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LUTO

Médico Domingo Braile morre aos 81 anos, em Rio Preto

Não haverá velório e a família solicita que cada um dos amigos eleve suas orações em suas próprias casas


    • São José do Rio Preto
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Um dos mais importantes cardiologistas do Brasil, o médico cirurgião Domingo Braile, faleceu neste domingo,22,em Rio Preto. Ele tinha 81 anos e estava em casa, onde tratava um quadro de pneumonia. Não haverá velório e a família solicita que cada um dos amigos eleve suas orações a Deus de suas próprias casas.

Acamado há mais de 3 anos por sequelas de cirurgia na coluna vertebral, o cirurgião lutava contra mais uma pneumonia que, em seu caso, eram recorrentes. O pioneiro da cirurgia cardíaca no interior do Brasil, fundador da Braile Biomédica e do Instituto Domingo Braile deixa a esposa Maria Cecilia Braga Braile, as filhas Patricia Braile Verdi e Valéria Braile Sternieri, os genros Luis Antônio Verdi e Walter Sternieri Jr e os netos Rafael, Sofia, Giovanni e Luiza.

Nascido em Nova Aliança (SP), no dia 8 de abril de 1938, iniciou sua carreira médica quando ingressou, em 1957, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Em 1967 liderou o grupo que criou o Instituto de Moléstias Cardiovasculares (IMC) em São José do Rio Preto, onde ficou por 25 anos trabalhando como cirurgião cardíaco.

No ano de 1977, ele fundou a Braile Biomédica que se tornou um centro de referência na indústria médica brasileira. Construída com o objetivo de viabilizar a cirurgia cardíaca para toda a população, a empresa atuou no desenvolvimento e produção de válvulas biológicas e enxertos de pericárdio bovino, produtos pioneiros no Brasil.

Braile também foi cofundador da Famerp, em 1968, quando a instituição ainda se chamava Faculdade Regional de Medicina de Rio Preto (Farme), depois Fresa, até ser estadualizada em 1994 e chegar ao nome atual, o que gerou também uma mudança no perfil da faculdade, tanto do ponto de vista econômico, como estrutural.

O médico atuou em diversos cargos de direção na Faculdade de Medicina e acompanhou de perto as evoluções. Foi ele o responsável pela implantação do Centro de Cirurgia Cardíaca da Famerp e, mais tarde, como pró-reitor da pós-graduação, foi um dos responsáveis pela criação da pós stricto sensu da Famerp.

Participou ativamente da formação de inúmeros mestres e doutores, além de ser uma figura atuante nos laboratórios, considerado um dos pilares do desenvolvimento de pesquisas na Famerp. Por tamanha dedicação ao desenvolvimento da instituição, Braile se tornou professor emérito da Famerp em 2009.

Domingo Braile também foi um dos fundadores da cooperativa médica Unimed Rio Preto, em 1971. Na época, ele foi o responsável por conhecer outras Unimeds já implantadas no Brasil, como Porto Alegre, uma das maiores na época. Juntamente com outros médicos como Amadeu Menezes Lorga e Roberto Kaiser, Braile foi pessoalmente até a capital gaúcha para saber mais detalhes sobre o projeto e trazer as melhores práticas para Rio Preto.

"Me dediquei de coração a Rio Preto. Sem intenções políticas, sem interesses particulares. Apenas pus meu coração aqui e lutei forte para que coisas boas acontecessem em nossa cidade. Sempre afirmei que as pessoas vão gostar de morar onde há bons empregos, desenvolvimento e consequentemente, boa qualidade de vida", disse Braile em entrevista à revista Vida & Arte, do Diário da Região.

Repercussão

O prefeito de Rio Preto, Edinho Araújo (MDB), decretou luto oficial de três dias pela morte do médico cardiologista Domingo Marcolino Braile, que faleceu aos 81 anos na madrugada deste domingo, 22, em casa. Acamado a pelo menos três anos, Braile enfrentava uma pneumonia.

Em sua página oficial do Facebook, Edinho afirmou que decretou luto oficial em reconhecimento ao trabalho que Braile desenvolveu em Rio Preto e também "por se destacar não só em nosso País mas em todo mundo como pioneiro na cirurgia cardíaca."

Na mesma publicação, o prefeito de Rio Preto anunciou que o hospital municipal que está sendo construído na região Norte da cidade receberá o nome de Domingo Marcolino Braile, em homenagem ao médico.

A morte do cirurgião cardiovascular também causou comoção entre alunos, professores e residentes da Famerp. O diretor geral da instituição, Dulcimar Donizeti de Souza afirmou que Braile foi um grande profissional, de um conhecimento fantástico e que colaborou muito para o crescimento da faculdade e para o aprendizado de seus alunos e residentes. "Dr. Braile deixa um legado como professor e como médico responsável por salvar milhares de vidas por meio da cirurgia cardíaca. É um dia muito triste para a medicina e para a Famerp", disse.

Dulcimar acrescentou que Domingo Braile fo um dos profissionais que mais colaboraram para que a Famerp se tornasse uma das faculdades de medicina mais importantes do Brasil. "Sempre se preocupou com a qualidade da medicina e com a excelência do ensino aos novos alunos", disse o diretor geral da Famerp. Em nota, a instituição se solidarizou com a família e agradeceu pelo "trabalho de uma vida dedicada a salvar pessoas e a formar novos médicos".

A Unimed também lamentou a morte do médico cardiologista. Helencar Ignácio, presidente do Conselho de Administração da Unimed Rio Preto, afrimou que Braile foi peça fundamental para a fundação da cooperativa médica. "Sua visão contemporânea e sempre à frente do seu tempo contribuiu muito para a implantação da cooperativa na cidade. Mas não só isso, durante todos esses anos ele atuou com muita proximidade da administração, opinando sobre tomada de decisões, participando de assembleias e reuniões, uma contribuição ímpar que certamente fará grande falta para a Unimed e para toda medicina do Brasil e do mundo", disse.

Em nota à imprensa, a Unimed afirmou que, mesmo não fazendo parte diretamente da diretoria, todos os diretores sempre fizeram questão de consultar as opiniões de Braile a respeito da evolução do mercado de saúde suplementar, novas tendências da medicina, formação de médicos generalistas, entre outros temas.

A Rodobens também se solidarizou com familiares e amigos do médico Domingo Braile. "Seu profissionalismo e conhecimentos sobre cardiologia contribuíram de forma significativa para o avanço da cirurgia cardíaca no Brasil e no mundo, em especial para a região de São José do Rio Preto. A Rodobens registra seu voto de pesar e agradece a dedicação e trabalho prestado aos cidadãos rio-pretenses", afirmou, em nota, a empresa.

 

Atualizada às 16h52