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Saúde

Praia sem risco

Quer seja para mergulhar ou sentar para ler, alguns cuidados podem evitar doenças


    • São José do Rio Preto
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Difícil encontrar quem não goste de ir à praia. Mesmo que fuja da exposição ao sol por conta do risco de câncer de pele, muita gente vai para relaxar, colocar os pés na areia, ler um livro debaixo do guarda-sol, sentindo a brisa do mar. "O uso de protetor solar pode ajudar a prevenir o câncer de pele, protegendo-o dos raios ultravioleta nocivos do sol. Qualquer pessoa pode ter câncer de pele, independentemente da idade, sexo ou raça", afirma o dermatologista Jardis Volpe. Entretanto, para aproveitar o verão sem colocar sua saúde em risco é preciso outros cuidados.

A hidratação é essencial para o funcionamento do organismo e controle da temperatura corporal. Consuma, em média, dois litros por dia. "Essa medida pode variar de acordo com alguns fatores como idade, peso, presença de doença e clima. O importante é nunca esperar ter a sensação de sede, pois esse já é um sinal de desidratação", explica a nutricionista Jorgiane da Cunha de Oliveira.

De olho na areia: Quando contaminada por fezes de cães ou gatos, a areia pode abrigar a larva migrans, causadora da doença conhecida como "bicho geográfico". As larvas penetram na pele e por onde passam deixam um rastro com lesões avermelhadas visíveis, formando uma espécie de "mapa" (daí o nome), e causando coceira. O parasita costuma se alojar nos pés, mas pode atingir qualquer parte do corpo que entre em contato com a areia contaminada. Em casos mais simples, o tratamento é feito com o uso de pomadas, mas, se a doença tiver se espalhado por muitas áreas, pode haver necessidade de medicamentos ingeridos por via oral. Por isso, é necessária a avaliação de um médico para decidir o tratamento;

Proteja-se do sol: Evite a exposição entre 10 horas e 16 horas e, em qualquer horário, use filtro solar com fator de proteção acima de 30. A recomendação é repor a cada duas horas. Para se proteger também dos mosquitos, o filtro solar deve ser aplicado sempre antes do repelente. Além da vermelhidão, você pode ter insolação e, ao longo praz, o câncer de pele. Insolação ocorre quando o corpo esquenta muito e esse mecanismo não dá conta de abaixar a temperatura. Entre os sintomas estão pele avermelhada, quente e seca, aumento de batimentos cardíacos, respiração acelerada, boca e olhos secos, náusea, vômito e até perda de consciência. Mantenha o organismo hidratado. Água mineral e água de coco são boas opções. Bebida alcoólica agrava os sintomas;

Evite ficar muito tempo com o biquíni molhado: Refrescar-se com mergulhos no mar é bom, mas passar muito tempo com a roupa de praia molhada traz riscos para a saúde, principalmente na forma de infecções. O problema mais comum é a candidíase, que durante o verão chega a afetar cerca de 75% da população feminina. A umidade e o calor criam um ambiente mais favorável à proliferação de germes e fungos, como é o caso do causador da candidíase. Os principais sintomas são coceira, ardência, vermelhidão e secreção vaginal. Em caso de ocorrência de um ou mais desses sintomas, é importante consultar um médico para iniciar o tratamento adequado. O ideal é trocar o biquíni molhado por uma roupa seca o mais rapidamente que puder;

Atenção ao comer: Diarreia, febre, vômito e desidratação são alguns dos sintomas de intoxicação causada pelo consumo de alimentos contaminados por bactérias. Caso não seja possível verificar as condições de higiene dos alimentos na praia, o ideal é levar petiscos e lanches de casa, acondicionados em bolsas térmicas, para que sejam conservados por mais tempo. Em caso de intoxicação alimentar, a primeira medida a ser tomada é hidratar o organismo, com água, sucos e água de coco. Se os sintomas piorarem, procure um médico;

Fique de olho na higiene das cadeiras: A falta de higiene das cadeiras pode aumentar o risco de contágio por fungos e bactérias causadores de micoses, como o "pano branco". Também conhecida como micose de praia ou pitiríase versicolor, é uma doença de pele causada por um fungo que impede a pele de produzir melanina quando exposta ao sol, causando manchas brancas na área afetada. O tratamento é feito com pomadas antifúngicas, que devem ser prescritas por um dermatologista. Para se proteger, higienize as cadeiras com álcool em gel antes de sentar-se ou forre-as com uma toalha grossa;

Cuidado com praias contaminadas: Nadar em praias consideradas impróprias para banho deixa o organismo suscetível a doenças e infecções. O contato com águas contaminadas pode causar infecções de olhos, ouvidos, nariz e garganta e doenças como a gastroenterite, cujos sintomas são enjoo, vômitos, dores de estômago, diarreia, dor de cabeça e febre. Em águas muito contaminadas, os banhistas podem estar expostos a doenças mais graves como disenteria, hepatite A, cólera e febre tifoide. Crianças, idosos ou pessoas com baixa resistência imunológica são as mais vulneráveis. Para se proteger, verifique sempre a condição de qualidade das praias que pretende visitar, determinada a partir da quantidade de bactérias do grupo coliforme presentes na água.

Fonte: Adriano Ribeiro, farmacêutico