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RIO GRANDE DO NORTE

À sombra do cajueiro

Praia de Pirangi tem árvore gigante e piscinas naturais


    • São José do Rio Preto
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Se a cidade de Parnamirim, na região metropolitana de Natal, a meia hora de carro, fosse invenção de um livro de realismo fantástico, o Cajueiro de Pirangi certamente seria um dos personagens principais da trama. Incrustado entre as casas e ruas da cidade, o pé de caju centenário já entrou inclusive para o livro dos recordes, em 1994, considerado o maior cajueiro do mundo.

Com cerca de 8.500m² - e ainda crescendo -, a árvore é maior do que um campo de futebol e destino obrigatório para quem visita o Rio Grande do Norte. Atualmente, a área ocupada pelo cajueiro é administrada pelo Instituto do Desenvolvimento Sustentável e Ambiental do Rio Grande do Norte (Idema).

"A metade da avenida realmente já foi tomada", conta o guia Alexsandro Araújo. "Desde 1970, a urbanização cercou o cajueiro. Ou seja, esta árvore era para ser muito maior. Ela foi cortada algumas vezes, mas a poda foi proibida em 2005. Desde então, estamos brigando pela ampliação da área, que para acontecer consistiria em desapropriação. É muito difícil, mas é muito importante. Não é para o cajueiro tomar toda a cidade, mas queremos esse espaço para preservá-lo."

Embora haja quem jure que o local onde estão fincadas as raízes do cajueiro emanam uma energia particular, a imponência da árvore gigante não é fruto de magia e tem explicações bem amparadas na ciência. De acordo com os biólogos que estudam a planta, uma das hipóteses para o crescimento desenfreado do pé de caju é um desequilíbrio hormonal que causa uma produção exagerada de fitormônio, responsável pelo desenvolvimento do vegetal.

"O cajueiro comum tem galhos que crescem somente atraídos pela luz. O galho que toca o chão para de crescer ou apodrece, diferentemente deste, cujos galhos que tocam no chão criam as próprias raízes. É como se o cajueiro fosse replantando a cada galho dele que toca o solo, explica Alexsandro, dizendo ainda que há outros dois exemplares com anomalias parecidas no litoral do estado e no Piauí.

No auge de sua produção, na década de 1990, o Cajueiro de Pirangi chegou a produzir 80 mil cajus, ou 2,5 toneladas do fruto, durante os meses de novembro, dezembro e janeiro. Hoje, a produção é bem menor, mas quem visita a árvore nos meses de colheita ainda consegue sentir o aroma dos cerca de 9 mil frutos nascidos desse pé.

Os galhos retorcidos do cajueiro já foram cenário inclusive de produções televisivas, como a novela "Chiquititas", do SBT. Com uma estrutura bem organizada, incluindo um mirante para observar a árvore de cima e passarelas de madeira, para evitar que se pise nas raízes, o maior cajueiro do mundo recebe visitação de grupos e tem no entorno uma feira de artesanato para atender aos turistas com lembranças que vão de ímãs de geladeira a cachaças com o sabor da principal fruta do local, o caju. Um passeio sob a árvore oferece ainda a paisagem perfeita para quem gosta de fotos exuberantes.

De cair o queixo também são os Parrachos de Pirangi, as piscinas naturais localizadas a 800 metros de distância da costa. Na maré baixa, os arrecifes ficam cobertos por uma fina camada de água transparente, o que permite nadar bem perto dos peixes. Os passeios de barco até lá, com duas horas de duração, saem da Marina Badauê, um complexo turístico que inclui um restaurante, na Praia de Pirangi do Norte, a poucos passos do cajueiro gigante