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Saúde e Beleza

Não se esqueçam do Sol

Em tempos de isolamento social devido ao coronavírus, não se deve esquecer da dose diária de sol, que, na medida certa, produz uma série de benefícios; exposição diária entre 10 e 15 minutos ajuda na melhor absorção do cálcio e contribui para o sistema imunológico


    • São José do Rio Preto
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Em tempos de reclusão e isolamento social recomendadas devido ao avanço da pandemia do coronavírus é natural as pessoas ignorarem alguns cuidados essenciais à saúde. Um deles é a exposição moderada ao Sol, que, na medida certa, proporciona uma série de benefícios. Um deles exatamente contra a Covid-19, pois segundo estudo da universidade de Turim, a vitamina D - que tem nos raios solares uma de suas fontes principais - é aliada na redução do risco de contágio.

Além disso, a vitamina D tem participação decisiva na absorção do cálcio, fortalecendo os ossos e melhorando o bom desempenho de outros órgãos vitais. Portanto, as recomendações das autoridades de saúde sobre o coronavírus devem ser seguidas, mas sem abrir mão do que faz bem à saúde.

A deficiência de vitamina D é um problema de saúde mundial e no Brasil tem elevada prevalência. Em crianças, sua deficiência é uma das principais causas de raquitismo e em idosos está diretamente associada a osteoporose e a um risco elevado de fraturas.

Funções importantes

A vitamina D tem como principal função a manutenção do tecido dos ossos e influencia em muito no sistema imunológico (com importante papel em doenças autoimunes). "A falta dela favorece o aparecimento de vários tipos de câncer, já que atua também como mecanismo de multiplicação celular. Ela também age na secreção hormonal e está relacionada ao aparecimento de diversas doenças crônicas, inclusive diabetes, obesidade e hipertensão", diz a pediatra Roberta Lorena Lima Bezerra.

Ela ressalta que, atualmente, para pessoas jovens, se aceita como suficiente níveis mais baixos de vitamina D do que o necessário para idosos e mulheres após a menopausa. Esse grupo tem necessidade de suplementar a vitamina D com mais frequência, tanto pela menor capacidade da pele de produzi-la quanto para prevenir a osteoporose. "Não existe recomendação para dosar a vitamina D na população geral, apenas em grupos de maior risco como idosos, pacientes que foram submetidos à cirurgia bariátrica e mulheres na pós-menopausa, entre outros", diz.

A pediatra lembra que a vitamina D só está presente em alimentos de origem animal, não sendo possível encontrá-la em fontes vegetais como frutas, verduras e grãos. Por isso, sob prescrição médica, é preciso fazer uso de uma suplementação em casos específicos. Alguns alimentos como óleo de fígado de bacalhau e peixes como salmão e atum são aliados, mas não ofertam toda a quantidade necessária. "O sol é responsável por 80 a 90% da vitamina que o corpo recebe."

 

1- Durante o isolamento a dica dos especialistas é sempre procurar manter a exposição solar mesmo dentro de casa. Encontrar áreas da casa que fiquem diretamente expostas como o quintal, jardim ou na garagem. Busque permanecer no sol por 10 minutos, todos os dias, sempre antes das 10h e após as 15h

2- Se você mora em apartamento, a melhor opção é pegar sol através das janelas, do quarto, sala, ou área de serviço, ou da sacada. Vale ressaltar que não pode ter interferência do vidro. A exposição solar deve ser direta, com a janela aberta

3- É importante lembrar que o uso de protetores solares com fator de proteção acima de 30 também reduz muito a produção de vitamina D pela pele. Para garantir a produção suficiente de vitamina D é recomendado expor-se ao sol com várias áreas do corpo descobertas, principalmente pernas e braços

4- Pessoas que têm contraindicação à exposição solar, como câncer de pele, ou mesmo não consigam fazê-lo na rotina, podem necessitar de suplementação de Vitamina D, principalmente idosos ou portadores de doenças específicas. Essas situações devem ser sempre avaliadas por um médico

 

O jornal italiano La Repubblica divulgou esta semana um estudo de dois professores da universidade de Turim, na Itália, sugerindo que a vitamina D pode ser uma forte aliada na redução do risco de contágio da Covid-19.

Segundo os professores responsáveis pelo estudo, Giancarlo Isaia (especialista em geriatria) e Enzo Medico (especialista em estudo dos tecidos), foi possível notar uma deficiência da vitamina D entre os pacientes italianos diagnosticados positivamente com o coronavirus. O estudo não propõe que a vitamina D cure, mas sim como pode funcionar como instrumento para reduzir os fatores de risco.  

Para os pesquisadores, as indicações derivam de inúmeras evidências científicas, que demonstraram um papel ativo da vitamina D na modulação do sistema imunológico, a associação frequente da hipovitaminose D com inúmeras patologias crônicas que podem reduzir a expectativa de vida em idosos, por isso os professores consideram "provável" que o nutriente possa promover maior resistência à infecção para o coronavírus.

Sem confirmação

Segundo a médica endocrinologista Letícia Murro, a informação sobre o estudo italiano está circulando largamente, mas ele ainda é muito questionável. A deficiência de vitamina D é muito frequente em populações idosas, principalmente na Europa e no inverno onde há pouca incidência de sol. Não há um estudo comparando pacientes que apresentavam níveis baixos e pacientes que apresentavam níveis normais, para atestar se os pacientes com níveis baixos evoluíram de maneira pior.

Na dúvida, o mais importante, segundo os especialistas é manter hábitos saudáveis mesmo nesse tempo de quarentena, a exemplo do que faz a dona de casa Maria Ivanete Teixeira Bezerra, de 53 anos. Ela tem deficiência de vitamina D e conta que procura tomar sol diariamente, preferencialmente bem cedinho: "Aproveito o momento para rezar e também agradecer a Deus pela vida e pedir bênçãos", conta ela ao lado das gatinhas Frozen e Banguela. (LC)