Compras no mercado e idosos nas ruasÍcone de fechar Fechar

Direto da Itália

Compras no mercado e idosos nas ruas


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

Nesta terça-feira, 24, precisei ir ao supermercado fazer algumas compras para casa. Há alguns dias não saía e minha comida já estava acabando, principalmente frutas, verduras e legumes. De ontem para hoje estamos mais esperançosos por aqui. O último boletim do governo, divulgado ontem (segunda), mostrou que caiu o número de mortos por dia. Foram pouco mais de 600. É um mundo muito estranho e vemos esperança onde der para enxergar, mas essa é a nossa realidade.

Acordei cedo, por volta das 6 horas, e não demorou muito para o colega que chegou no fim de semana por aqui também despertar. Sugeri irmos juntos ao mercado. É o Márcio, um paraibano bacana, que está na Itália há 20 anos. Trabalha como churrasqueiro, fazendo temporadas onde tiver gente reunida com vontade de comer um bom churrasco, um período na praia, outro nas montanhas. Onde pagam bem, Márcio está indo. Ele estava trabalhando na Eslovênia ultimamente. Com o coronavírus, precisou retornar e veio aqui para o apartamento. Fiquei bem feliz, porque agora posso bater papo com alguém.

Para sair de casa é uma operação de guerra. Máscara, álcool e, com os documentos no bolso, passaporte, carteira de jornalista, formulário do governo para poder transitar, vamos pra rua. Cada um pega sua sacola e partimos. No caminho para o supermercado, muitos carros e caminhões. Mas ainda vemos muitas pessoas transitando, principalmente idosos. Durante o trajeto, vejo várias senhoras conversando com as vizinhas na rua.

Ao chegar ao mercado, tem fila para entrar. Demoramos pouco mais de meia hora para sermos autorizados a iniciar as compras. Estão limitando o número de pessoas dentro do supermercado. Diferentemente de duas semanas atrás, quando fiz minha última compra, desta vez notei que todos, absolutamente todos, estavam de máscaras. E muita gente de luva também. Clientes e funcionários. Na entrada todos precisam limpar as mãos com sabão e álcool e secar numa toalha de papel. Na fila e dentro do mercado, a grande maioria dos clientes era de idosos. Um senhorzinho, de muletas, bem doentinho, chegou quando esperávamos do lado de fora. Pediu desculpas e entrou na frente de todos. Não estava usando máscara e parecia não se importar muito. Saiu de lá com suas encomendas, resmungando em italiano para a atendente que riu e o ajudou com as compras. Uma coisa eu sinto aqui: os italianos são bem teimosos.

Dentro do mercado, encontrei os produtos, sempre repostos, sem alteração de valor e até com promoções. Comprei vários brócolis e maçãs mais baratos do que pagaria em Rio Preto e com qualidade bem superior, por exemplo. Na volta para casa, vi de novo mais gente idosa na rua, falando com vizinhos, desrespeitando sem qualquer constrangimento a determinação do governo. Vários carros da polícia local passaram por nós, mas sinto que dificilmente a fiscalização intensa vai conseguir mudar hábitos tão característico dos italianos.

Henrique Fernandes, Jornalista rio-pretense, que está em Trevignano, na Itália, relata como a Europa está lidando com a Covid-19