Em paz com os termômetrosÍcone de fechar Fechar

Saúde

Em paz com os termômetros

Calor é gatilho para quem sofre de enxaqueca; veja como minimizar o problema


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

Quem sofre com dores de cabeça sabe. No verão, as altas temperaturas muitas vezes se transformam em pesadelo, principalmente para sofre de um tipo, a enxaqueca. Isso porque o calor é um dos gatilhos para quem enfrenta a condição. As dores de cabeça atingem mais de 70% da população, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC), que estima mais de 200 tipos da dor, entre enxaqueca e cefaleias.

A enxaqueca ou migrânea é uma doença complexa. "Nos últimos anos, os avanços nos estudos desse tipo de cefaleia foram importantes para o desenvolvimento de tratamentos neurológicos", explica Fernando Kowacs, coordenador do departamento científico de cefaleia e professor adjunto de neurologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Contudo, nem todos os pacientes respondem da mesma maneira às terapias disponíveis.

A enxaqueca crônica faz parte das doenças mais incapacitantes do mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), gerando impacto não só na vida social e profissional de quem tem o problema. Assim que os termômetros começam a registrar o aumento das temperaturas, as pessoas que sofrem com enxaqueca ficam em alerta na tentativa de se desviar das crises causadas pelo calor. "O excesso de luminosidade e as altas temperaturas funcionam como gatilho para crises", explica a neurologista Elza Magalhães.

Durante a exposição ao sol, o centro modulador de dor do portador de enxaqueca é ativado, levando a uma maior dilatação das artérias das meninges e do córtex cerebral, fazendo com que uma crise seja deflagrada.

Ao lado da dor na coluna, a enxaqueca lidera a lista das dores do universo feminino, segundo dados da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). "Parte dessa maior ocorrência é causada pelo fator hormonal, mas também pode ser desenvolvida por questões tensionais", explica a médica Denise Katz, especialista em dor. Segundo ela, um tratamento multifatorial - medicação e mudanças de hábitos, pode reduzir os problemas.

Prevenção é o melhor remédio

O tratamento preventivo da doença ainda é a melhor forma de evitar as crises intensas e frequentes, e diminuir a sensibilidade a fatores externos que funcionam como gatilho de dor.

Os tratamentos medicamentosos considerados de primeira linha pelo consenso da Sociedade Brasileira de Cefaleia, divulgado em 2019, são a toxina botulínica A e o topiramato para os quadros crônicos, mas existem outras opções. "O recomendado é consultar um médico para identificar as causas e determinar o tratamento mais adequado", diz o farmacêutico Adriano Heleno Ribeiro.

  • Evite exposição direta ao sol: Usar óculos escuros para evitar penetração de muito estímulo luminoso na retina (esse é um gatilho importante de crises);
  • Mantenha-se hidratado: Beba bastante água ao longo do dia para manter-se hidratado e ajudar no equilíbrio da temperatura corporal. Consuma alimentos mais leves e ricos em água, como frutas e verduras. Mas fique de olho; alguns podem atuar como gatilho de dor, já que eles variam de pessoa para pessoa;
  • Cuidado com o horário da prática esportiva: Opte por horários em que a temperatura esteja mais amena e invista na água durante os exercícios;
  • Abuse de banhos mais frios: Tome banhos com a água mais fria ou faça compressas de água fria para diminuir a temperatura corporal, principalmente se estiver em um risco iminente de crise;
  • Durma em ambiente arejado: Além de garantir que o quarto esteja arejado, opte por um ambiente silencioso e use roupas confortáveis;
  • Evite mudança de temperatura: A alteração drástica de temperatura causada pelas mudanças de ambientes climatizados para ambientes não-climatizados também pode desencadear a crise de dor devido à súbita e intensa contração seguida de dilatação dos vasos sanguíneos do interior da cabeça.

Fonte: Elza Magalhães, neurologista