Busca por remédio prejudica pacientes em Rio Preto Diário da Região - Saúde

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    • São José do Rio Preto
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24/03/2020 - 00h30min

Corrida desnecessária

Busca por remédio prejudica pacientes em Rio Preto

Anvisa aumentou os critérios para o fornecimento do medicamento

Reprodução/Instagram Vanessa postou nas redes sociais procura por medicamento em falta
Vanessa postou nas redes sociais procura por medicamento em falta

Mesmo sem estudos conclusivos sobre o uso de medicamentos à base de hidroxicloroquina para o tratamento do SARS-CoV-2, o coronavírus, rio-pretenses iniciaram uma corrida pelos remédios do tipo em farmácias. Situação que tem prejudicado os usuários que necessitam deles para tratamentos de artrite, lúpus, doenças fotossensíveis e malária.

"Faço uso dessa medicação há dez anos, não precisava de receita médica para pegar, então nunca me preocupei em fazer estoque. Compro uma caixinha por mês, mas, com esse alvoroço de tratar o coronavírus, fui atrás dele porque não tenho para abril. Comecei a procurar e não encontrei mais nas farmácias", disse Vanessa Pitarello Bellei.

A veterinária de 32 anos tem lúpus eritematoso sistêmico (LES), doença autoimune. Cada caixinha do remédio custa R$ 80. "Preciso dessa medicação diariamente e acabei postando na internet se as pessoas podiam me ajudar a ligar nas farmácias. Muitos amigos se mobilizaram e encontraram em outras cidades. Algumas farmácias de manipulação têm o composto. Todo mês vou precisar de uma receita nova para conseguir o medicamento", disse Vanessa.

Pela nova determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da última sexta-feira, 20, os medicamentos só poderão ser entregues com receita especial, em duas vias. Com isso, a venda irregular pelas farmácias é considerada infração grave - antes, era exigida somente a receita médica comum, sem retenção. A medida é para evitar o uso desnecessário do medicamento. Somado a isso, a Anvisa regulou a quantidade comprada do medicamento: cinco unidades (no caso de ampolas) ou quantia para no máximo 60 dias de tratamento (em caso de comprimido).

Uma outra mulher de 46 anos, também com lúpus, mas que não quis se identificar, não encontra o medicamento nas farmácias. "Antes não precisava de receita e agora a farmácia solicitou receita controlada, é um cuidado maior. Voltei a usá-lo depois de uma crise que tive e agora não tem mais livre venda na farmácia", declarou a mulher.

Farmácias ouvidas pelo Diário nesta segunda-feira, 23, relataram a alta procura na semana passada e falta do produto. "Teve procura na quinta e na sexta da população em geral, a gente não sabe se era quem precisava ou não. Mas não tínhamos por conta da falta deles no estoque mesmo, porque não tem muita procura", disse uma atendente.

Ainda na sexta, a Anvisa havia emitido nota dizendo que "apesar de alguns resultados promissores, não há nenhuma conclusão sobre o benefício do medicamento no tratamento do novo coronavírus".

A hidroxicloroquina tem sido testada para o tratamento do coronavírus na França, na China e nos Estados Unidos, mas ainda não teve eficiência comprovada pelos cientistas. Os remédios Plaquinol e Reuquinol possuem o sulfato de hidroxicloroquina como princípio ativo em sua estrutura.

Benedito Antônio Lopes da Fonseca, professor de Moléstias Infecciosas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, explica que há evidências de que a hidroxicloroquina funcione contra o coronavírus, principalmente para prevenção à doença. "Mas não dá para dizer que pode ser receitada para todo mundo. Tem uma experiência grande com o uso dela para malária", afirma.

Samuel Noah Scamardi, infectologista da Santa Casa de Rio Preto, é categórico ao afirmar que as pessoas não devem usar a hidroxicloroquina ou cloroquina sem indicação. Os estudos feitos em combinação com outras substâncias, que mostraram que eram eficazes, foram pequenos e precisam ser provados ainda. "Não tem estudo robusto, foram muito poucos pacientes. Outros resultados estão sendo procurados", pontua.

Os pacientes que fazem uso contínuo da cloroquina, segundo ele, principalmente com doenças reumáticas, como artrite reumatoide e lúpus, por exemplo, precisam ser constantemente acompanhados, pois sofrem com efeitos colaterais. "De jeito nenhum as pessoas devem tomar por conta própria. A indicação dos órgãos e conselhos é liberação para estudos e casos graves. Não tem nada para profilaxia, para se proteger sem sintomas, e nem indicação nenhuma para quadro leve."

(Colaborou Millena Grigoleti)

 

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