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São José do Rio Preto nas tirinhas aquareladas do Prof. Sérgio Motta

Patrícia Reis Buzzini - 04/04/2020 00:25

Dando continuidade aos eventos de celebração do aniversário de São José do Rio Preto, iniciados no último dia 19 de março, selecionei um livro inspirado na trajetória de desenvolvimento da nossa cidade: “Arlequina, a estrela da represa”, do professor Sérgio Motta. Escrita em formato de história em quadrinhos, a narrativa é protagonizada por uma capivara que relata suas andanças na companhia do fiel amigo “Pássaro azul infinito”. Como explica o autor, “as capivaras metaforizam o grande contingente de pessoas advindas de outros lugares, estados e municípios, que aqui passaram a residir e adotaram a cidade tão profundamente como sua nova terra natal”. Com humor e sensibilidade, a personagem indica livros, cita trechos de músicas, e resgata a história de pessoas, lugares e fatos icônicos da cidade. É interessante perceber que as tirinhas também podem ser lidas de forma independente, além de serem ilustradas por esmeradas aquarelas do autor. Com o intuito de saber mais sobre o livro, aproveitamos para trocar algumas palavras com o autor:

V&A - Após tantos anos de dedicação ao Ensino Superior, como surgiu o interesse pela pintura? O projeto do livro veio antes ou depois do contato com a arte?

Sérgio Motta - Na minha experiência de docência e pesquisa, no IBILCE/UNESP, como professor de Literatura e Cultura Brasileiras, procurei abrir o campo de visão para os vários sistemas artísticos, ligando a literatura às outras artes, principalmente as visuais. Sempre desenhei, mas não tinha tempo para exercer essa atividade independentemente. Conciliar o desenho com a criação de livros dessa natureza faz parte do meu projeto de aposentadoria.

V&A - Qual é a origem do nome da protagonista, “Arlequina”?

Motta - Quando fui eleito para a Academia Rio-pretense de Letras e Cultura (ARLEC), solicitaram-me um logotipo para a revista da Academia, “Kapiiuara” (capivara em tupi-guarani). Fiz o logotipo e também tive a ideia de transformar a capivara em personagem e fazer tirinhas para serem publicadas na revista. Assim nasceu a personagem “Arlequina” (de ARLEC), como uma mascote, que, depois, ganhou corpo e espaço, pulando da revista para entrar na ficção em forma de livro.

V&A - Qual é a simbologia do personagem chamado “Pássaro azul infinito” na narrativa?

Motta - O “Pássaro Azul” é uma remissão à lenda de fundação de São José do Rio Preto (contada no livro em duas tirinhas). Ele simboliza o rio-pretense de origem, da lenda e da gema.

V&A - O livro em questão estabelece relações dialógicas com autores como Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade e Guimarães Rosa, entre outros. ´Qual é o papel da intertextualidade na sua obra?

Motta - A personagem Arlequina incorpora e parodia frases da literatura, versos de poesia e música de uma forma criativa e cotidiana, como uma maneira de demonstrar a importância da leitura e como o conhecimento e fruição da arte devem ser integrados às nossas práticas vivenciais.

V&A - No que tange à produção artística local, qual é a importância de personalidades como o pintor primitivista José Antônio da Silva, a escritora Dinorath do Valle e o maestro Paulo Moura, citados no livro?

Motta - São personalidades que projetaram suas artes num nível nacional e internacional. O Silva, considerado o maior pintor primitivista do Brasil, ajudou ainda a alavancar o próprio gênero de pintura “naïf”. O Paulo Moura, maestro, compositor, arranjador, saxofonista e clarinetista de choro, samba e jazz, está entre os principais nomes da música instrumental. A Dinorath foi uma escritora muito premiada e sua literatura é de altíssima qualidade. Os três artistas transcendem a produção local e cada um deles tem uma contribuição respeitável e singular às artes que representam.

V&A - Quais são as principais contribuições da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura (ARLEC) para a nossa cidade? Por que escolheram o antigo prédio da Swift como parte do logotipo da associação?

Motta - A ARLEC é uma associação cultural sem fins lucrativos, que congrega personalidades que se destacam nos campos das letras, ciência, artes e cultura, com o objetivo de incentivar e promover ações artístico-culturais. O prédio da Swift representa o pioneirismo da industrialização e, hoje, preservado na sua bela arquitetura, tornou-se um símbolo e uma referência cultural.

V&A - Onde podemos comprar o livro “Arlequina, a estrela da represa”? Você tem novos projetos para 2020?

Motta - O livro está disponível em todas as livrarias da cidade. Estou desenvolvendo um outro livro com esses mesmos personagens, mas mais complexo e abrangente, em que o cenário local da represa ancora um novo salto ficcional. Assim, o livro, com forte caráter didático, mantendo o tom humorístico e artístico, poderá circular e impactar em qualquer localidade e escolas do país. Afinal as capivaras estão se instalando em várias cidades. Sobre o quê? A Arlequina ainda quer manter segredo.

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