O avanço do coronavírus em Rio Preto Diário da Região - Saúde

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    • São José do Rio Preto
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17/03/2020 - 21h50min

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O avanço do coronavírus em Rio Preto

Exames apontam duas confirmações oficiais da doença em Rio Preto. Outros 30 pacientes aguardam exames. Na região, são mais 51 casos suspeitos

Divulgação/Ivan Feitosa/Prefeitura Andreia Negri, gerente da Vigilância Epidemiológica, durante coletiva de imprensa
Andreia Negri, gerente da Vigilância Epidemiológica, durante coletiva de imprensa

A contraprova do Instituto Adolfo Lutz confirmou nesta terça-feira, 17, o coronavírus Covid-19 em uma mulher de 28 anos em Rio Preto. O exame dela realizado no Hospital de Base de Rio Preto já havia dado positivo. Assim, o HB terá autonomia para emitir laudos sem necessidade da contraprova - para isso, basta que o Ministério da Saúde emita um documento dando essa autorização, depois que a Secretaria de Saúde enviar as declarações ao governo federal, o que deve acontecer ainda nesta semana.

Rio Preto tem agora um caso confirmado oficialmente e 30 suspeitos. Além disso, há um outro caso com resultado positivo pelo HB, divulgado nesta terça-feira pela Secretaria de Saúde - caso o hospital receba a autonomia, nem será preciso ser feita a contraprova do Lutz. O caso é de um homem de 44 anos que viajou para São Paulo, onde há transmissão sustentada da doença, no dia 8 de março; no dia 13, foi para Santa Catarina e depois retornou a Rio Preto já com os sintomas do Covid-19. O paciente procurou atendimento logo em seguida, apresentando febre e dores de cabeça, no corpo, nas articulações e na garganta, e se isolou voluntariamente. Os familiares dele também estão em isolamento domiciliar. "Ele não chegou a trabalhar", diz Andreia Negri Reis, gerente do Departamento de Vigilância Epidemiológica.

Rio Preto ainda não tem transmissão sustentada de coronavírus, pois os dois pacientes têm histórico de viagens a locais com circulação do micro-organismo. A mulher foi para Alemanha, França e Bélgica e retornou ao Brasil dia 10 de março, um dia depois de apresentar sintomas. Ela chegou a trabalhar por alguns dias e nesta segunda-feira, 16, primeiro dia útil após a confirmação de que ela estava doente, a Saúde recomendou que o prédio da empresa onde ela trabalha, a Rodobens, fechasse as portas para proteger os funcionários, o que foi atendido. Eles foram encaminhados para home office.

Em nota, a Rodobens informou que não há nenhum outro caso confirmado ou suspeito na instituição e ressaltou seu compromisso com a saúde, segurança e bem-estar de seus integrantes.

Todos os 30 casos ainda em investigação estão sendo monitorados. Os pacientes estão em isolamento domiciliar e as amostras de fluidos respiratórios foram encaminhadas para o Instituto Adolfo Lutz, que aumentou de três para sete dias o limite para divulgação de resultados. O prazo deve ser estendido ainda mais. "É um laboratório de excelência e referência, porém o volume está extrapolado, é esperado que aconteça", diz Andreia. Se houver necessidade, a Saúde vai adquirir testes do Hospital de Base, para agilizar a confirmação do diagnóstico.

Insumos

A Secretaria de Saúde está encontrando dificuldades para adquirir máscaras. Depois de várias tentativas, com recusa documentada, encontrou um fornecedor e emitiu um despacho para dispensar licitação para compra com base no artigo que abre essa brecha quando houver situação que pode ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas. "Está uma falta de cidadania. Não adianta usar oferta e procura nesse horário. Isso não se aplica num país civilizado. Tem, mas estamos morrendo de medo de acabar", afirma o secretário de Saúde, Aldenis Borim.

Leitos

Em coletiva de imprensa nesta terça, a Saúde anunciou que, se necessário, acionará os hospitais particulares para ter acesso a leitos de UTI. A Saúde ainda está estudando a suspensão das cirurgias eletivas - não urgentes.

De acordo com Benedito Antônio Fonseca, professor de Moléstias Infecciosas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, 20% dos pacientes contaminados com coronavírus desenvolverão a forma grave da doença. Do total de pacientes, 5% poderão precisar de uma UTI.

Segundo a Saúde de Rio Preto, essa pessoa pode ocupar um leito - em Rio Preto existem cerca de 200 do tipo - por cerca de três semanas, um tempo considerado longo. A pasta não faz projeção do número de casos que serão confirmados, mas admite que eles podem aumentar. "Não tem previsão de normalizar a situação, não existe previsão no Brasil da intensidade da crise e nem da duração", pondera Borim.

Todos os hospitais formaram uma comissão para discutir o enfrentamento ao Covid-19, estabelecer estratégias em comum, inclusive com relação a horários de visita, e passar informações de maneira homogênea.

Coronavírus

Quais os sintomas?

Os sintomas são dor de garganta, febre, dor no corpo, dor de cabeça, espirro, tosse, coriza

Como é transmitido?

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como: gotículas de saliva; espirro; tosse; catarro; contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão; contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos

Quais os sinais de alarme da doença?

O principal sinal de alarme para as doenças respiratórias é a dificuldade em respirar, com puxadas de fôlego curtas e próximas

Qual é o período de incubação (que a pessoa fica infectada, mas sem sintomas)?

Normalmente esse período vai de três a 17 dias, mas há relatos de que possa durar mais

Quanto tempo a doença dura?

O comum é que de dez a 15 dias. O vírus é transmitido mesmo quando a doença estiver assintomática até depois que os sinais aparecerem

Como o vírus age no organismo?

Ele lesiona os epitélios do trato pulmonar, dificultando as trocas gasosas. Nos casos mais graves, há pneumonia

Rio Preto

Confirmado

  • Mulher de 28 anos que passou por Bélgica, França e Alemanha e voltou ao Brasil no dia 10

Confirmado à espera de contraprova

  • Homem de 44 anos que viajou para São Paulo e apresentou sintomas respiratórios, como febre, dores no corpo, cabeça, garganta e articulações. Exame no HB confirmou a doença e Saúde espera por contraprova do HB

Em investigação

  • 30 pacientes estão em isolamento domiciliar à espera dos resultados dos exames

Investigação na região

Votuporanga: 14 casos

Fernandópolis: 5 casos

Jales e Olímpia: 4 casos

Pereira Barreto e Santa Fé do Sul: 3 casos

Barretos, Catanduva, Ilha Solteira, Mirassol e Valentim Gentil: 2 casos

Bady Bassitt, Estrela d’Oeste, Itajobi, Monte Aprazível, Nhandeara, Palmeira d’Oeste, Tanabi e Uchoa: 1 caso

Paulistano de 62 anos é o primeiro a morrer no País

A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo confirmou a primeira morte pelo Covid-19 no Brasil nesta terça-feira, 17. A vítima é um homem de 62 anos, que tinha como comorbidades diabetes e hipertensão. No mesmo hospital em que ele estava, outras quatro mortes que podem ter sido causadas pelo vírus foram reportadas - ainda esperam pela confirmação.

O homem estava internado em um hospital privado, onde também realizou o exame. Ele foi infectado no Brasil, apresentou sintomas no dia 10 de março, internou-se em UTI no dia 14, e faleceu na segunda-feira, 16.

A Prefeitura de Miguel Pereira, município do interior do Rio de Janeiro, divulgou nota nesta terça-feira, 17, em que anunciou a morte de uma mulher de 63 anos com sintomas do coronavírus. O teste da mulher quanto ao vírus, no entanto, só ficará pronto em 24 horas.

No Brasil, até a tarde desta terça, são confirmados pelo Ministério da Saúde 290 doentes e 8.819 suspeitos. Em todo o mundo, já são 184.976 casos e 7.529 mortes.

Benedito Antônio Fonseca, professor de Moléstias Infecciosas da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (USP) de Ribeirão Preto, explica que os idosos naturalmente fazem parte do grupo com imunidade baixa. "Assim como nós, a imunidade também envelhece e tem maior dificuldade de combater infecções", afirma.

As pessoas de mais idade não são as únicas a correrem riscos: quem toma medicamentos imunossupressores, tem diabetes, hipertensão ou outras doenças vasculares ou passou por um transplante, por exemplo, também pode ser atingido de forma mais violenta pelo vírus.

Assim, a recomendação da Secretaria de Saúde é para que esses indivíduos não sejam visitados por familiares e amigos que estejam com sintomas de doenças respiratórias.

Atitudes simples podem ser adotadas por qualquer um para incrementar a imunidade e tanto evitar a contaminação quanto para minimizar seus efeitos, se ocorrer, conforme enumera o infectologista Fonseca: alimentação balanceada, rica em proteínas e vitaminas; boas noites de sono e exercícios físicos. (MG)

 

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