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MOSTRA

Acervo do Museu NaïF vai integrar exposição no Centro Cultural de Rio Preto

Centro Cultural recebe exposição 'Naïf, mas nem tanto' que reúne parte do acervo do Museu NaïF, de Rio Preto; mostra fica aberta até o dia 17 de abril


    • São José do Rio Preto
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A secretaria de Cultura de Rio Preto abriu ontem, dia 3, a exposição "Naïf, Mas Nem Tanto", que apresenta um recorte do acervo de obras pertencentes ao Museu de Arte Naïf, da cidade. A mostra permanece em exposição até o dia 17 de abril, no Centro Cultural Professor Daud Jorge Simão, na Biblioteca Municipal. A entrada é gratuita.

A exposição integra a programação em comemoração ao aniversário de Rio Preto, celebrado no dia 19 de março. A iniciativa tem a proposta de reunir coleções dos museus de Rio Preto em uma única instituição - o Museu Municipal. Segundo um dos organizadores da mostra, o diretor de teatro e de museus, Carlos Bacci, o nome da exposição é uma forma de mostrar que nem toda as obras eram 'inocentes'. "Naïf quer dizer ingênuo. Mas existem vários tipos de naïf e todos com muita qualidade", destaca.

Sob curadoria dos especialistas em arte Aracy Amaral, Paulo Portella e Ricardo Resende, a exposição foi dividida em três partes. A primeira possui dez telas que dialogam com a obra de Edgard di Oliveira "Ceia dos pintores primitivistas de Rio Preto", de 2007. O trabalho de Oliveira consistiu em representar a cena artista da cidade, ambientada na temática da 'Santa Ceia'. Nela estão representados os artistas Daniel Firmino, Olinda Silva, Deysy Araújo, Waldriz, José Antonio da Silva, Deraldo Clemente, Orlando Fuzinelli, Florêncio Duarte e o próprio autor, Edgard di Oliveira.

"Para completar esse primeiro recorte, os curadores escolheram uma tela de cada artista que está sendo representado na imagem", explicou Thais de Freitas, responsável pela Pinacoteca Municipal e pelo Museu Histórico e Pedagógico D. João VI.

O recorte "Da Coleção do Museu de Arte Naïf" é a segunda parte da exposição e é composta por 29 obras selecionadas por apresentarem linguagens singulares, expressões de sensibilidades e vivências e memórias pessoais. "Nessa parte da exposição, estão reunidos trabalhos de artistas, não só de Rio Preto, mas de outras regiões que tiveram projeção nacional, como Isabel de Jesus e Waldomiro de Deus, por exemplo. É uma pequena amostra de toda a coleção do museu", destaca Thais.

A terceira parte reúne 15 telas do artista Ezequiel Seixas Silva (1958 - 2011). Aos 47 anos de idade, Zico Seixas, como era conhecido, sofreu três derrames. As consequências foram muitas. Lado direito do corpo paralisado, perda da voz e da visão esquerda. Após a doença, Ezequiel desenvolveu um dom que a família desconhecia, o da pintura.

Com trabalhos que causavam grande impacto devido a sua singularidade, contundência temática e prictória, o artista chamou atenção de grandes estudiosos, como a pesquisadora, crítica, curadora, jornalista e professora, Aracy Amaral. "Distante dessas temáticas usuais, este criador de carreira bastante breve nos projeta um universo mental e doloroso, que comunica através da pintura. Introvertido, indiferente ao meio próspero que o rodeava, trouxe à tona possivelmente seu sofrimento individual como ser humano", diz Aracy no texto criado em 2019, após realizar um estudo de caso sobre as obras de Seixas.

Museu Municipal

O Museu Municipal ainda não possui previsão para ser inaugurado. De acordo com Bacci, esse novo espaço deverá reunir os acervos do Museu Histórico e Pedagógico D. João VI, Sala Claudio Malagoli, Pinacoteca e Museu Naïf. "Decidimos deixar todo aquele complexo para o [Museu] Silva, que receberá uma reforma e será ampliado, e trazer todo o acervo do [Museu] Naïf para esse novo espaço. Essa também é uma forma de divulgar melhor o acervo que temos na cidade e também valorizar outros artistas rio-pretenses. Essa é uma mostra muito bacana, justamente para mostrar essa arte tão rica que nós temos", explicou Bacci. 

Serviço

  • Exposição "Naïf, Mas Nem Tanto", no Centro Cultural Professor Daud Jorge Simão. Horário, de segunda a sexta, das 8h às 18h, e aos sábados das 8h às 14h. Entrada é gratuita