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PORTAS FECHADAS

Calçadão de Rio Preto mudou completamente de cenário

No primeiro dia de portas fechadas do comércio por determinação de decreto municipal, o Calçadão de Rio Preto mudou completamente de cenário. Ruas ficaram vazias e pouca gente se atreveu a ir ao Centro


    • São José do Rio Preto
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Esqueça locutores chamando clientes para as compras, o vai e vem de pessoas e até as tradicionais vendedoras ambulantes oferecendo chips de operadoras de telefonia. O que se viu nesta segunda-feira, 23, no Calçadão de Rio Preto foi um cenário atípico. Portas fechadas e ruas vazias no primeiro dia de validade do decreto do prefeito, Edinho Araújo, obrigando o fechamento de todos os serviços considerados não essenciais da cidade - tanto nas ruas quanto nos shopping centers.

"Primeira vez que eu vejo uma situação como essa no Centro de Rio Preto. Fico pensando como vai ser para as pessoas pagarem as dívidas". A afirmação de Geraldo Lopes da Silva, de 74 anos, se repete na mente de muitas pessoas diante do cenário de incertezas causado pelo avanço dos casos de Covid-19 no Brasil.

Embora esteja no grupo de risco, seu Geraldo não deu ouvidos às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e passeava pelo Calçadão na segunda-feira, 23. Tinha um bom motivo, segundo ele: "eu fico mais doente ao ficar em casa". Ele afirma que é a primeira em mais de sete décadas que vê uma doença parar a cidade.

Quem desrespeitar o decreto e abrir as portas - com exceção de supermercados, farmácias, lotéricas, postos de gasolina e revendas de gás - está sujeito a multa de R$ 6 mil. Comércios que servem refeições também podem funcionar, porém os clientes não podem consumir no local. Lojas de todos os shopping centers também estão fechadas - com exceção de supermercados, lotéricas e farmácias.

Os poucos rio-pretenses que andavam pelo Calçadão formavam filas nas agências bancárias ou lotéricas abertas. Eram os únicos serviços abertos junto com as farmácias. Na maior parte das filas, as pessoas respeitavam a distância segura para evitar o contágio da doença - cerca de um metro e meio. Mas em alguns casos não houve o respeito à distância. O número de pessoas com máscaras nas ruas também aumentou.

Terezinha Ferreira da Cruz, de 73 anos, foi outra idosa que teve que se arriscar para ir à lotérica. O motivo, segundo a aposentada, era que a sobrinha que fazia o serviço para ela de pagar as contas estava com gripe, o que a impedia de sair. "Em casa estou fazendo a prevenção, mas tive que sair hoje para pagar as contas", afirmou.

A aposentada Vera Caputo, 64 anos, também estava na fila de uma agência bancária. "Eu vim no banco e no médico por necessidade. Como tomo remédio controlado, precisei vir. Confesso que estou com medo", falou a aposentada, que mora sozinha.

Quem sentiu o reflexo do comércio fechado e das poucas pessoas nas ruas foi o taxista David Santos Souza, de 43 anos. Sentado no banco dianteiro do carro à espera dos passageiros cada vez mais raros, ele afirma ter lucrado apenas R$ 200 em uma semana. "Eu fazia esse valor por dia, desde segunda-feira passada só cai. Estou preocupado. Estou praticamente me mantendo por conta da minha esposa que trabalha em uma empresa privada da cidade".

Fechados

Desde esta segunda-feira, 23, também estão fechados o Shopping HB (na região do Hospital de Base), o Shopping Azul (na Rodoviária) e os quiosques da Represa Municipal. A medida determinada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Negócios de Turismo é válida até o dia 15 de abril, mas o período pode ser ampliado.

Outro ponto tradicional de Rio Preto que vai fechar as portas é o Mercado Municipal. Após reunião entre Secretaria de Agricultura e Abastecimento e permissionários, ficou definido o fechamento até o dia 6 de abril.

 

Cinco estabelecimentos foram multados com aglomeração em Rio Preto desde a última sexta-feira, 20, desrespeitando o decreto municipal que proíbe aglomerações de mais de cem pessoas. A multa é de R$ 6 mil e, no caso de reincidência, o alvará pode ser até cassado.

Um dos casos foi um culto evangélico que foi paralisado na sexta-feira à noite. A pastora foi levada para a delegacia de Polícia Civil de Rio Preto para prestar esclarecimentos.

Um restaurante e três supermercados com aglomeração também foram multados e notificados pela Prefeitura de Rio Preto para se adequar ao novo decreto que visa conter o avanço do coronavírus.

Na segunda-feira, 23, com um novo decreto valendo em relação ao comércio fechado, um lojista do Calçadão, que acreditava que poderia funcionar por vender alimentos, teve que fechar as portas no período da tarde depois de ser informado da proibição.

Nesta terça-feira, 24, começa a valer a medida em âmbito estadual. Assim, todo o comércio e serviços não essenciais à população não podem abrir no Estado. Podem funcionar farmácias, hospitais, clínicas odontológicas, supermercados, hipermercados, padarias, transportadoras, postos de gasolina, transporte público, táxis, aplicativos de transporte, oficinas, pet shop e bancas de jornais. Os sistemas de segurança pública e privada continuam funcionando. (RC)

Guilherme Baffi 23/3/2020

O primeiro dia de redução de transporte público em Rio Preto foi de adaptação. Com horários diferentes do tradicional, muita gente teve que sair de casa mais cedo. Evitar aglomerações não foi possível no horário de pico de algumas linhas.

O ato de entrar no ônibus já foi de pessoas aglomeradas e até em pé, o que não é recomendado. Apesar disso, durante o dia, a frequência de público diminuiu no Terminal Rodoviário de Rio Preto. "A gente tem que trabalhar. Na minha linha pela manhã, por exemplo, tinha dez pessoas. Pouca gente para uma segunda-feira", contou Fátima Aparecida dos Santos, auxiliar de limpeza de uma agência bancária.

Guichês de empresas de ônibus estavam fechados; as poucas que operavam atendiam um número mínimo de pessoas. Até os tradicionais bancos da rodoviária foram retirados. A medida visou evitar pessoas aglomeradas dentro da rodoviária, evitando que elas ficassem no local.

Apesar disso, o aposentado Natalício Rodrigues da Silva, de 80 anos, resolveu se arriscar. "Eu vim almoçar no Centro", disse o morador da Estância Suíça.

O Consórcio RioPretrans, responsável pelo transporte público de Rio Preto, está trabalhando com metade dos horários desde esta segunda-feira, 23. Segundo informações da Circular Santa Luzia, a medida foi tomada diante da demanda da quarta-feira, 18. O cancelamento das aulas e os trabalhos home office, de acordo com a empresa, foram determinantes para a redução.

No fim de semana, os horários continuam como os previstos, mas com cortes de frota. Os cancelamentos não têm prazo para serem revistos, vão depender das medidas de prevenção tomadas no município para que as pessoas fiquem em casa no intuito de barrar a transmissão da Covid-19 pelo coronavírus. (RC)

A diretoria geral da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp) decidiu suspender completamente as atividades educacionais da instituição. Foi divulgado na tarde desta segunda-feira, 23, que estão suspensas as atividades do internato para os alunos do 5º e 6º anos do curso de Medicina e para os alunos do 4º ano do curso de Enfermagem. A medida é válida até dia 7 de abril e atende o Decreto Estadual 64.881, de 22 de março. Trata-se de mais uma medida de prevenção à disseminação do coronavírus na cidade.

Desde o último dia 18, todos os funcionários docentes, técnicos e administrativos com mais de 60 anos de idade da Famerp foram dispensados de suas atividades devido às orientações do governo federal e estadual. As aulas dos três primeiros anos de Enfermagem e dos quatro primeiros anos de Medicina e Psicologia também estavam suspensas.

No domingo, 22, em reunião por videoconferência com prefeitos, o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta cogitou antecipar a formatura de alunos de Medicina com um ou dois meses para conclusão para ajudar nos atendimentos. A medida ainda está sendo estudada. (RC)

Guilherme Baffi 23/3/2020

A Secretaria Municipal de Agricultura de Rio Preto começou nesta segunda-feira, 23, o cadastramento das famílias de alunos das escolas do município que receberão os kits alimentação. Embora todas as crianças tenham direito às cestas secas e perecíveis, neste primeiro momento a prioridade é cadastrar famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).

O cadastro está sendo realizado em 145 escolas e creches. O balanço oficial do primeiro dia de cadastro será divulgado nesta terça-feira, 24. Mas, segundo o secretário Pedro Pezzuto Júnior, a procura ficou em torno de 15% em relação ao total de famílias que poderão receber os kits. "A procura maior foi em escolas da região norte da cidade. Houve escolas com 50 cadastros e outras com até 200 famílias inscritas".

A diretora da escola municipal Ana Mendes, no bairro Gonzaga de Campos, Maristela Martins Roque, afirmou que o primeiro dia foi movimentado. "A procura pelo cadastro foi mais intensa no período da manhã".

Como parte das medidas do Comitê Gestor de Enfrentamento ao coronavírus (SARS-CoV-2), o cadastro das primeiras famílias que receberão os kits na segunda-feira, 30 de março, continua até a próxima sexta-feira, 27, das 8h às 16h30, nas escolas onde as crianças estão matriculadas. "Esperamos bom senso de todos e tranquilidade para começarmos a distribuição para os que mais precisam", afirmou Pezzuto.

O cadastro das famílias de alunos continua ao longo das próximas semanas. Dessa forma, a orientação do secretário é para que os pais que tiverem alimentos em casa aguardem os próximos dias para fazer os pedidos. "Na segunda-feira vamos priorizar a entrega dos kits às famílias que estiverem no CadÚnico. Depois vamos entregar para o restante", garantiu. "Não precisa estocar, o abastecimento vai continuar".

Os kits compostos por alimentos secos, como feijão, arroz e macarrão, e alimentos perecíveis, como leite, ovos, legumes e frutas, serão montados a partir de alimentos que seriam destinados para a merenda escolar dos alunos.

Os kits serão fornecidos na proporção e necessidade nutricional de cada aluno. As cestas secas serão entregues para 30 dias. Já os alimentos perecíveis serão fornecidos todas as quintas-feiras. As entregas serão feitas por 120 merendeiras de plantão nas escolas.

(Francela Pinheiro)