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NA CONTRAMÃO

Bolsonaro defende 'volta à normalidade'

Para ele, o vírus "brevemente passará" e a vida "tem que continuar"


    • São José do Rio Preto
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Em pronunciamento em rede nacional de televisão e rádio exibido na noite desta terça-feira, 24, o presidente Jair Bolsonaro defendeu a reabertura do comércio e da escolas e o fim do que chamou de "confinamento em massa". As medidas têm sido utilizadas no combate ao novo coronavírus, que já deixou 46 mortos no país. Este foi o terceiro pronunciamento sobre o tema em menos de 20 dias e novamente gerou protestos em forma de panelaços pelo País.

"Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa. O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima de 60 anos. Então, por que fechar escolas?", questionou. Para ele, o vírus "brevemente passará" e a vida "tem que continuar", apesar do que definiu como 'gripezinha' ou 'resfriadinho'. "O vírus chegou. Está sendo enfrentado por nós e brevemente passará. Nossa vida tem que continuar. Os empregos devem ser mantidos. O sustento das famílias deve ser preservado. Devemos, sim, voltar à normalidade."

Bolsonaro criticou a imprensa, responsabilizando-a por "espalhar a sensação de pavor" ao divulgar o número de vítimas na Itália, "país que "tem grande número de idosos e clima diferente do Brasil". Em seguida, parabenizou a mídia por, "de ontem para hoje", pedir calma à população, uma vez que "raros são os casos fatais de pessoas sãs com menos de 40 anos de idade".

Reação

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), reagiu ao pronunciamento de Bolsonaro e cobrou uma liderança "séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população". Ele definiu a posição do presidente da República como grave, de ataque às medidas de contenção à Covid-19. "Posição que está na contramão das ações adotadas em outros países e sugeridas pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS)".

Ligação para Xi

Também nesta terça, Bolsonaro e o presidente da China, Xi Jinping, conversaram por telefone. O contato ocorre seis dias após uma crise diplomática causada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), acusando a China de ter escondido informações sobre o início da pandemia. Segundo embaixador chinês Yan Wanming, "os dois presidentes afirmaram o compromisso conjunto de dar continuidade ao estreito diálogo a favor do desenvolvimento saudável, estável e constante da Parceria Estratégica Global numa base forte e mais durável".

Lei de Acesso

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou nota nesta terça, 24, criticando a medida provisória que prevê suspensão dos prazos da Lei de Acesso à Informação (LAI). Segundo a entidade, nas situações atuais, o governo deveria ser ainda mais transparente e ágil. "Em situações de calamidade, a informação pública deve ser ainda mais transparente, abrangente e ágil, e não menos, como define a MP", diz a ANJ.

A entidade diz lamentar a edição do ato na segunda, 23, pelo governo. Além da ANJ, nota coletiva da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e mais de 50 entidades criticam a medida. Segundo as organizações, as propostas de mudanças na LAI são "vagas, contraditórias e sem exposição de motivos". Outros pontos criticados são os que impedem a possibilidade de recorrer de pedidos suspensos sob justificativa de servidor em home office ou em atividade de combate ao vírus, e o que deixa o ônus ao cidadão de procurar o órgão novamente para ter a resposta atendida quando o período de estado de calamidade pública acabar.