Rio Preto chega a 9 casos de Covid-19 Diário da Região - Rio Preto

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26/03/2020 - 00h30min

CORONAVÍRUS

Rio Preto chega a 9 casos de Covid-19

Com 9 confirmações da Covid-19 e 48 pessoas internadas com doenças respiratórias - 15 delas na UTI -, Rio Preto suspende cirurgias não urgentes. O objetivo é reservar os leitos para o caso de o vírus avançar

Guilherme Baffi 25/3/2020 Aline procurou a UBS do Vetorazzo, uma das unidades específicas
Aline procurou a UBS do Vetorazzo, uma das unidades específicas

Há 48 moradores em Rio Preto internados com doença respiratória - desses, três estão com coronavírus confirmado - três idosos, dois homens de 60 de 73 anos e uma mulher de 79 anos. Dentre os pacientes hospitalizados, 15 estão na UTI - uma ocupação de 7,5% dos 200 leitos do tipo disponíveis em Rio Preto. A mulher foi o caso mais recente de Covid-19 confirmado em Rio Preto, na noite desta quarta-feira, 25.

Ela apresentou os primeiros sintomas em 23 de março e seu estado é estável. A Saúde não informa qual é a forma de infecção dos últimos cinco casos confirmados. Segundo a pasta, a investigação está sendo feita, mas não há indícios de que sejam autóctones, ou seja, contraídos no próprio município. Há 182 casos em investigação, mais do que o triplo da última semana. Para cada um desses pacientes, pelo menos outros dez indivíduos estão sendo monitorados. Vinte e oito casos foram descartados. Dentre os nove confirmados, seis estão em isolamento domiciliar.

Pensando em poupar os leitos para pacientes que necessitam de cuidado de alta complexidade, a Secretaria de Saúde determinou que os hospitais públicos - Santa Casa e Hospital de Base - cancelem todas as cirurgias eletivas, ou seja, aquelas que não são de urgência, que for possível. A recomendação também se estende aos hospitais particulares, que poderão ser acionados para atender SUS caso haja necessidade.

"Estamos vendo esses casos crescendo na cidade, decidimos que chegou o momento. O médico assistente vai avaliar a necessidade de fazer a cirurgia", afirma Aldenis Borim, secretário de Saúde. As consultas eletivas também estão suspensas.

Há cinco bebês de até 6 meses internados; quatro crianças de 6 meses a 4 anos e 15 crianças de 5 a 19 anos. Estão hospitalizados sete adultos de 20 a 59 anos e 17 idosos, considerados os maiores grupos de risco.

Segundo Valdir Furlan, administrador da Santa Casa, deverão ser mantidos os atendimentos eletivos apenas de quem tem doenças sérias, como cardiopatias que precisam ser acompanhadas e tumores. Exames que não forem urgentes também serão suspensos.

Segundo Andreia Negri Reis, gerente do Departamento de Vigilância Epidemiológica, nem todos os pacientes da UTI estão em estado grave - em alguns casos, eles estão comunicativos, e a manutenção nos cuidados intensivos é uma precaução. Dentre os 48 internados, 26 são mulheres e 22 são homens. A Saúde não informa quantos deles possuem comorbidades, consideradas também um fator de risco.

Nesta terça-feira, 24, uma idosa de 86 anos, moradora de Rio Preto, morreu na Santa Casa com pneumonia. De acordo com Furlan, ela tinha comorbidades. Os testes foram enviados ao Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. "A probabilidade de ser negativo para corona é alta, pode ser uma pneumonia típica da idade. Mandamos em saco fechado. É segurança, para proteção dos nossos funcionários e da funerária a gente faz os procedimentos como se fosse (Covid-19)", afirma ele.

Hospital de campanha

Técnicos da Saúde de Rio Preto estão visitando alguns lugares para a implantação de um possível hospital de campanha. A reportagem apurou que eles foram a locais como a antiga escola Ateneu, o Parque Joalheiro e o Teixeirão, campo do América. Nenhum deles teria sido aprovado a princípio, por razões como estrutura antiga, acesso dificultoso e necessidade de muita adaptação. Um prédio na Vila Maceno também estaria sendo cogitado.

Borim descartou a necessidade de implantação de um hospital de campanha neste momento. "Nós poderíamos em um futuro não tão próximo precisar de leitos. Hoje temos leitos suficientes. Cada coisa tem sua hora exata, a mesma coisa com hospital de campanha. A hora que sentirmos que é a hora, que os leitos estiverem atingindo a capacidade, vamos lançar mão."

Atendimentos

Em dois dias, o 0800 Coronavírus fez 700 atendimentos e 30% deles foram encaminhados a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou de Pronto Atendimento (UPA) - 70% foram resolvidos com a ligação. No máximo até quinta-feira, o número de atendentes dobrará de seis para 12.

Na UBS do Vetorazzo, específica para doenças respiratórias, estava nesta quarta-feira, 25, a manicure Aline Teixeira, de 34 anos. "Estava com dor de cabeça e no corpo, ardência nos olhos e tosse seca, tive febre", conta. Ela já teve dengue e estava apreensiva de que tivesse contraído a doença de novo, mas ficou mais tranquila quando ficou sabendo que era sinusite. "Foram bem atenciosos, deram remédio e já peguei, falaram que se não melhorar em três dias é para voltar. Me deram máscara e álcool em gel. Não quis ir na UPA porque se não tenho nada eu pego, e se tenho eu passo", afirma.

Parceria

Foi anunciada nesta quarta-feira, uma parceria entre o Hospital de Base, a Famerp e a Unesp com o objetivo de aumentar a capacidade de testes de Covid-19 feitos pelo HB. "É um entendimento das universidades que é crucial participar da resposta a uma situação de emergência. Tanto a Unesp quanto a Famerp têm recursos humanos altamente qualificados que podem ajudar nisso", afirma Maurício Lacerda Nogueira, professor do Laboratório de Virologia da Famerp.

Três alunos de doutorado, com experiência em virologia e biologia molecular, atuarão em um laboratório da Famerp que será disponibilizado. "O hospital tem uma capacidade para rotina, estamos vivendo uma situação de emergência em que equipamentos e alunos serão utilizados. Conforme as necessidades forem aumentando, vamos acrescentar mais pessoas e mais laboratórios", garante o pesquisador.

Atualmente, os testes estão sendo enviados para o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, que está demorando mais do que o esperado para divulgar os resultados. Os casos mais urgentes, de pacientes graves ou profissionais de saúde que precisam ser liberados para o trabalho se estiverem sem o vírus, pois fazem falta da linha de frente de combate à Covid-19, vão para o HB.

Região

Em 29 cidades da região, há 228 casos em investigação. Mirassol confirmou o seu primeiro caso. O paciente é um homem de 49 anos que retornou de São Paulo e apresentou os sintomas. Ele procurou atendimento médico na rede particular e fez o exame com resultado positivo no HB. Há oito casos ainda em investigação.

Fernandópolis também confirmou seu primeiro caso nesta quarta-feira, dia 25. O paciente tem 55 anos e passou por São Paulo. O exame com resultado positivo foi feito na rede particular. Há 13 casos ainda em investigação.

A Prefeitura de Jales está investigando o óbito de um idoso de 61 anos que faleceu no Hospital do Amor. Ele tinha câncer e deu entrada na instituição no dia 17 de março. Apresentou insuficiência respiratória e infecção e acabou falecendo na segunda-feira, dia 23. Amostras de material foram enviadas ao Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, que vai determinar a causa exata do óbito. Segundo nota emitida pelo Hospital do Amor, o caso do paciente foi analisado pela Comissão de Óbito, que descarta a possibilidade de infecção por coronavírus.

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Cinquenta e sete mortes

O Ministério da Saúde divulgou nesta quarta-feira, 25, que o País já tem 57 mortes causadas pelo novo coronavírus. De acordo com a pasta, são 2.433 casos confirmados da doença. Até terça, a pasta contava 46 mortos e 2.201 casos confirmados, o que mostra um aumento de 24% de mortes e de 10% de casos de um dia para o outro. As regiões norte, Nordeste e Sul registraram os primeiros óbitos pela doença.

O ministro da Saúde, Henrique Mandetta, anunciou que a pasta irá se reunir para fazer o balanço do primeiro mês da doença no País.

Em todo o mundo, o vírus causou 20.852 mortes e gerou 461.923 casos. Apenas na Itália, são 7.503 óbitos e 74.386 ocorrências. A China, com 81.218 doentes, foi ultrapassada pela Espanha em número de mortes - 3.281 na primeira contra 3.445 na segunda.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou enxergar sinais positivos em relação à contenção do coronavírus na Itália. "Está fazendo tudo o que pode", destacou. "Pedimos a todos os países que introduziram medidas de quarentena para aproveitar o período para atacar o vírus".

(com Agência Estado)

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