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Saúde

Hábito perigoso

Médicos alertam que mania de roer unha causa risco de graves infecções


    • São José do Rio Preto
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Quer seja por ansiedade, nervosismo ou até mesmo um hábito involuntário, muita gente tem o hábito de roer unha. O que essas pessoas talvez não saibam é que a mania pode causar sérios problemas nas mãos, como um caso recente que aconteceu na Escócia e foi parar em todos os noticiários. Um homem de 48 anos, Steven MacDonald, foi parar no hospital depois contrair uma infecção severa que se desenvolveu após roer suas unhas, a paroníquia.

A paroníquia é uma infecção ao redor das unhas que causa edema e vermelhidão, além de dor forte no local. Em pessoas com diabetes, os problemas podem ser ainda maiores. A condição pode levar a complicações e representar um risco de septicemia (ou sepse), uma infecção grave que pode surgir como complicação de outra infecção mais simples.

Como as estruturas na ponta dos dedos são muito próximas, uma infecção que atinge a unha tem grandes chances de se espalhar para o osso, articulação e tendão, resultando em sérios problemas. O tratamento depende do nível da infecção e pode variar desde uma simples limpeza tópica, um tratamento sistêmico (com administração de antibióticos), até uma cirurgia.

O caso na Escócia foi compartilhado pela noiva do paciente, Karen Peat, no Facebook. Na publicação, ela conta que os dois perceberam uma vermelhidão na área do dedo indicador direita, mas não procuraram ajuda até surgir um inchaço e pus na região. Ele procurou dois farmacêuticos, mas o caso se agravou e ele foi parar no hospital. O homem teve de ser submetido a uma cirurgia de emergência, uma vez que a infecção poderia ser fatal.

Outro caso semelhante em 2018, no Reino Unido, quase vitimou um homem, à época com 28 anos, que havia arrancado uma cutícula da unha com os dentes. A infecção evoluiu para um quadro de septicemia.

Entrada de bactérias

Um alerta feito por especialistas da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM) mostra que, ao roer a unha, a pele que fica ao lado dela - e que tem a função de proteção e suporte - é lesionada, facilitando a entrada de bactérias, que levam à infecção. Isso pode acontecer porque a boca é uma área do corpo repleta de germes e, ao morder um ferimento aberto, muitas bactérias são infiltradas. Rompendo a camada que envolve o dedo, o risco de proliferação de bactérias, fungos e vírus aumenta em 80%.

"Outro problema causado pelo hábito de roer unha é que germes e bactérias que estão debaixo das unhas entram na boca podendo causar lesões bacterianas, virais e fúngicas", explica o dentista Faisal Ismail. "Se a mão não estiver limpa, também levará uma série de micro-organismos para dentro. Pode afetar os dentes, machucar as gengivas e causar ainda problemas como a disfunção temporomandibular (DTM), micoses e deformar as unhas", afirma a neuropediatra Karina Heinmann.

Comum na adolescência

O hábito de roer unhas e cutículas é conhecido como onicofagia e é comum na infância e adolescência. Segundo a neuropediatra Karina Weinmann, o comportamento, afeta uma em cada três crianças e um em cada quatro adolescentes. Em geral, costuma aparecer depois dos quatro anos e é mais prevalente nos adolescentes e em crianças a partir dos sete anos. "O hábito pode surgir na fase pré-escolar com uma forma de lidar com as tensões e frustrações, uma vez que a criança ainda não sabe lidar com limites e regras impostas. "Há diversas razões para roer as unhas, como ansiedade, estresse, para chamar a atenção ou imitação", diz a médica. A onicofagia foi incluída há poucos anos no Diagnostic and Statistical Manual (Manual de Diagnóstico e Estatística), DSM-5, dentro do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

Alguns estudos mostraram que roer unhas pode realmente servir para regular as emoções. "Quando estressadas, algumas pessoas sentem necessidade de roer as unhas para se controlar ou para se proteger da tensão. Por outro lado, crianças que se sentem entediadas ou sem ter nada para fazer podem roer as unhas para estimular o sistema nervoso central", explica a neuropediatra. Há também uma ligação com o perfeccionismo. Os roedores de unhas podem passar horas examinando suas unhas e dedos procurando irregularidades e tentando consertá-las. Eles pensam que com isso podem melhorar a aparência, quando na verdade só pioram.

O hábito de roer unhas e cutículas é conhecido como onicofagia e é comum na infância e adolescência. Segundo a neuropediatra Karina Weinmann, o comportamento, afeta uma em cada três crianças e um em cada quatro adolescentes. Em geral, costuma aparecer depois dos quatro anos e é mais prevalente nos adolescentes e em crianças a partir dos sete anos. "O hábito pode surgir na fase pré-escolar com uma forma de lidar com as tensões e frustrações, uma vez que a criança ainda não sabe lidar com limites e regras impostas. "Há diversas razões para roer as unhas, como ansiedade, estresse, para chamar a atenção, assim como pode ser um simples comportamento de imitação de algum membro da família que tem o mesmo hábito", diz a médica. A onicofagia foi incluída há poucos anos no Diagnostic and Statistical Manual (Manual de Diagnóstico e Estatística), DSM-5, dentro do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

Alguns estudos mostraram que roer unhas pode realmente servir para regular as emoções. "Quando estressadas, algumas pessoas sentem necessidade de roer as unhas para se controlar ou para se proteger da tensão. Por outro lado, crianças que se se sentem entediadas ou sem ter nada para fazer, podem roer as unhas para estimular o sistema nervoso central", explica a neuropediatra. Há também uma ligação com o perfeccionismo. Os roedores de unhas podem passar horas examinando suas unhas e dedos procurando irregularidades e tentando consertá-las. Eles pensam que com isso podem melhorar a aparência, quando na verdade só pioram.

Quer seja por ansiedade, nervosismo ou até mesmo um hábito involuntário, muita gente tem o hábito roer unha. O que essas pessoas talvez não saibam é que a mania pode causar sérios problemas nas mãos, como um caso recente que aconteceu na Escócia e foi parar em todos os noticiários. Um homem de 48 anos, Steven MacDonald, foi parar no hospital depois contrair uma infecção severa que se desenvolveu após roer suas unhas, a paroníquia. A paroníquia é uma infecção ao redor das unhas causa edema e vermelhidão, além de dor forte no local. Em pessoas com diabetes, os problemas podem ser ainda maiores. A condição pode levar à complicações e representar um risco de septicemia (ou sepse) é uma infecção grave que pode surgir como complicação de outra infecção mais simples.Como as estruturas na ponta dos dedos são muito próximas, uma infecção que atinge a unha tem grandes chances de se espalhar para o osso, articulação e tendão, resultando em sérios problemas. A compulsão em roer as unhas pode causar até deformidade dos dedos. O tratamento da paroníquia depende do nível da infecção e pode variar desde uma simples limpeza tópica, um tratamento sistêmico (com administração de antibióticos), até uma cirurgia para remoção do pus. O caso na Escócia foi compartilhado pela noiva do paciente, Karen Peat, no Facebook. Na publicação, ela conta que os dois perceberam uma vermelhidão na área do dedo indicador direita e que MacDonald roera as unhas, mas não procuraram ajuda até surgir um inchaço e pus na região. Ele procurou dois farmacêuticos, mas o caso se agravou e ele foi parar no hospital e informado de que tinha um caso grave de paroníquia, que é uma infecção cutânea ao redor da unha. O homem teve de ser submetido a uma cirurgia de emergência, uma vez que a infecção poderia ser fatal.Outro caso semelhante em 2018, no Reino Unido, quase vitimou um rapaz, à época, com 28 anos, que havia arrancado uma cutícula da unha com os dentes. A infecção evoluiu para um quadro de septicemia.