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Saúde

Luz pulsada contra o olho seco

Tratamento pode ajudar condição associada à blefarite


    • São José do Rio Preto
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Você tem blefarite? Trata-se de um processo inflamatório crônico que atinge a margem (ou borda) das pálpebras e, apesar de não ter cura, pode ser controlada. Nessa hora entra como auxiliar um novo tratamento, com luz pulsada, como alternativa para tratar a condição. Liberado em 2019 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária para tratamento do olho seco, o tratamento pode melhorar o problema.

"Existem diferentes opções de tratamento para a blefarite, entre elas temos a esfoliação palpebral - para limpar as pálpebras e reduzir o número de bactérias - e medicamentos tópicos (colírios e pomadas)", explica o oftalmologista Luiz Fernando Figueiredo Filho. No entanto, apenas um oftalmologista pode indicar o tratamento adequado, conforme o caso.

Mas o médico explica: "A luz pulsada não é uma alternativa de tratamento para a blefarite. O que acontece é que ela pode ser uma opção para auxiliar no tratamento da síndrome do olho seco, que pode ser causada pela blefarite não-tratada", diz ainda Figueiredo. A luz pulsada estimula a glândula de meibomius a produzir a camada lipídica da lágrima combatendo o problema. "Essa glândula fica localizada nas pálpebras superiores e inferiores e produz um tipo de secreção rica em gordura e proteínas, ajudando no processo de lubrificação dos olhos", afirma.

Quando afeta a parte externa das pálpebras, é chamada de blefarite anterior, mais comumente causada por infecção bacteriana e mais prevalente em pessoas com dermatite seborreica. "Na blefarite posterior, a causa está mais associada a alterações nas glândulas de meibômio, localizadas nas bordas das pálpebras e responsáveis por secretar substâncias lipídicas (gordurosas) contidas na lágrima", explica a oftalmologista Tatiana Nahas, especialista em cirurgia de pálpebras e chefe do Serviço de Plástica Ocular da Santa Casa de São Paulo.

É comum ainda a blefarite estar associada a doenças sistêmicas, como rosácea, atopia e dermatite seborreica, assim como a doenças oculares, como síndrome do olho seco, calázio, triquíase, entrópio e ectrópio, além de conjuntivite e ceratite.

Sintomas são piores pela manhã

O processo inflamatório envolvido na blefarite altera a secreção das glândulas de meibômio, o que prejudica a lubrificação dos olhos, agravando a inflamação da superfície ocular. Os sintomas costumam ser mais intensos pela manhã. "Olhos inchados, coceira, vermelhidão no globo ocular e nas pálpebras, sensibilidade à luz, a chamada fotofobia; ardência, perda de cílios e formação de crostas nas bordas das pálpebras, que podem, literalmente, 'grudar' os olhos, são sintomas mais comuns", diz Tatiana Nahas.

 

A luz pulsada começou a ser usada para tratar a blefarite com bons resultados. "Alguns especialistas notaram que a terapia com a luz pulsada para doenças da pele aliviavam também os sintomas do olho seco de alguns pacientes, com outras patologias dérmicas. Foram feitos estudos clínicos voltados para pacientes com blefarite, meibonite e ceratoconjuntivite, com o objetivo de comparar os tratamentos tradicionais com a luz pulsada", explica Tatiana Nahas.

"Existem tratamentos muito eficazes para a grande maioria dos pacientes, mas os que não respondem ao tratamento clínico, e para estes, está indicado o laser de luz pulsada", explica a oftalmologista Juliana Freitas, diretora de pesquisa do D'Olhos Hospital Dia.

Um desses estudos, publicado em 2019 no Journal of Ophthalmology, segundo Tatiana Nahas, apontou uma melhora significativa dos sintomas em apenas três sessões de luz pulsada. Além disso, não houve efeito adverso e recorrência das crises de blefarite no grupo que recebeu o tratamento.

Como funciona

A energia luminosa da luz pulsada é transformada em energia térmica, que permite a coagulação e ablação de capilares, com redução dos fatores inflamatórios. Também atua na redução de ácaros e bactérias envolvidos na blefarite. "O efeito térmico ajuda a desentupir as glândulas de meibômio, facilitando a saída da secreção. E isso também ajuda a melhorar o filme lacrimal", diz Tatiana. São realizadas de três a quatro sessões, a cada 15 dias. O novo procedimento consiste em emitir um feixe de luz pulsada regulada que estimula e desobstrui as glândulas meibomianas, restaurando a produção de lágrimas saudáveis. Esse tratamento melhora os casos de olho seco induzidos pela falta da camada de gordura da lágrima", explica Juliana Freitas.

Entretanto, segundo ela, é de fundamental importância fazer um exame específico antes de realizar o procedimento para fazer o diagnóstico do tipo de olho seco que o paciente tem. "Assim, os pacientes que serão mais beneficiados com essa nova alternativa, são aqueles que têm rosácea; os que fazem tratamento com colírios de glaucoma ou, ainda, os que possuem pele oleosa demais, com acne severa", diz ainda.