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FERROVIAS

Uma volta ao mundo de trem

Do Canadá à Rússia, roteiro ferroviário combina vagões de luxo e variedade de paisagens


    • São José do Rio Preto
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Já imaginou entrar num trem em Toronto e só desembarcar em Moscou? É mais ou menos isso o que propõe a Volta ao Mundo de Trem, uma viagem de 24 dias por três continentes, percorrendo cerca de 16 mil quilômetros sobre trilhos por cidades e regiões de Canadá, China, Mongólia e Rússia.

Com a exceção da ligação aérea entre Canadá e China, a jornada é toda feita em trens de luxo, que cruzarão tanto grandes cidades quanto longos trechos de natureza bruta, como as Rocky Mountains canadenses, os desertos da Mongólia e as estepes da Sibéria.

A saída está marcada para 15 de agosto, mas pode ser postergada por conta da epidemia do novo coronavírus, cujo foco principal é a China, um dos países que integram o roteiro.

"Muitos especialistas dizem que no verão no Hemisfério Norte, período da viagem, o problema já estará controlado. Mas não há garantia, por isso, trabalhamos com a possibilidade de adiar a saída", explica Pablo Bernhard, CEO da TT Operadora, especializada em viagens ferroviárias, que desenvolveu o pacote para o mercado brasileiro.

Caso a epidemia seja superada, a viagem começará em Toronto, a bordo do The Canadian, um trem que cruza todo o território do país, de costa a costa. São três dias de viagem a bordo de vagões panorâmicos, com amplos janelões que avançam sobre o teto e permitem apreciar o visual composto de rios, campos e montanhas do interior canadense. Os pernoites serão em hotéis. Em cada parada, os viajantes terão excursões para atrações como o Glacier Skywalk, uma passarela de vidro a 918 metros do chão, em Jasper.

O trecho canadense acaba em Vancouver, de onde o grupo segue de avião para Pequim. Na capital chinesa, o programa inclui passeios por cartões-postais, como a Cidade Proibida e a Grande Muralha, antes de embarcarem num trem até Erlian, na fronteira com a Mongólia. Ali, em pleno Deserto de Gobi, os passageiros trocam de composição para, provavelmente, a parte mais famosa da jornada, a bordo do Transiberiano Imperial Russia, um dos trens mais luxuosos do mundo. Neste trecho, sim, as noites são nas cabines internas.

"Pela tradição de viagens de longas distâncias, os russos desenvolveram os vagões e cabines mais confortáveis do mercado. São mais espaçosos que a média e o serviço, de alta qualidade", diz Pablo.

Na Mongólia, a viagem é marcada pelo contraste entre a modernidade radical da capital Ulan Bator, com seus arranha-céus chamativos, e a tradição dos povoados nômades das estepes no Parque Nacional Gorkhi Terelj. Entrando na Rússia, o roteiro passa pelo Lago Baikal, o maior de água doce do mundo, na Sibéria, e pela cidade de Kazan, onde boa parte da população é muçulmana. A viagem termina em Moscou.

"O trem não é apenas um meio de transporte, é parte da experiência. As pessoas passam a maior parte do tempo sobre os trilhos e juntas, o que cria uma sensação de comunidade única. Até porque a internet só funciona nos hotéis e nas estações. Então, o jeito é conversar e curtir a viagem mesmo", brinca Pablo.

O pacote custa a partir de 16.530 euros por pessoa em acomodação dupla e inclui 14 noites a bordo dos trens, oito noites em hotéis de quatro a cinco estrelas, refeições, passeios e guias em português e espanhol. Informações em voltaaomundodetrem.com.br.