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Brasil/Mato Grosso

Dom de atrair uma legião de desbravadores

De coronel britânico que seria o verdadeiro Indiana Jones a Antônio Calado, muitos deixaram suas pegadas por ali


    • São José do Rio Preto
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O Roncador, cujo nome seria uma referência ao som do vento que rasga montanhas, é feito de histórias, daquelas contadas durante travessias por um Cerrado ainda preservado ou no pé da fogueira, em noite de acampamento rústico.

Tem "causo" de chuva de peixe e cachoeira que dorme. Dizem até que o personagem Indiana Jones, da franquia de cinema homônima, dirigida por Steven Spielberg, foi inspirado num coronel britânico que veio parar aqui no Brasil, na região do Roncador, em busca da Cidade Z, conhecida também como Cidade Perdida. Percy Fawcett, seu filho Jack e um amigo deste desapareceriam, sem deixar rastros, em 1925. Daí seu título de "O verdadeiro Indiana Jones", com direito a estátua em Barra do Garças.

A persistência para achar o Eldorado brasileiro começara na última década do século 19, quando Fawcett encontrou inscrições desconhecidas no antigo Ceilão. Logo mais, o explorador veria semelhanças com o "Documento 512", que indicava uma cidade perdida, no sertão do Brasil. Ele começava a engendrar sua história fantástica "naqueles vazios, sem rios, sem nomes (&) onde nenhum ser humano, até então, pusera os pés", descreve o escritor e jornalista Hermes Leal, na biografia "O enigma do Coronel Fawcett - O verdadeiro Indiana Jones".

A partir do final do século 19, aquelas terras viram passar as expedições de Cândido Rondon, um respeitado (e respeitoso) registrador de grupos indígenas do Brasil, durante o projeto audacioso de instalação de telégrafos na região.

Por ali, passaram também insistentes homens que marcharam rumo ao desconhecido Oeste brasileiro, na década de 1940, durante a famosa Expedição Roncador-Xingu, encabeçada pelo coronel Flaviano de Mattos Vanique e pelos irmãos Villas-Bôas.

Conhecida como Marcha para o Oeste, a empreitada, que chegou a abrir 1.500km de caminhos e fez contato com 18 grupos indígenas, tem seu marco zero numa praça de Aragarças, cidade goiana no limite com Barra do Garças.

Até Antônio Calado deixaria pegadas na região. Quase três décadas depois, o desaparecimento de Fawcett ainda rendia reportagens como a ousada viagem que este jornalista empreendeu, com avião emprestado por Assis Chateaubriand, em busca da ossada do coronel desaparecido, registrada no livro "Esqueleto na Lagoa Verde".

O município mato-grossense de Barra do Garças é o maior e melhor estruturado da região, onde se concentram hotéis e restaurantes que servem os visitantes do Roncador.

É dali que partem passeios mais básicos no Roncador, como o Bico da Serra, uma das principais atrações, com suas formações rochosas lapidadas pelo vento, às margens da BR-158, e o pequeno sítio arqueológico da Gruta da Estrela Azul, com inscrições em alto-relevo.