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Páscoa diferentona

Empreendedores da região de Rio Preto inovam nas vendas de Páscoa

Profissionais usam e abusam da criatividade: tem ovo de coxinha, de empada, de nutella com bacon, de pipoca gourmet e no pote


    • São José do Rio Preto
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Quem trabalha com manipulação de chocolate vê na Páscoa o que a maior parte dos lojistas vê no Natal: a grande oportunidade de aumentar as vendas, o faturamento e o lucro. Sim, é fato que as vendas aumentam neste período do ano, mas num mercado tão concorrido como este, a melhor saída para se destacar em meio à multidão e aos produtos industrializados é apostar em inovação.

O interessante é que quem não trabalha especificamente com chocolate também está aproveitando a Páscoa para aumentar o fluxo de vendas especialmente pelo fato de inovar em sua produção. A criatividade do empreendedor de Rio Preto e região permite que ele transforme uma coxinha ou uma empada em artigo de Páscoa ao produzir no formato de ovo. As pipocas gourmet, que andam muito na moda, também pegam carona no período e são finalizadas em formato de ovo de Páscoa.

A consultora de negócios do Sebrae de Rio Preto Simone Ribeiro Haduo reforça que o empreendedor que atua na área de alimentação, em especial de chocolate, precisa saber o que é a tendência do mercado para poder atender o que o seu cliente quer ou pode vir a querer. "É preciso pensar em inovação para se tornar mais competitivo."

E se o brasileiro é conhecido por sua criatividade, porque não fazer dessa característica uma oportunidade de renda? Foi o que a salgadeira Isabel Cristina Martins Ortega, de Rio Preto, decidiu fazer. Ela, que produz salgadinhos para festas, decidiu aproveitar também a Páscoa para vender seus produtos. "No ano passado, vi algumas postagens em redes sociais sobre o ovo de Páscoa de coxinha. Pesquisei bastante e decidi fazer. Foi um sucesso".

A iguaria é mesmo de encher os olhos dos apaixonados pelo salgado, afinal, é como se fosse uma coxinha gigante, de meio quilo. O produto é feito com uma massa cozida, recheio de frango cremoso e requeijão. O custo é de R$ 55. A ideia deu tão certo que ela acabou fazendo o produto mesmo depois da Páscoa do ano passado e, para este ano, trouxe mais novidade ao cardápio: o ovo de empada. Ele leva recheio de frango ou palmito e requeijão, mas tem o formato do ovo fechado. O custo é de R$ 65.

O sucesso começou pelas redes sociais, quando fez a postagem contando sobre o novo produto. Choveram perguntas, o que apontava para uma ideia rentável. Segundo Isabel, é bom para o bolso e para o cliente, que também quer inovação. Para este ano, as expectativas são ainda melhores, já que o consumidor parece mais animado. "Abri minha agenda de encomendas mesmo do Carnaval e a procura já começou. Tenho entregas para abril".

Pipoca gourmet

A empreendedora Valéria Arruda Alves, também de Rio Preto, criou A Barata Doce - empresa de pipoca gourmet - em maio do ano passado. Mas e o que a pipoca tem a ver com a Páscoa? Tudo. "Adoro inventar coisas e queria criar algo especial para a Páscoa. No Natal fiz latas para presentear e agora queria algo diferente", conta ela.

A ideia veio de um sonho: fazer um ovo de Páscoa de pipoca doce. A pipoca utilizada não é comum - aquela que comemos no dia - ela é feita de um milho especial, importado, o mushroom (em formato redondo), que é caramelizado e depois leva a cobertura doce que pode variar de leite ninho a torta de limão, prestígio, paçoca, entre tantos outros. Depois de pronta, é moldada em formato do ovo.

O produto, que desde que foi apresentado nas redes sociais já passou a ser comentado e receber encomendas, vai pesar cerca de 650 gramas e custar R$ 70. Irá recheado com pipocas ao sabor escolhido pelo cliente. Outra novidade que acaba de ser lançada é o ovo de pipoca de colher. A casca é feita de pipoca gourmet e o recheio, de diferentes sabores. O preço é o mesmo do outro.

O que começou apenas como forma de agradar o filho, ao fazer a primeira pipoca, acabou se transformando no negócio da família. Em fevereiro, por exemplo, foram vendidos 1,1 mil pacotes de pipoca gourmet. Valéria apresenta o produto em feiras de artesanato, divulga nas redes sociais e programas de mensagem, assim como em empresas diversas. "Fiz um curso para aprender a técnica, mas acabei criando minha própria receita, que tem uma durabilidade maior", explica. Para a Páscoa, as expectativas são bastante positivas. "Estou sempre animada", brinca.

Divulgação

A empresária Jessyca Rima Basmaji, do Atelier du Fouet, atesta que a Páscoa é a data mais importante para o negócio. "Diferentemente do Natal, em que temos diversas opções de presentes, o chocolate é o grande protagonista desta sazonalidade", disse ela, que atua com confeitaria profissional desde 2014.

Esta será a primeira vez que a empresa - que já prepara sua expansão - terá uma Páscoa com loja física. "Nos anos anteriores eu dividia o tempo entre o emprego e a confeitaria em casa. Agora, me dedicando 100% ao meu negócio, acredito que as vendas aumentarão uns 30% comparadas a 2019", disse.

E, para seduzir a cliente, Jessyca montou um cardápio de ovos de Páscoa com 28 sabores, cujos preços variam entre R$ 65 e R$ 110. Tem ovos com casca trufada, de Colher e kit miniconfeiteiro (produto pensado nas crianças). Embora os destaques sejam os ovos de colher em sabores tradicionais, a confeiteira viu a necessidade de inovar para se destacar diante de tantas opções no mercado.

Nesta Páscoa, também entram em produção o ovo vegano, um sabor diferentão - o de nutella com bacon - e o chocolate com pimenta. "Essa combinação exótica entre sabores que parecem não se combinar é um diferencial delicioso para me destacar e conquistar os paladares mais exigentes, curiosos e ousados", afirma. (LM)

Divulgação

Neste ano, Laís Trindade de Souza, de Severínia, pretende dobrar as vendas em relação ao ano passado. É que seu negócio expandiu e hoje ela tem revendedoras dos doces da JL Bolos e Doces. O que mais costuma vender são ovos de colher e caixinhas de bombons trufados e personalizados.

Segundo Laís, todos gostam de novidade e, nesta Páscoa, o que vem para chamar a atenção é o ovo no pote, em que o pote é a própria casca do ovo em sabores como ninho com nutella, kinder bueno e ferrero rocher e ninho com óreo. Os valores variam de R$ 40 (250 gramas) a R$ 80 (500 gramas).

Laís afirma que a Páscoa é um investimento com retorno garantido, então o ideal é não perder tempo e fazer os itens mais vendidos. "Muitas pessoas confundem inovar com inventar, perdem tempo tentando criar algo único, que no fim acaba não dando muito certo", alerta.

O ideal é estar antenada às novidades que envolvem o mercado do chocolate. "Quando encontro algo que me chama atenção, eu simplesmente introduzo algo novo, sem ter medo de arriscar e encarar os desafios do mercado. Hoje, em um cenário de extrema competitividade deixar de inovar pode significar grandes prejuízos." (LM)

Custos e precificação

Some os custos com ingredientes, embalagens e outros - Considere as despesas para comprar o chocolate e os outros itens para produzir os ovos, bem como o valor das embalagens e utensílios (a forma, por exemplo). Ao valor total, adicione 10% para bancar as despesas "invisíveis e perdas", como água, luz e gás. Como exemplo: considere que com R$ 50 seja possível produzir dez ovos. Sendo assim, o valor dos custos diretos para produzir uma unidade de ovo fica em R$ 5.

Estipule o tempo de produção unitário - Imaginemos que o empreendedor gaste três horas para produzir dez ovos. O período estipulado inclui o tempo para fazer as compras, preparar as receitas e limpar a cozinha. Sendo assim, divida os 180 minutos (três horas) por dez ( unidades) para 18 minutos – esse é o tempo gasto para produzir uma unidade

Transforme o tempo gasto em dinheiro - Para fazer essa conta, o empreendedor deverá definir o tipo: ovo artesanal simples, recheado, trufados, etc), bem como o salário base de confeiteiro da região. Suponhamos que a remuneração seja de R$ 2,5 mil. Dividida o valor por 220 - que é o número de horas trabalhadas por um funcionário em uma confeitaria - para encontrar o valor da mão de obra por hora. O resultado da divisão é R$ 11,36. Agora o empreendedor já sabe quanto custa a sua hora trabalhada. A partir daí, faça uma regra de três para encontrar o valor que deve ser adicionado em cada unidade produzida. Para isso, basta dividir R$ 11,36 por 60 (minutos) e multiplicar por 18 (tempo gasto para produzir cada unidade). O resultado é R$ 3,40. Esse é o valor do tempo transformado em dinheiro para produzir uma unidade.

Preço de venda - O preço mínimo de venda de cada unidade é encontrado quando somamos os R$ 5 da primeira etapa com os R$ 3,40 citados acima. Ou seja, tomando por base os valores considerados nesta simulação, a produção de ovos caseiros só compensaria se cada unidade fosse vendida, pelo menos, por R$ 8,40. Ainda falta a definição da lucratividade desejada pelo empreendedor para ser somada aos R$ 8,40. Esse percentual deverá levar em consideração se o preço é competitivo, ou seja, analisar os preços de concorrentes caseiros, valor dos ovos industrializados semelhantes, qualidade dos produtos utilizados, por fim as condições financeiras e o perfil dos potenciais clientes.

Fonte – Simone Ribeiro Haduo, consultora de negócios do Sebrae

Há tempos quem produz ovos de Páscoa artesanais ou qualquer uma de suas variações de chocolate sabe que o consumidor anda cada vez mais exigente e em busca de novidades. Se as crianças são atraídas pelos brinquedos de personagens famosos que acompanham os ovos industrializados, os adultos querem novos sabores, diferentes texturas e, acima de tudo, qualidade do produto.

Em Rio Preto, entre os microempreendedores individuais (MEIs) há perto de 500 pessoas que vendem itens de chocolate e garantem uma renda extra na Páscoa.

Segundo a consultora de negócios do Sebrae de Rio Preto Simone Ribeiro Haduo, o primeiro passo é seguir as tendências. Atualmente, por exemplo, estão o ovo de Páscoa recheado de bolo - que pode ser uma opção para quem é confeiteiro - assim como os ovos com a casca recheada. "É preciso ser criativo para chamar a atenção do cliente", afirma.

Além disso, é possível agregar novos produtos no período, que vão além de sobremesa ou presentes. Por exemplo, se há habilidade culinária, o empreendedor pode começar a fazer pratos para o almoço em família - como é o caso da Isabel e seus ovos de coxinha e empada. "Ou ainda fazer parcerias com rotissarias, que têm muito movimento no período, para colocar seus ovos e itens de Páscoa", sugere.

A inovação deve passar por formatos, texturas e até mesmo produtos. Por que não fazer algum tipo de artigo de Páscoa voltado ao público que é dono de pets? Em vez de o chocolate ser em formato de coelho, pode ser em formato de gato, de cachorro.

Embalagem

Para não perder grana, é preciso ficar atento, especialmente quando se trata de decidir a embalagem do produto de Páscoa. Se for um presente, provavelmente será mais sofisticada, o que vai implicar custos, como é o caso do ovo de colher, por exemplo. "Minha dica é que o consumidor converse com o cliente para saber se é um presente ou consumo próprio. Se for o caso, pode ser uma embalagem mais simples, diminuindo os gastos".

A divulgação também merece atenção. Desde já devem começar as publicações nas redes sociais e o trabalho nos grupos de WhatsApp. "Nas redes sociais, o empreendedor pode começar a falar sobre a Páscoa, colocar receitas, filmar e fotografar seu processo produtivo. Tudo isso para chamar a atenção do consumidor, e não postar apenas produtos à venda", disse. (LM)