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Saúde

Incontinência urinária sob controle

Condição que atinge 30% da população acima de 60 anos tem tratamento


    • São José do Rio Preto
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Chegar à terceira idade faz parte de um processo natural, mas pouco se sabe sobre as mudanças e transformações que acontecem nessa fase, em que o corpo humano começa a apresentar novos sinais, como alterações hormonais e de cognição, que impactam diretamente na rotina do dia a dia. Entre essas mudanças, umas das condições comuns e recorrentes é a de incontinência urinária que, quando não tratada, pode causar alterações no convívio social.

Em idosos, especificamente, a condição pode ser desenvolvida não só pelo enfraquecimento do assoalho pélvico, mas também alterações de motivação, lucidez, mobilidade ou doenças associadas, como diabetes ou alterações neurológicas. A estimativa é de que entre 15% e 30% da população acima de 60 anos apresentem algum grau de incontinência e as mulheres têm probabilidade até duas vezes maior.

Diferentes causas

Muitas podem ser as causas da perda involuntária de urina. Entre elas estão fatores genéticos, obesidade, gravidez, pós-parto, cirurgias, traumas na região pélvica e problemas de bexiga hiperativa. "Mas a mais comum ainda é a decorrente de esforço", diz o urologista Fernando Gonçalves de Almeida, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Nessa condição, o vazamento de urina ocorre devido a qualquer atividade que force o abdômen, de um simples espirro a uma leve atividade física.

Tratamento simples e eficaz

O medo e a vergonha de expor sua condição adia o tratamento - que é simples e eficaz em 90% dos casos. "A busca por ajuda acontece devido ao grau de incômodo e não porque acham que esse é realmente um problema", afirma a fisioterapeuta Mariana Rhein Felippe, autora de um estudo no ambulatório de disfunção miccional do hospital São Paulo, da Unifesp. "Muitas mulheres acreditam que a perda urinária é decorrente da idade e não tem solução", explica.

O tratamento consiste, principalmente, em mudanças de comportamento, no fortalecimento dos músculos da região pélvica com fisioterapia e medicamentos específicos. "A cirurgia, apesar de baixo risco, é indicada somente quando as alternativas de tratamento não surtem efeito", diz ainda Fernando Almeida.

No homem, a incontinência urinária está relacionada à retirada da próstata pós-câncer, pois o procedimento pode afetar o esfíncter, músculo que controla o fluxo da urina. A incontinência é considerada o "câncer social", por dificultar a vida social e sexual. Além do medo de deixar a urina escapar no parceiro ou de expor o uso de fraldas, o odor da urina torna algumas pessoas constrangidas em manter uma vida sexual ativa. "Os casos leves e moderados podem ser tratados com fisioterapia, implantação de slings ou injeções endoscópicas. Nos casos graves, o tratamento recomendado é a colocação de uma prótese, chamada de esfíncter urinário artificial. Todos os procedimentos já estão disponíveis no Brasil, Cristiano Gomes.