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Criança e Adolescente

Infância em perigo

Exposição a produtos de limpeza é associada a asma em bebês


    • São José do Rio Preto
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Se você tem criança em casa deve ficar bem atento. Pesquisas canadenses constataram que a exposição dos pequenos a produtos de limpeza doméstica nos primeiros meses de vida, está ligada ao aumento da chance de ter asma aos três anos de idade. O estudo publicado foi publicado no Canadian Medical Association Journal.

A explicação, segundo os pesquisadores, é simples. Os bebês são mais vulneráveis porque "costumam passar de 80% a 90% do tempo em ambientes fechados no ambiente doméstico e ficam mais sujeitos a exposições químicas nos pulmões e na pele. Sabão para lavar as mãos, detergente para lavar louças, produtos de limpeza de várias superfícies, produtos para limpeza de vidro e sabão em pó são os mais comuns.

Segundo o líder do estudo, o pesquisador Tim Takaro, médico da faculdade de ciências da saúde da Universidade Simon Fraser em Burnaby, British Columbia, no Canadá, o grupo examinou questionários preenchidos por pais de mais de 2 mil crianças que foram expostas a produtos de limpeza doméstica desde o nascimento até os quatro meses de idade. As crianças foram avaliadas aos três anos de idade por asma, sibilância recorrente (chiados no peito) e "sensibilização alérgica".

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que aproximadamente 13 milhões de crianças com idade inferior aos cinco anos morrem por doenças do aparelho respiratório todos os anos ao redor do mundo. Entre as doenças respiratórias, encontra-se a asma, condição crônica e inflamatória de causa alérgica. Os principais sintomas são chiado no peito, tosse e falta de ar. A organização reconhece que a doença ainda é subdiagnosticada. A prevalência média mundial da asma é estimada em 11,6% entre os seis e sete anos de idade e, no Brasil, essa taxa aumenta para 20%.

Muitas crianças com asma se acostumam com os sintomas, que passam a ser ignorados pelos pais. A condição é uma das mais comuns durante a infância, podendo causar até 30% das limitações de atividades em crianças.

Embora não tenham conseguido provar causa e efeito, os pesquisadores relataram que bebês com os mais altos níveis de exposição a produtos de limpeza tiveram um aumento de 37% no risco de serem diagnosticados com asma aos três anos. Também constataram um risco 35% maior de desenvolver sibilância recorrente na mesma idade. Os produtos de limpeza perfumados e pulverizados foram associados ao maior risco de chiado e asma.

A maioria dos jovens vinha de casas brancas e abastadas, e não está claro quanto tempo eles realmente passaram em ambientes fechados. Também não é possível detectar com base no estudo se os sintomas persistirão na infância, adolescência e idade adulta, uma vez que muitas crianças, muitas vezes, os superam.

O que acontece

Segundo os pesquisadores, produtos químicos em produtos de limpeza podem danificar o revestimento respiratório dos bebês, desencadeando vias inflamatórias do sistema imunológico, levando à asma e chiado no peito.

Alterações no microbioma de um bebê - micróbios saudáveis e úteis que vivem no corpo humano- também podem desempenhar um papel, acrescentaram. "A maioria das evidências que ligam a asma ao uso de produtos de limpeza vem de adultos", disse Tim Takaro em um comunicado de imprensa da revista.

Os pequenos podem viver com boa qualidade de vida e poucos impactos na rotina se fizerem o tratamento adequado. Por isso, a atenção dos pais e dos professores, junto ao acompanhamento médico, são fundamentais para manter a asma em crianças sob controle. No reinício das aulas, o contato com outras crianças é um dos principais fatores para novas infecções virais respiratórias e exacerbações da asma. "Ao contrário da gripe e resfriados, a asma é de origem genética, e é uma enfermidade crônica, que acompanhará o paciente durante toda a vida e pode ser manifestada em qualquer idade", explica o pneumologista pediátrico Paulo Pitrez.

Entre as crianças com asma, a tendência é que de 30% a 80% delas apresentem os primeiros sintomas até o terceiro ano de vida. "Contudo, nessa fase, é difícil estabelecer um diagnóstico preciso da doença. Assim, os pais devem ficar atentos aos primeiros sinais de dificuldade para respirar e, ao identificá-los, devem procurar um especialista", diz ainda o médico.

Com o tratamento contínuo e correto da doença, a criança tende a não apresentar mais crises de asma e consegue fazer todas as atividades que os colegas que não têm a doença realizam na escola. "Infelizmente, os pais ainda acreditam no mito de que o asmático que está sem sintomas não precisa mais de tratamento ou que está curado, e de que os tratamentos para asma podem fazer mal para a saúde", explica.

Impactos

A asma provoca sérios impactos sobre a vida do paciente, tais como sintomas noturnos, cansaço, limitação para exercícios e falta na escola. Crianças com asma não controlada também podem apresentar alterações no seu comportamento, ficando facilmente irritadas, cansadas e desatentas. Todos esses impactos prejudicam o desempenho escolar. "Nesses casos, se a asma não for tratada, a criança pode apresentar mais crises da doença. Esses episódios de piora súbita são estressantes para os pequenos e seus pais, e aumentam a necessidade de atendimentos emergenciais para conter a crise e podem até levar a hospitalizações. Consequentemente, a criança é afastada de sua rotina e sua qualidade de vida é reduzida", explica Paulo Pitrez.

Com o diagnóstico preciso, a asma deve ser tratada com medicamentos indicados pelo especialista. Dessa forma, os sintomas podem ser controlados - o que confere uma melhor qualidade de vida e nenhum impacto na rotina do paciente. "O aleitamento materno é essencial para redução de infecções respiratórias nos primeiros três anos de vida, ajudando a fortalecer a imunidade dos bebês. Também é importante seguir rigorosamente o tratamento preventivo da asma e manter o hábito de realizar atividades físicas", diz ainda Pitrez. A asma também piora quando aumenta a exposição do paciente a substâncias no qual é alérgico, como poeira e ácaro.

  • Siga o tratamento indicado pelo médico;
  • Evite carpetes, tapetes e muitos bichos de pelúcia no quarto das crianças;
  • Mantenha a casa limpa e arejada, reduzindo a poeira, ácaros e fungos;
  • Não fume perto das crianças;
  • Vacine anualmente as crianças contra a gripe.

Fonte: Paulo Pitrez, pneumologista pediátrico