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ARTIGO

Não vai faltar energia


    • São José do Rio Preto
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Se a economia brasileira voltar a crescer nos próximos anos não há motivos para nos preocuparmos com a capacidade do setor energético para atrair investimentos. Os especialistas garantem que a expansão do parque gerador nos últimos anos não revela perigo de desabastecimento, pelo menos até 2024.

Nos últimos quatro anos crescemos muito pouco, e em 2020 a expectativa é de que cresçamos 1,8%. Nos quatro anos anteriores, o consumo de energia subiu cerca de 5%. No mesmo período, a capacidade instalada aumentou 22%. Entraram em operação as hidrelétricas de Santo Antônio, Jirau, Belo Monte, eólicas e solares.

Estamos com "folga" de energia em função do baixo crescimento econômico e do planejamento feito com anos de antecedência, considerando que haveria uma alta do Produto Interno Bruto (PIB) e do consumo bem maiores do que os anos anteriores.

Os números desse setor mostram que o Brasil está preparado mesmo se ocorrer um crescimento mais forte nos próximos anos. O coordenador do grupo de estudos do setor elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivaldo de Castro, ressalta que o País conta com parque de termoelétricas que pode ser acionado caso haja qualquer tipo de pressão. Ele não vê nenhum problema no curto e médio prazos.

Mesmo que ocorra alta de preços, energia não vai faltar. Contrastando com a economia como um todo, o setor elétrico vai bem. Já tivemos dias difíceis nesse setor, onde o racionamento de energia limitou o crescimento da nossa economia. Mas o que podemos perceber é que a política energética, o planejamento e a regulação tem garantido a expansão da capacidade instalada, diz o gerente da Gesel.

O presidente da Associação Brasileira de Investidores em Autoprodução em Energia (Abiape), Mário Nenel, afirma que sob o ponto de vista de atendimento ao mercado, a preocupação é zero até 2024. A preocupação constante dos empresários é com o abastecimento e o preço, dada a importância da energia para o sistema produtivo do País, e por ser um forte componente na formação dos preços.

Qualquer aumento acima do previsto pode se espalhar por toda a cadeia produtiva e tornar as empresas menos competitivas tanto no mercado interno quanto no externo, como também provocar arrepios na inflação.

Caso haja uma melhora significativa no cenário econômico, acompanhado de alta no preço da energia, as empresas certamente retornarão investimentos em usinas próprias. Os autoprodutores - que no passado preferiam as hidrelétricas - hoje investem em eólicas, pelo fato de o licenciamento ambiental ser mais simples, e começam a olhar com interesse o setor de gás - de olho no "choque da energia barata".

É importante ressaltar que o consumidor subsidia parte desse processo (encargos técnicos e encargos que bancam o subsídio), que neste ano somarão RS 22 bilhões. A questão energética não deixa de ser uma boa notícia para os investidores.