageiros em 1979; hoje são 155 milhões. Em 1967, as empresas formais somavam 340 mil; hoje são 4,8 milhões, sendo que as 500 maiores lucraram 1,3 trilhão ano passado. É um quadro positivo? Sim, mas quem acompanha as notícias do Brasil sabe que muito há de se fazer ainda. As crianças estão na escola, mas estão aprendendo? Na saúde, mais de 140 milhões ainda dependem do SUS. Temos um médico para 595 habitantes; em Cuba a média é de um para 169. Gastamos em torno de US$ 606 dólares per capita com saúde; na Alemanha, o gasto é de US$ 4.209. Cerca de 20% da população não têm condições sanitárias mínimas; na Argentina, apenas 10% não têm acesso. Para se abrir uma empresa no Brasil, a burocracia é grande: 120 dias é o tempo médio; nos países desenvolvidos são 14 dias. Além disso, são exigidos 15 procedimentos; no México, são seis. No ambiente de negócios, o recolhimento de impostos pelas empresas empaca 2.600 horas, bem longe da média da América Latina, que é de 385 horas. Tem ainda a corrupção, que subtrai R$ 85 bi por ano dos cofres públicos. Dinheiro que daria para tirar 16 milhões de pessoas da miséria, construir 36 mil km de estradas, formar 312 mil médicos, aumentar em R$ 443 o PIB per capita, reduzir a taxa básica de juros. A estrada evolutiva é mesmo cheia de pedras. Arruma-se ali, desconcerta-se lá. O mais importante é descruzar os braços e vigiar, exigir do governo, mostrar que estamos sempre prontos para a batalha. Juntos, vamos ajudar a desbravar os caminhos que levem ao desenvolvimento sustentável.


MAURICIO BELLODI Presidente da Acirp


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