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PREVENÇÃO

Preservativo continua sendo a melhor forma para evitar uma IST

Infecções sexualmente transmissíveis têm maior incidência no período carnavalesco e o uso do preservativo continua sendo a maneira mais eficaz para evitá-las


    • São José do Rio Preto
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Apesar das inúmeras estratégias disponíveis hoje no Brasil para se evitar a transmissão do vírus HIV, o uso do preservativo (camisinha) continua sendo a melhor forma de prevenção quando o assunto é infecção sexualmente transmissível (IST). E os brasileiros, principalmente os jovens, estão mais suscetíveis a uma IST durante o período de Carnaval, em que a prática sexual desprotegida é mais comum devido ao consumo de álcool e outras drogas.

"O Carnaval é realmente um período em que as pessoas estão mais suscetíveis a uma infecção sexualmente transmissível. É um momento de festa em que as pessoas acabam bebendo um pouco mais da conta, sem contar o uso de outras drogas. E isso tem uma relação direta com a prática sexual desprotegida", comenta Vanessa Negrelli da Silva, enfermeira do Complexo de Doenças Crônicas Transmissíveis de Rio Preto. "No Carnaval, as pessoas acabam tendo mais relações sexuais, até mesmo com alguém que não conhecia antes", acrescenta.

Em Rio Preto, assim como em todo o País, a sífilis é a IST com maior incidência nos últimos anos, envolvendo principalmente jovens na faixa dos 20 aos 29 anos. Dados da Secretaria Municipal de Saúde de Rio Preto revelam que os casos de sífilis na cidade foram crescentes no período de 2016 a 2018 - foram 826 casos em 2016, 936 em 2017 e 1.152 em 2018. Somente no ano passado a sífilis começou a apresentar uma pequena queda, com 839 casos registrados. O número de casos entre homens é praticamente o dobro em relação às mulheres.

Segundo a enfermeira e professora Silvia Paschoalli, que atua na rede pública de saúde de Monte Aprazível, a sífilis é uma infecção antiga, que causou inúmeras mortes no passado. "No passado, a sífilis era a principal causa de demência [fase final da infecção]. Muitas das internações em sanatórios eram de pessoas que apresentavam sequelas da sífilis, pois, naquela época, não havia medicamento que combatesse essa infecção. Com advento da penicilina após a Segunda Guerra, a sífilis foi praticamente extinta, voltando a surgir no mapa de infecções na última década, principalmente por conta da falta de preservativo na prática sexual", explica.

Atuando na rede pública há 28 anos, Silvia percebeu na prática o crescimento do número de casos de sífilis ao prestar atendimento a gestantes em período de pré-natal, por meio da realização de exames para o diagnóstico de inúmeras doenças que podem afetar o bebê. "No caso de uma gestante, o diagnóstico de sífilis é muito importante porque ela pode ser transmitida para o bebê, que, além de várias sequelas, pode vir a óbito", sinaliza.

Vanessa ainda faz um alerta: a sífilis pode ser transmitida até mesmo nas "preliminares" ou no sexo oral. "Hoje há estratégias para evitar a infecção pelo HIV como a PEP [Profilaxia Pós-Exposição] e PrEP [Profilaxia Pré-Exposição]. Isso, de certa forma, fez com as pessoas perdessem um pouco o medo, deixando de usar o preservativo. No entanto, essas profilaxias não evitam infecções sexualmente transmissíveis, sendo a camisinha a única garantia de um sexo seguro."

A enfermeira do Complexo de Doenças Crônicas Transmissíveis de Rio Preto reforça a importância do exame para o diagnóstico da sífilis, pois os sintomas dessa IST podem ser facilmente confundidos com algum problema corriqueiro. E quanto mais a infecção evolui, maiores são os problemas causados ao organismo, entre eles sequelas no sistema nervoso e perda de visão. "Se a sífilis for identificada e tratada logo de início, é possível quebrar a cadeia de transmissão." 

Outras IST's bastante comuns são a síndrome do corrimento uretral, no caso dos homens, e a síndrome do corrimento cervical, no caso das mulheres, que abarcam doenças como tricomoníase, clamídia e gonorreia, além da herpes genital e do HPV, cuja prevenção ganhou como aliada uma vacina que deve ser aplicada antes do início da vida sexual - na rede pública de saúde, a imunização é feita em meninas na faixa dos 9 anos e em meninos na faixa dos 12 anos. "O HPV, por exemplo, pode ocasionar o condiloma acuminado, que são aquelas pequenas verrugas que afetam os órgãos sexuais. Ela é a principal causa de câncer de pênis e câncer de colo de útero", explica Silvia. 

Vanessa orienta as pessoas a procurar o serviço de saúde ao identificar qualquer lesão no órgão no sexual, por menor que ele seja. "Se a pessoa tem maturidade para ter uma relação sexual, ela precisa também ter maturidade para arcar com as consequências de um sexo desprotegido, ou seja, precisa ter maturidade para cuidar da saúde de seu corpo", enfatiza.

Sífilis

A sífilis desenvolve-se em estágios, e os sintomas variam conforme cada um deles. A primeira etapa envolve uma ferida indolor na genitália, no reto ou na boca. Após a cura da ferida inicial, a segunda fase é caracterizada por uma irritação na pele. Depois, não há sintomas até a fase final, que pode ocorrer anos mais tarde. Essa fase final pode resultar em danos para cérebro, nervos, olhos ou coração. A sífilis é tratada com penicilina. Os parceiros sexuais também devem ser tratados

Tricomoníase

A tricomoníase é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns. Os fatores de risco incluem ter vários parceiros sexuais e não utilizar preservativos durante as relações sexuais. A tricomoníase provoca corrimento vaginal de odor desagradável, coceira genital e dor ao urinar nas mulheres. Os homens não costumam apresentar sintomas. As complicações incluem o risco de parto prematuro em gestantes. O tratamento envolve uma grande dose de determinado antibiótico oral para ambos os parceiros

Gonorreia

Os sintomas incluem dor ao urinar e secreção anormal do pênis ou da vagina. Os homens podem sentir dor testicular e as mulheres, dor pélvica. Em alguns casos, a gonorreia não tem sintomas. A gonorreia pode ser tratada com antibióticos

Clamídia

A clamídia afeta pessoas de todas as idades, porém é mais comum em mulheres jovens. Muitas pessoas com clamídia, mesmo sem apresentar sintomas, podem infectar outros indivíduos por contato sexual. Os sintomas incluem dor genital e secreção pela vagina ou pênis. É recomendado o uso de antibióticos tanto para o paciente afetado como para os parceiros sexuais dele

Herpes genital

Causada pelo vírus da herpes simples, a doença pode afetar tanto homens como mulheres. Dor, coceira e pequenas feridas podem ocorrer no primeiro momento. Elas formam úlceras e crostas. Após a infecção inicial, a herpes genital permanece inativa no corpo. Os sintomas podem reaparecer durante anos. É possível usar medicamentos para controlar os surtos.

HPV

O papilomavírus humano (HPV) está entre as infecções sexualmente transmissíveis mais comuns. Muitas pessoas com HPV não desenvolvem nenhum sintoma, mas ainda podem infectar outros indivíduos pelo contato sexual. Os sintomas podem incluir verrugas nos órgãos genitais ou na pele circundante. Uma vacina que previne os variados tipos de HPV com maior probabilidade de causar verrugas genitais e câncer cervical é recomendada para meninos e meninas

O primeiro passo para o tratamento de uma IST ou da Aids é fazer um exame de diagnóstico, pois quanto mais cedo um problema é identificado, mais eficaz será a sua eliminação. A rede pública de saúde oferece teste rápido para o diagnóstico de doenças relacionadas à prática sexual. 

Em Rio Preto, o teste rápido pode ser solicitado tanto em uma unidade básica de saúde como no CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento), localizado na Rua Ipiranga, 291. O atendimento é feito de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 16h. Além da Aids e da sífilis, o teste rápido também promove o diagnóstico de hepatites virais. 

Na região, o teste rápido pode ser solicitado em qualquer unidade básica de saúde.