SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2021
ARTIGO

Da pandemia ao perdão

Junto a essa situação sem precedentes, nosso primeiro instinto nos leva a temer o desconhecido

Claudia PaixãoPublicado em 31/03/2020 às 00:30Atualizado há 07/06/2021 às 04:39

Diante dos fatos que são diariamente atualizados, o mundo parou para acompanhar a evolução de um novo vírus - a Covid-19, que com propagação violentamente rápida coloca em nosso vocabulário cotidiano termos técnicos como "transmissão comunitária", quase sempre restritos aos meios acadêmicos especializados ou aos filmes de ficção científica.

Como é de conhecimento de todos, o novo coronavírus, surgido na China em novembro, já matou mais de 30 mil pessoas em todo o mundo no exato momento em que escrevo este artigo.

Junto com essa situação sem precedentes no último século, comparada apenas à Gripe Espanhola, nosso primeiro instinto é o medo, aquele sentimento fortalecido sobretudo pelo desconhecido. Como será o amanhã? Quantos mais terão morrido ao amanhecer?

Talvez nos conforte pensar que a raça humana, racional e consciente, em momentos de grande medo, dor e desespero, se apega mais fortemente à fé: é de nossa natureza buscarmos forças em seres superiores, sejam entidades, energias ou elementos da natureza; seja o meu Deus, o seu Deus, ou a divindade que traga conforto.

E não me ocorre nenhuma outra hipótese além dessa para que a benção "Urbi et Orbi", dada excepcionalmente no dia 27 de março tenha sido proferida: levar conforto aos que creem. O comunicado da Santa Sé revela que "neste tempo de emergência para a humanidade [...] a oração do Santo Padre poderá ser seguida ao vivo através dos meios de comunicação".

Tradição e tecnologia se unem na propagação de amor e simbolismos: a Praça de São Pedro vazia diante do trono papal em contraste tristíssimo aos hospitais e necrotérios italianos superlotados; o "crucifixo milagroso", que segundo a tradição católica salvou Roma da Peste Negra há quase cinco séculos, exposto e beijado, em um claro pedido a Deus: salve-nos!

Quando Francisco levanta a voz e em latim roga que "o Senhor Todo Poderoso e misericordioso vos conceda indulgência, absolvição, e remissão de todos os vossos pecados" e nos oferece "a benção da vida, a graça, a consolação do Espírito Santo e perseverança final nas boas obras. E que a bênção de Deus Todo Poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo desça sobre vós e permaneça sempre", fala imediatamente não apenas aos católicos, mas a todos os cristãos; e aos muçulmanos, e aos judeus, que não apenas são filhos desse Deus Todo Poderoso, desse Deus de Abrahão, como também são fontes de renascimento da fé na humanidade, ao cessarem suas guerras e, juntos, orarem aos seus Deuses durante a luta pelo inimigo que por ora deve ser combatido.

Que a manifestação do Santo Padre leve perdão a todos os povos, em todas as religiões, e que juntamente com a oração dos paramédicos da Terra Santa, nos traga conforto, renove nossa fé e esperança para que, juntos, possamos construir um novo mundo pós-pandemia.

JOÃO PAULO VANI, Escritor em Rio Preto, presidente da Academia Brasileira de Escritores (Abresc)

 
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