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Mexa-se contra a endometriose

Exercícios físicos liberam neurotransmissores que ajudam no controle da dor


    • São José do Rio Preto
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Se você sofre com a endometriose e quer se livrar das conhecidas dores, a atividade física aparece como uma forte aliada, juntamente com o tratamento médico convencional. Informações do Manual de Endometriose da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) mostram que, apesar de não existirem estudos sólidos sobre a interferência de atividades físicas para a dor, pesquisas revelaram que exercícios aeróbicos colaboram para níveis mais baixos de estrogênio, hormônio responsável pelo estímulo da endometriose. O documento aponta, ainda, que atividades físicas regulares fazem o corpo liberar substâncias anti-inflamatórias, que combatem o quadro de dor, as endorfinas.

A prática da atividade física ajuda o organismo a produzir os neurotransmissores serotonina e dopamina. A primeira traz sensação de bem-estar e ajuda a aliviar a ansiedade. A serotonina, por sua vez, também ajuda a regular as vias sensoriais ligadas à dor e, pode, portanto, contribuir no controle da dor. A dopamina também fica mais disponível por meio dos exercícios e ajuda na sensação de prazer e bem-estar, assim como atua na memória, humor e concentração.

Segundo o ginecologista obstetra Marcos Tcherniakovsky, especialista em endometriose, entre as possibilidades de tratamento existentes estão as terapias hormonais, medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios. "Também deve-se somar aos cuidados a adoção de hábitos saudáveis, como a prática regular de atividades física e alimentação balanceada", explica.

A endometriose atinge cerca de 10 a 15% das mulheres em idade fértil. É a presença do tecido do endométrio (camada interna que reveste o útero e é expelido durante a menstruação) para fora da cavidade uterina. Esse tecido pode se alojar nos ovários, tubas, peritônio (tecido que reveste a cavidade pélvica- abdominal), intestino e até mesmo órgãos mais distantes, como o diafragma.

"Cerca de 180 milhões de mulheres no mundo são afetadas pela endometriose, doença que causa dores intensas, menstruação irregular e dificuldade para engravidar. Não tem cura, mas tem tratamento", explica o ginecologista Patrick Belleli. Segundo ele, a mudança no estilo de vida que inclui a prática de exercícios impacta diretamente no sucesso do tratamento.

O crescimento do endométrio fora do útero causa uma reação inflamatória, levando a dores e dificuldade para engravidar. A intensidade das dores varia de acordo com a localização e quantidade dos implantes de endometriose, além de histórico de saúde e limiar de dor.

A condição afeta a qualidade de vida de quem recebe este diagnóstico. O principal objetivo do tratamento, que pode ser medicamentoso ou cirúrgico, é reduzir a dor e/ou resgatar a fertilidade. Entretanto, os medicamentos usados no combate à endometriose podem conter hormônios e, portanto, podem levar ao aumento do peso e à retenção de líquidos.

"Uma recomendação fundamental para as mulheres diagnosticadas com endometriose é a adoção de hábitos saudáveis, entre eles a prática regular de uma atividade física", explica o cirurgião ginecológico Edvaldo Cavalcante. Uma pesquisa feita por ele, em parceria com o Grupo de Apoio às Portadoras de Endometriose e Infertilidade (Gapendi), mostrou que das 3 mil brasileiras com endometriose que responderam ao questionário, apenas 31% praticam algum exercício.

"Infelizmente, o nível de sedentarismo na população é alto. A vida agitada leva as pessoas a caminharem menos e a ficarem mais tempo sentadas. A atividade física é essencial, inclusive para quem tem uma doença crônica como a endometriose", diz o médico.

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Um estudo publicado no Journal of Physical Therapy Science mostrou que um programa de oito semanas de exercícios foi eficaz na redução da dor e na melhora de anormalidades posturais relacionadas às dores pélvicas. "A dor pélvica pode levar a mulher a adotar uma postura mais curvada, levando a uma cifose (corcunda). Portanto, se ela pratica uma atividade física que trabalhe a postura, por exemplo, como o Pilates, é esperado que esse aspecto melhore", explica a coordenadora do Gapendi, Marília Gabriela, que é portadora de endometriose.

Controle do peso

Para as mulheres que usam hormônios para tratar a endometriose, a prática regular de um exercício é aliada para ajudar no controle do peso. "A alimentação deve ser balanceada, mas é ideal somar à dieta alguma atividade física. Bons hábitos não servem apenas para o tratamento da endometriose, mas também para que a mulher previna condições futuras", diz ainda Cavalcante.

Para escolher a melhor atividade ou exercício físico, a primeira coisa é alinhar a prática com o seu perfil individual: caminhada, natação, Pilates, musculação, treinos funcionais, dança ou ciclismo, por exemplo. Veja o que mais combina com você. "O importante é a regularidade e o prazer envolvido na escolha. O ideal é procurar se exercitar pelo menos 30 minutos por dia ou 60 minutos de três a quatro vezes por semana", diz ainda o cirurgião.

Atividades aeróbicas são consideradas aquelas de baixa intensidade e maior duração, como caminhar, correr, pedalar, dançar, pular corda, entre outras. "Para quem não tem o costume de praticar exercícios físicos, principalmente em momentos de dor, não é fácil começar. No entanto, meia hora por dia já colabora para que o corpo receba os benefícios para a saúde e isso inclui o possível alívio de cólicas", sugere Marcos Tcherniakovsky. Antes de começar, fale com seu médico