Coronavírus vira guerra Doria x Bolsonaro Diário da Região - Nacional

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26/03/2020 - 00h30min

AÇÕES EM SEGUNDO PLANO

Coronavírus vira guerra Doria x Bolsonaro

Discussão ocorreu durante reunião com governadores que deveria tratar da Covid

Divulgação/Marcos Corrêa/PR Presidente Bolsonaro observa João Doria falar durante videoconferência com governadores do Sudeste
Presidente Bolsonaro observa João Doria falar durante videoconferência com governadores do Sudeste

O presidente Jair Bolsonaro e governador de São Paulo, João Doria (PSDB) protagonizaram um embate tenso durante a reunião virtual entre os dois e os demais governadores da região Sudeste nesta quarta-feira, 25. Doria disse que o presidente deveria "dar exemplo ao País, e não dividir a nação em tempos de pandemia". O presidente retrucou: "Se você não atrapalhar, o Brasil vai decolar e conseguir sair da crise. Saia do palanque". Outros governadores, como Renato Casagrande (PSB), também cobraram liderança e responsabilidade do presidente neste momento.

O encontro foi o quarto da série de reuniões virtuais do presidente com governadores - ele já havia se reunido com os dos Norte, Nordeste, Sul e Centro-Oeste - e ocorreu após Bolsonaro subir o tom contra chefes de executivos estaduais em pronunciamento em rede nacional de TV e defender o fim do confinamento em massa, contrariando recomendação do próprio Ministério da Saúde.

De acordo com pessoas que participaram da reunião, Bolsonaro se exaltou, chegando a chamar o governador de leviano e demagogo. Bolsonaro também reclamou que Doria teria se apoderado do nome dele nas eleições de 2018 e depois "virou as costas" como fez todo mundo.

A fala de Doria durou cerca de seis minutos (veja o vídeo abaixo). "Sem diálogo não venceremos a pior crise de saúde pública da história de nosso País. Bolsonaro, inicio na condição de cidadão, de brasileiro, lamentando seu pronunciamento de ontem à noite à nação. Nós estamos aqui, os quatro governadores do Sudeste, em respeito ao Brasil e aos Brasileiros, e em respeito também ao diálogo e ao entendimento. O senhor, como presidente da República, tinha que dar o exemplo. Tem que ser um mandatário para comandar, para dirigir e para liderar o País e não para dividir", disse o governador.

Atuação conjunta

Doria destacou que, embora os quatro governadores da região Sudeste sejam de partidos diferentes, há uma atuação conjunta. "A nossa prioridade é salvar vidas, presidente. Estamos preocupados com as vidas de brasileiros em nossso estados. Preservando também empregos e o mínimo que a economia possa se manter ativa. Os estados estão conscientes disso e governadores também."

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, também cobrou liderança e responsabilidade do presidente. "Algumas medidas têm nos angustiado e entendemos que é preciso ter uma coordenação nacional. Estamos sentindo que em todos os momentos que fechamos uma posição, a gente recebe esse ambiente de confronto. Não é possível que em todos os assuntos do Brasil tenhamos enfrentamento. Precisamos de consenso. Não deixamos a economia de lado, mas não podemos menosprezar e desconsiderar as informações dos cientistas de todo o mundo", disse Casagrande.

Depois da reunião, Doria foi ao Twitter e disse foi alvo de um "ataque descontrolado" do presidente. Disse que o presidente agiu de forma "lamentável e preocupante" ao "preferir falar sobre política e eleições".

Defesa do isolamento

Mais tarde, em reunião virtual sem a participação do presidente, Jair Bolsonaro, e com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), governadores reiteram os procedimentos de isolamento adotados para conter a pandemia do novo coronavírus. A manutenção das medidas recomendadas por epidemiologistas foi uma das tônicas da videoconferência, e o governador do Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), foi o único que relativizou as medidas restritivas. Dos 27 Estados representados, apenas Roraima e Rondônia não se manifestaram. Outro ponto unânime foi o pedido para que Maia agilize a aprovação do Plano Mansueto - plano de equilíbrio fiscal enviado ao Congresso em junho de 2019 - para que ter condições fiscais de atender algumas cadeias produtivas.

A reunião foi mediada por João Doria, apesar do coordenador do Fórum de Governadores ser Ibaneis Rocha (DF).

Mandetta ignora OMS

O diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, mandou resposta direta a Bolsonaro, após o presidente brasileiro minimizar o coronavírus e suas consequências, classificando-o como "gripezinha" ou "resfriadinho". Para Tedros, "em muitos países, as UTIs estão lotadas e essa é uma doença muito séria".

O tom usado por Bolsonaro em sua mensagem ao país na terça, 24, deixou entidades internacionais preocupadas com o destino de milhares de pessoas. Em sua fala, ele questionou o distanciamento social, também o fechamento do comércio e de escolas e ainda defendeu que tudo volte à "normalidade", posição que contraria a orientação da OMS.

Mandetta

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, mudou de discurso e, alinhado com o presidente Bolsonaro, criticou as decisões dos Estados quanto à adoção de quarentena para evitar a propagação do novo coronavírus. "Temos que melhorar esse negócio de quarentena, não ficou bom", disse Mandetta, durante a divulgação do número de 59 mortos e 2.517 casos confirmados da covid-19 no País. "A quarentena é um remédio extremamente amargo e duro", acrescentou.

Mais cedo, Mandetta participou com Bolsonaro da reunião com governadores do Sudeste e pediu calma e equilíbrio a eles, mas na ocasião não chegou a endossar o discurso do presidente de abrandamento do isolamento domiciliar. (AE)

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