Insulina inalável no BrasilÍcone de fechar Fechar

Saúde

Insulina inalável no Brasil

País é o segundo a comercializar medicamento para tratar diabetes


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

Se você é diabético já pode contar com uma opção para o controle glicêmico que até agora só era comercializada nos Estados Unidos. Trata-se da insulina inalável em pó que chega com o nome comercial Afrezza, da farmacêutica Biomm, empresa brasileira de biotecnologia, em uma parceria com a MannKind Corporation para tratamento do diabetes mellitus do tipo 1 ou do tipo 2, que têm uma produção muito baixa do hormônio responsável pelo controle dos níveis glicêmicos no sangue.

O Brasil é o segundo País a disponibilizar o medicamento. A insulina inalável foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no ano passado e será comercializada em três dosagens (quatro, oito e 12 unidades internacionais de insulina), em embalagens com 90 e 180 refis, e dois inaladores por caixa.

Como funciona

O novo medicamento é fornecido com um inalador pequeno. Não precisa ser mantido sob refrigeração. A insulina se dissolve rapidamente após a inalação para o pulmão e atinge imediatamente a corrente sanguínea. Os níveis máximos de insulina são alcançados entre 12 a 15 minutos após a administração e declinam em aproximadamente 180 minutos. O medicamento deve ser usado em combinação com uma insulina injetável de ação prolongada, a basal, em pacientes com diabetes mellitus tipo 1. O objetivo é evitar que a glicose suba demais no sangue durante a alimentação.

500 casos por dia

Dados da Federação Internacional de Diabetes mostram que atualmente o diabetes mellitus atinge 425 milhões de pessoas no mundo e o Brasil é a quarta maior população afetada. São 16,8 milhões de pessoas diabetes e cerca de 500 novos casos diagnosticados por dia.

O diabetes mellitus é caracterizado pela incapacidade do organismo de controlar os níveis de glicose no sangue. A insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas, normalmente regula os níveis de glicose, mas em pessoas com diabetes mellitus são produzidos níveis insuficientes de insulina ou o organismo não responde adequadamente à insulina que produz.

A insulina inalável que tem ação ultrarrápida e é mais parecida com o hormônio produzido naturalmente pelo organismo em indivíduos saudáveis, se dissolve pelo pulmão após a inalação e atinge imediatamente a corrente sanguínea. A administração deve ser realizada antes das refeições. A terapia é indicada para pacientes adultos, sempre sob orientação médica, pois há algumas contraindicações.

Os números preocupam, uma vez que 40 milhões de brasileiros estão pré-diabéticos e 25% devem desenvolvê-lo, nos próximos cinco anos, como aponta a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). "Com Afrezza, buscamos trazer maior conveniência e qualidade de vida aos pacientes, por meio de um medicamento comprovadamente seguro e eficaz", explica Heraldo Marchezini, CEO da Biomm.

Cadastramento no programa

Os usuários poderão aderir ao programa oferecido pela farmacêutica. Para participar do "Mais Saude", é preciso fazer um cadastro no site (maissaudebiomm.com) ou pelo telefone 0800-057-2467). Depois disso, poderá comprar o medicamento em redes de farmácia associadas com descontos que variam entre 20% e 35%. Nesse caso, a insulina inalável custará a partir de R$ 1,9 mil (caixa com 90 refis de 8 UI cada). O valor comercial do medicamento foi definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

Antes de usar a nova insulina, os pacientes deverão fazer exames para saber se possuem ou não problemas respiratórios capazes de atrapalhar sua absorção. Também são contraindicados para o uso aos portadores de situações como enfisema, asma e outras doenças pulmonares crônicas. Fumantes também não devem usar o medicamento. Em 2006, a Anvisa já havia aprovado outra insulina inalável, a Exubera, da farmacêutica Pfizer. No entanto, o produto foi retirado do mercado mundial no ano seguinte, seis meses depois.

Tipo 1: Geralmente é diagnosticado na infância ou na adolescência e acontece quando o sistema imunológico ataca as células do pâncreas, comprometendo a liberação da insulina e aumentando assim os níveis de glicose no sangue;

Tipo 2: Tem origem na resistência insulínica, que acontece quando o organismo não consegue mais usar adequadamente a insulina, hormônio que controla a taxa de glicemia nas células, sobrecarregando o pâncreas. Ao longo do tempo, esse quadro causa a falência do órgão, que deixa de produzir o hormônio, levando ao diagnóstico deste tipo de diabetes.

Fonte: Lívia Porto, endocrinologista