Como proteger as crianças do coronavírus Diário da Região - Painel de Ideias

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    • São José do Rio Preto
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22/03/2020 - 16h37min

CUIDADOS

Como proteger as crianças do coronavírus

Os pais têm sempre que observar o estado geral da criança, se está brincando, ativa, sem febre. A tosse que tanto preocupa as mães é uma defesa que temos

Mara Sousa/Arquivo Jorge Haddad
Pediatra
Jorge Haddad Pediatra

Coronavírus são um grupo de vírus descobertos no começo dos anos 1960. Causam doenças respiratórias em humanos e animais. Grande parte da população se infecta com esses vírus, principalmente as crianças nos três primeiros anos de vida. Alguns coronavírus, entretanto, podem causar quadros respiratórios graves, como ocorreu na China em 2002. Ficou conhecido pela sigla Sars (Severe Acute Respiratory Syndrome, em inglês). Infectou 8 mil pessoas. Há 16 anos, não há nenhum quadro de SARS no mundo.

Há aproximadamente 12 anos, novo coronavírus foi isolado. Houve um surto no Oriente Médio, principalmente Arábia Saudita, Jordânia, Emirados Árabes. Pelo local em que incidiu a síndrome, passou a ser chamada de síndrome Respiratória do Oriente Médio, em inglês Mers (Middle East Respiratory Syndrome, em inglês).

É natural que exista esse pânico em relação à doença. Os adultos já estão mais do que informados em relação às medidas preventivas. Em relação às crianças, os quadros respiratórios são geralmente brandos. Normalmente explicamos aos pais que em um resfriado comum os sintomas podem durar até 21 dias e serem normais, como tosse, coriza, e às vezes febre baixa. Não é motivo para sair correndo ao médico ou emergências. Tem que observar o estado geral da criança, se está brincando, ativa, sem febre. A tosse que tanto preocupa as mães é uma defesa que temos.

A criança na hora da febre fica prostrada. Tem que se observar se na hora que controla, ela volta a brincar normalmente. Isso é um sinal bom. Claro que se existe uma febre que persiste por mais que três ou quatro dias com queda no estado geral tem que ir a uma unidade de atendimento.

Uma pequena porcentagem de crianças pode ter quadro grave de coronavírus. Como é doença recente, pouco se sabe até o momento.

A criança, porém, é uma grande transmissora desde o período assintomático. O grande problema do coronavírus é que a transmissão dele é em progressão geométrica: três transmitem para nove, que transmitem para 27, que transmitem para 81.

Como as crianças são transmissoras em potencial, o ideal é que não se exponham. Temos de mantê-las em casas e, caso apresentem um quadro respiratório, o ideal é deixá-las distantes principalmente de pessoas que já tenham alguma patologia como diabetes, hipertensão, pneumopatias e pessoas acima dos 60 anos.

Vai começar a vacinação contra a gripe, o vírus Influenza, e é muito importante que levem as crianças para se vacinar, de preferência com agendamento, horário marcado, para evitar aglomerações para evitar o contágio por alguma virose.

Consultas de rotina devem ser evitadas. A maioria das mães tem o telefone dos pediatras e, desde que sejam dúvidas leves, podem ser resolvidas assim neste momento. Normalmente, deve ser no consultório, mas neste momento de guerra, de pandemia, deve ser assim. Pode lançar mão desses artifícios, de muitos sites, principalmente da Sociedade Brasileira de Pediatria, que tem algumas informações abertas ao público em geral que tiram muitas dúvidas.

Gravidez e amamentação

Até o momento não se tem prova de transmissão vertical durante a gestação ou amamentação. A mãe, mesmo com sintomas ou coronavírus confirmado, pode amamentar porque até o momento não foi confirmado que é transmitido pelo leite. Ela deve usar máscara e trocar de máscara a cada mamada, lavar bem as mãos antes e não colocar as mãos perto da boca, nariz ou olhos da criança. Toda a diretriz mundial é para não suspender a amamentação, principalmente porque o leite protege o bebê - inclusive de outras doenças.

Atividades para a quarentena

Segurar as crianças em casa hoje em dia não será fácil. Então teremos todos que nos reinventar. Além da TV, temos outros aparelhos eletrônicos para os distrair. Cuidado com os programas que não são indicados.

Brinquedos educativos são uma boa opção. Fazer acampamento na sala, massinhas caseiras. Quebra-cabeças também são interessantes, bem como jogos de montar e karaokê.

Para os maiores, ginástica em casa e tarefas domésticas que não causem perigo. Ensinar a criança a plantar flores em um pequeno vaso, por exemplo. Revisar tarefas escolares.

Não levem as crianças em academias, shoppings, igrejas, parquinhos, cinema ou teatro. Não se deve levar as crianças em piscina de bolinhas em hipótese nenhuma.

É essencial: não sair de casa, não reunir amigos aos finais se semana em casa, não fazer festinhas, mesmo que para número pequeno de pessoas, cancelar todas as festas de aniversário no momento, não ir em restaurante. Todos vão sofrer, as entidades vão sofrer financeiramente, mas não temos saída se não essa para não passar o que a Itália está passando.

Jorge Haddad, coordenador da UTI Neonatal do Hospital Beneficência Portuguesa e presidente da divisão regional de Rio Preto da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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