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Deixe seu carro sustentável e colabore com o meio ambiente

Pequenas mudanças de hábitos dos motoristas podem deixar os carros mais sustentáveis e contribuir com a redução dos impactos ambientais no dia a dia

O Brasil é o sétimo país do mundo na escala de emissão de CO2 na atmosfera, o que representa 3,4% das emissões mundiais, de acordo com o Seeg (Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa).

Uma pesquisa realizada na cidade de São Paulo pelo IEMA (Instituto de Energia e Meio Ambiente) comparou as emissões de carros, ônibus e motocicletas e mostrou que os transportes individuais são os que mais poluem. Os carros respondem por 72,6% das emissões de CO2, e por 88% dos quilômetros rodados na capital. Além do CO2, outros poluentes são jogados no ar pelos carros, como o MP (Material Particulado) por exemplo, um poluente crítico que afeta os pulmões e provoca asma, bronquite, alergias e outras doenças graves cardiovasculares.

Os carros leves estão no topo da emissão de gases poluentes, com 45% do volume emitido. Em segundo estão os caminhões, responsáveis por 21% das emissões. Aviões e navios representam 11% das emissões, ônibus e micro-ônibus 5%, triciclos e motocicletas 4% e os trens representam 3%.

A revista Vida&Arte preparou um roteiro com dicas para o motorista se tornar mais sustentável e diminuir sua participação nesse cenário que polui o planeta e agrava ainda mais o efeito estufa.

Revisão não é luxo

Cumprir o calendário de revisão é essencial para garantir a conservação e o desempenho do veículo, bem como a segurança de quem utiliza o carro e para tornar-se um motorista mais sustentável. É por meio das revisões que são detectados problemas e, se necessário, trocados componentes que tornam menores as emissões de gases na atmosfera, como os filtros de ar e óleo do motor, por exemplo.

Preservar na hora de limpar o carro

Escolher opções de limpeza do carro que se preocupam com a preservação dos recursos naturais, como a água, por exemplo, faz diferença. As lavagens ecológicas, feitas com quase 0% de água, são uma alternativa sustentável. Enquanto a lavagem tradicional consome 600 litros de água, a lavagem a seco, em um carro do mesmo porte, consome menos de 1 litro.

"Aqui na empresa só é possível encontrar água nos bebedouros que as pessoas utilizam para matar a sede", diz um dos funcionários de uma franquia de lavagem a seco instalada no estacionamento de um shopping de Rio Preto.

"O processo é simples. Um produto à base de cera de carnaúba, que ajuda a proteger a pintura, é passado no carro e limpa pelo processo de cristalização e fragmentação da sujeira. Então, basta passar um pano limpo e seco para retirar o produto", explica Thiago Correia Neves, proprietário da franquia.

Ele conta que no início as pessoas tinham preconceito com esse tipo de lavagem, que ficavam desconfiadas e inseguras com medo de que o processo provocasse danos à pintura do carro. "Mas à medida que vão conhecendo o serviço, essa mentalidade vai mudando", disse. A empresa foi inaugurada em 2017, e tinha média de dez clientes por dia. Hoje teve aumento de mais de 100%, chegando a 25 clientes diariamente. "As pessoas estão ficando cada vez mais conscientes, procurando alternativas que prejudiquem menos o meio ambiente", diz.

O carro é o que ele "bebe"

A escolha do combustível também pode ajudar na redução do impacto ambiental provocado pelo uso do carro particular. As emissões de gases são menores de acordo com o tipo de combustível usado. Comparação da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) mostra a diferença na emissão de gases de acordo com o combustível usado por ônibus. A pesquisa considerou ônibus convencionais básicos e mostrou que o óleo diesel é o que mais polui, gerando 1168g de CO2/Km. Quando o mesmo tipo de ônibus utiliza a mistura de diesel e 20% de biodiesel, gera 984g/Km. No caso do biometano, são gerados 1154g/km. E quando o ônibus circula movido a etanol aditivado, a geração de CO2 é praticamente zero.

Entre as opções mais comuns a que o motorista tem acesso, o etanol reduz em até 73% as emissões do CO2 se comparado com a gasolina, de acordo com um estudo realizado pela Embrapa Agrobiologia. A pesquisa considerou todas as emissões nos processos de produção. No caso do etanol, foram avaliados desde a preparação do solo, construção das usinas, maquinários e até a emissão gerada no transporte do produto até o posto de combustíveis. Para calcular a emissão da gasolina, foram utilizados dados do painel de mudanças climáticas da ONU sobre extração do petróleo. Se a queimada da cana de açúcar for mecanizada, a vantagem do etanol sobre a gasolina aumenta de 73% para 82%. Sem contar que se trata de um combustível proveniente de uma fonte renovável, ao contrário da gasolina, que é derivada do petróleo.

Diminuir a poluição per capita

Quando uma pessoa opta por viajar em transporte coletivo, como o ônibus, ela dilui a emissão de gases pelo número de pessoas com quem viaja. "Quando a gente divide o meio transporte com outras pessoas, na prática a emissão gerada naquele trajeto seria a mesma. O que muda é que estamos evitando mais emissão de poluentes pois essa mesma pessoa com a qual dividimos o carro deixa de emitir não usando o carro apenas para si mesma", diz José Mário Ferreira de Andrade, engenheiro civil e sanitarista.

Ainda seguindo esse raciocínio, uma opção para diminuir a emissão per capita de gases poluentes é a carona solidária, em que pessoas que estudam ou trabalham no mesmo local usam apenas um carro para a locomoção, no sistema de revezamento. Assim, ao invés de cinco estudantes usarem cinco carros todos os dias, eles usam apenas um de cada vez, emitindo quatro vezes menos gases por dia.

O futuro é agora

Apesar de parecerem distantes, tecnologias que tornam os carros mais sustentáveis já estão sendo testadas, e algumas até foram incorporadas a modelos que já estão no mercado:

Freios que geram energia - Já existem carros com freios regenerativos, que transformam a energia da frenagem (cinética) em energia elétrica, que é armazenada na bateria responsável pela parte elétrica do carro - lanternas, por exemplo. O sistema evita que a recarga da bateria use queima de combustível.

Movido a nitrogênio - Algumas montadoras já possuem protótipos de carros movidos a nitrogênio, elemento altamente renovável, o mais abundante do Universo. Sua queima não gera resíduos ao meio ambiente, mas possuem uma desvantagem: o alto custo de produção.

Sistema Start & Stop - O carro desliga quando para no semáforo ou em congestionamentos, e liga automaticamente à medida que o motorista pisa no acelerador. O sistema já é usado em algumas marcas. Representa até 15% de redução nas emissões e economiza combustível.

Carro elétrico - É a produção automotiva mais limpa até o momento, com emissão zero de CO2. Desvantagens: demora para carregar e continua emitindo carbono, por meio da energia elétrica que é utilizada. Vantagens: diminui poluição do ar, e poluição sonora, porque é muito silencioso.

Lanternas de LED - O LED dura até 100 mil horas - 11 anos - ligado ininterruptamente, tem iluminação mais eficiente, não esquenta e representa economia de 70% em energia elétrica.

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