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CRISE CAUSADA PELA PANDEMIA

Varejo calcula que já perdeu R$ 53 bilhões

São Paulo foi Estado que mais perdeu em vendas em termos absolutos: R$ 25,64 bi


    • São José do Rio Preto
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Desde o início do período de isolamento social por causa da pandemia do novo coronavírus, o varejo brasileiro de produtos não essenciais (ou seja, sem contar alimentos e produtos farmacêuticos) perdeu R$ 53,3 bilhões, com uma queda de 46,6% em relação ao mesmo período de 2019. O número é de um estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC). "Foi praticamente a metade da receita de vendas obtida no mesmo período do ano passado até hoje (terça, 7 de abril)", diz o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes e responsável pelo estudo.

Para chegar a essa cifra, ele analisou o impacto dos decretos de fechamento do comércio de produtos não essenciais em lojas de rua e shoppings em dez Estados. O economista levou em conta o período no qual esses decretos de isolamento social passaram a valer, os setores afetados e a venda média diária em relação ao mesmo período de 2019.

São Paulo foi o Estado que mais perdeu vendas em termos absolutos. No principal mercado consumidor do País, as lojas de itens não essenciais deixaram de vender R$ 25,64 bilhões, uma retração de 48,5% ante o mesmo período de 2019. Na sequência estão Minas Gerais (R$ 8,34 bilhões), Rio de Janeiro (R$ 6,75 bilhões) e Santa Catarina (R$ 4,8 bilhões).

"O varejo neste ano já era", diz Bentes. Ele pondera que, neste momento, é difícil fazer qualquer previsão do tamanho da retração no ano, porque não se sabe ao certo a extensão do problema e os desdobramentos sobre o emprego e a confiança do consumidor.

Nos supermercados e farmácias, a queda será menor, porque esses estabelecimentos vendem produtos essenciais, ressalta o economista. "Se as pessoas tiverem a metade da renda, certamente não vão comprar carro."

Em relação a uma compensação do recuo das vendas das lojas físicas pelo comércio online, o economista lembra que a participação das receitas a partir desses serviços ainda é pequena se comparada ao consumo presencial. Segundo ele, o varejo online não conseguirá compensar essa retração em curto espaço de tempo por causa da queda na circulação de consumidores. Antes da pandemia, a fatia do comércio online no Brasil representava cerca de 5% do varejo como um todo.

Setor de telecom e TI deve perder receita de US$ 15 bi

O setor de telecomunicações e tecnologia da informação vai interromper o ciclo de crescimento e encerrar o ano em queda devido à crise do coronavírus, de acordo com projeção da consultoria IDC. Em suma, a queda é esperada porque o baque na economia vai limar a capacidade de investimento pelas empresas, bem como gerar desemprego e perda de renda pela população, esfriando o poder de consumo.

Com isso, a receita do setor em toda a América Latina deve cair cerca de 4% em 2020, o que representa uma perda na ordem de US$ 15 bilhões. A previsão inicial para o ano, traçado antes da crise, era de um crescimento na ordem de 7,5% a 8%.

As projeções foram divulgadas nesta terça-feira, 7, durante uma reunião online organizada pela IDC. Para este cenário, a consultoria acredita que o Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina ira encolher em torno de 3% a 4% no ano.

"O desemprego vai ser um problema no segundo semestre do ano, dado o impacto da Covid-19 principalmente nas pequenas e médias empresas, bem como nas grandes empresas", comentou Luciano Ramos, gerente de consultoria e pesquisa da IDC Brasil.

Ele considerou também que o setor manufatureiro se recuperará na China, o que poderia dar sustentação à comercialização de eletrônicos, mas as cadeias de suprimentos para exportações globais continuam sendo afetadas negativamente, o que dificulta o abastecimento em vários mercados.

Para o Brasil, a previsão da IDC é de que a receita do setor de telecomunicações e tecnologia da informação deve encolher aproximadamente 4% em 2020, o que representa uma reversão frente à projeção pré-crise de alta de 7,5%.