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TECNOLOGIA

Como a tecnologia vai transformar sua experiência de viajar

Gabriel Vital - 07/03/2020 00:07

Não é a tecnologia que vai mudar aquela máxima que diz que "viajar é preciso". Por mais que a realidade virtual possibilite conhecer qualquer lugar do mundo sem sair de sua cidade, nada substitui a sensação de estar, de fato, em um lugar novo. Afinal, viajar é muito mais do que admirar paisagens; é sentir, tocar, experimentar diferentes sabores e sensações.

Mas, se a tecnologia não parece mudar o hábito de viajar, ela ao menos deve transformar a forma como isso acontece, incluindo até mesmo a possibilidade de visitar lugares jamais explorados. Que tal passar suas férias no espaço? Nos próximos 20 anos, as viagens - aqui na Terra ou fora dela - vão se tornar experiências mais ricas para os viajantes e também mais sustentáveis.

Essas projeções são do futurólogo britânico de renome internacional Ray Hammond, que elaborou o relatório "The Future Travel Experience", encomendado pela Allianz Partners. O especialista identificou as principais tendências que revolucionarão as viagens até 2040. Entre as previsões, Hammond cita reconhecimento facial em check-ins, trens super-rápidos, cruzeiros sustentáveis e até viagens para o espaço.

O estudioso lembra que o setor de viagens está sofrendo crescente pressão dos viajantes por experiências mais rápidas e eficientes, o que deve impulsionar muitas das mudanças nas próximas duas décadas. "Até 2040, os assistentes de software pessoais serão suficientemente inteligentes para ajudar os turistas a reservar suas viagens online e serão capazes de lidar com todas as complexidades do planejamento com vários destinos, a fim de atender às necessidades do viajante", descreve.

Hammond acrescenta ainda que as viagens também estarão mais ligadas à aventura, à realização e ao aprendizado de novas habilidades, "em vez de apenas preencher uma lista de lugares visitados".

Reconhecimento facial

Uma das tendências citadas no estudo de Hammond é o uso dos sistemas de reconhecimento de padrões faciais, que será frequente durante check-ins em aeroportos e hotéis. Hoje, essa tecnologia já vem sendo empregada pontualmente, ainda de forma experimental.

Em 2019, uma companhia aérea instalou, em caráter de testes, um totem de leitura da biometria facial no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Assim, bastava que os passageiros se posicionassem na frente do aparelho para fazer o check-in. O mesmo sistema está disponível desde 2017 no aplicativo da empresa e mais de um milhão de passageiros já utilizaram a tecnologia.

"O uso do reconhecimento facial proporciona, do momento da compra à retirada das bagagens, no desembarque, uma experiência de viagem diferenciada e adequada às necessidades de cada cliente, facilitando processos essenciais para o embarque e, consequentemente, o dia a dia dos nossos passageiros", disse a gerente de negócios de TI da Gol, Flávia Segura, em entrevista à Vida&Arte.

Para o especialista em reconhecimento facial Fabrizio Vargas, líder de negócio da Biomática, o Brasil é um país em que a adoção de biometria tem grande aceitação em meio à população, o que coloca o País como um dos principais mercados para tecnologia de reconhecimento facial no mundo. "Diferentes países rejeitam a tecnologia por considerá-la invasiva. No Brasil, a conveniência e a segurança oferecida pela tecnologia é vista de maneira positiva, e como uma inovação agradável", afirma.

Fabrizio acrescenta ainda que o uso dessa tecnologia deve melhorar com a implementação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPDP), que, assim como o Marco Civil e os direitos do consumidor, deve promover uma barreira de segurança contra abusos no uso do reconhecimento facial, uma preocupação ainda incipiente no Brasil.

Realidade virtual e aumentada

Se as tecnologias de realidade virtual e aumentada não substituirão a necessidade de viajar, é provável que esses recursos estimulem as pessoas a conhecer lugares novos.

Segundo o relatório "The Future Travel Experience", a possibilidade de explorar virtualmente hotéis, museus e restaurantes a partir de qualquer lugar do mundo despertará nas pessoas a vontade de conhecer esses lugares pessoalmente.

Além disso, os recursos de realidade virtual e aumentada ajudarão os consumidores a escolher melhor seus destinos e serviços, já que será possível conhecer, em detalhes, os hotéis e restaurantes antes de fazer uma reserva.

Atendimento 'robotizado'

Imagine chegar a um hotel para fazer seu check-in e ser recepcionado não por um concierge, mas por um robô. Dificilmente essa realidade vai se converter em robôs humanoides, com rosto, braços e pernas atrás de um balcão. A previsão do futurólogo Ray Hammond é de que os recepcionistas sejam substituídos por assistentes de software, que fornecerão orientações automáticas para os hóspedes no momento do check-in.

A projeção do relatório "The Future Travel Experience" para os próximos 20 anos inclui ainda portadores de bagagem robóticos, que ajudarão os hóspedes a transportar suas malas até o quarto.

O uso dessa tecnologia, no entanto, deverá estar presente apenas nos hotéis econômicos e de negócios. Os hotéis de luxo ainda valorizarão o atendimento humano, como acontece hoje.

Trens para viagens internacionais

Imagine viajar de trem de um país para outro. Até 2040, essa será uma possibilidade graças aos trens super-rápidos que estão por vir. A projeção de Ray Hammond é de que a tecnologia de Internet das Coisas (IoT) contribua para o gerenciamento das redes ferroviárias nacionais e internacionais.

Mais conectados e inteligentes, os trens transfronteiriços viajarão mais rápido, podendo chegar a incríveis 201 quilômetros por hora. "Os trens já são uma das maneiras mais ecológicas de viajar e, até 2040, a maioria será totalmente elétrica ou híbrida diesel-elétrica. Alguns serão alimentados por células a combustível de hidrogênio completamente limpas", escreve Hammond no relatório.

Com essas mudanças, os maquinistas se transformarão em gerentes e supervisores de trem à medida que os computadores assumirão o controle do progresso do veículo.

Cruzeiros mais luxuosos e sustentáveis

A expectativa é de que, nos próximos 40 anos, as viagens de cruzeiros sejam mais luxuosas e sustentáveis. As embarcações serão movidas a gás natural liquefeito (GNL), combustível fóssil leve com quase nenhuma emissão de gases de efeito estufa.

Além disso, os transatlânticos oferecerão novos destinos, incluindo Ásia, Antártica e Alasca, lugares que deverão atrair, principalmente, os millenials. As projeções também apontam para um interesse crescente em cruzeiros pela África, passando por ilhas como Madagascar.

Até 2040, também haverá muitos outros cruzeiros temáticos, baseados em interesses específicos, como jogos de computador, culinária, bem-estar, dança de salão, educação de adultos, entre outros.


Viagens para o espaço

Se hoje as viagens para o espaço são algo inimaginável, até 2040 é possível que destinos fora do planeta sejam uma realidade até frequente, ao menos para alguns viajantes mais ricos. Um dos locais a serem visitados será a Lua, segundo projeção do futurólogo Ray Hammond.

É improvável, no entanto, que os viajantes aterrissem na superfície lunar. A possibilidade é de que os turistas girem ao redor da Lua antes de retornar à Terra. O primeiro turista civil deve orbitar a Lua já em 2023, o bilionário japonês Yusaku Maezawa, de 42 anos, voará a bordo do Big Falcon Rocket (BFR), da SpaceX, empresa fundada em 2002 pelo visionário Elon Musk.

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