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Treino mais fácil

Pesquisadores italianos mostram que se exercitar com música certa melhora resultados


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

Um novo estudo acaba de demonstrar que se exercitar ouvindo música de alto ritmo - com pelo menos 170 batidas por minuto (BPMs), pode diminuir o esforço percebido durante um treino e aumentar os benefícios cardiovasculares. Pesquisadores das universidades de Verona e de Milão, na Itália, dedicaram-se a medir a performance de indivíduos durante o treino ao escutar canções com ritmos acelerados e lentos. Os resultados foram publicados no periódico acadêmico Frontiers in Psychology.

Os pesquisadores constataram que, quando praticamos exercícios, nosso coração chega a ter picos, geralmente maiores que 160 ou 170 batimentos por minuto (BPM). De forma parecida, as batidas das músicas também podem ser mensuradas pela mesma medida, os BPMs.

"Descobrimos que ouvir música em ritmo alto durante o exercício resultou na maior frequência cardíaca e menor esforço percebido em comparação com a falta de música", disse o autor do estudo, Luca Paolo Ardigò, professor do departamento de neurociências, biomedicina e ciências do movimento na Universidade de Verona, na Itália, no artigo publicado.

O estudo

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores recrutaram um grupo de 19 mulheres na faixa de 20 anos para atividades físicas entre treinos aeróbicos, com caminhadas na esteira, e de musculação, com a máquina de exercícios para as pernas leg press. A faixa etária foi limitada para que os resultados não oferecessem uma visão abrangente de como a música melhora o desempenho cardio em todas as pessoas.

As participantes tinham de realizar os movimentos sob influência de diferentes estímulos: em silêncio, depois de escutar uma música com batidas lentas, com 90 a 110 BPM; médias, com 130 a 150 BPM; e rápidas, com 170 a 190 BPM.

No entanto, a música de alta velocidade apenas proporcionou uma vantagem para as atividades de resistência como caminhar, correr e andar de bicicleta. Exercícios de alta intensidade, como levantamento de peso ou aulas de HIIT, foram menos afetados por músicas cujas batidas eram de ritmo mais alto. Após os testes, as mulheres foram entrevistadas para avaliar o esforço que acreditavam ter feito para concluir os exercícios. Os pesquisadores constataram que as canções mais aceleradas ajudam a melhorar a força de vontade para realizar a atividade, a motivação e o humor durante a prática. Além disso, as canções ajudaram as participantes a distraírem-se da fadiga e desconforto causado pelo esporte. Entretanto, os resultados diferem segundo o tipo de exercício, uma vez que os benefícios eram maiores quando as participantes caminhavam na esteira.

Este não é o único estudo que analisa como a música pode melhorar o desempenho na academia. Pesquisadores da Universidade de Osnabrück, da agência de som TRO e da Amazon Music examinaram a pesquisa científica para criar uma "Lista de reprodução de alto desempenho". O líder da equipe do TRO, Daniel Worrings, explicou que toda boa música de treino tem uma coisa em comum: uma batida forte

Um estudo feito no ano passado pela plataforma de streaming Deezer com usuários dos smartwatches Fitbit, no Reino Unido, já havia mostrado que, além da distração, as batidas das faixas podem interferir no resultado da atividade, tanto para o lado positivo quanto para o negativo.

A análise dos dados, assim como de outras pesquisas acadêmicas anteriores, mostrou que há um tipo de música certa para cada tipo de treino. Faixas com o BPM em torno de 170 a 180 são indicadas para treinos de alta intensidade ou tiros de corrida, enquanto as que têm um BPM mais baixo auxiliam em atividades como ioga e pilates, em que é exigido um ritmo um pouco mais lento.

"Houve um enorme pico de streaming nas playlists de fitness quando começamos a parceria em 2019 e queremos garantir que nossos usuários mantenham a motivação durante todo o ano. Os dados de Fitbit e Deezer provam que escutar faixas de BPM mais altas é o melhor para aproveitar ao máximo os exercícios de alta energia, enquanto ouvir músicas de BPM mais baixas pode facilitar a atividade de ritmo mais lento, como ioga e pilates", disse o editor da Deezer, Robin Vincent.

Suas canções favoritas

O gosto musical varia de uma pessoa para outra. Os cientistas do estudo italiano não montaram a playlist para dar aquele empurrãozinho na hora de ir para a academia. Entretanto, um estudo brasileiro anterior feito no Brasil em 2019 já havia mostrado que o melhor estilo musical para te acompanhar na malhação é o que você gosta.

Os pesquisadores da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, recrutaram 20 voluntários e aplicaram neles testes de resistência física e força em três cenários. No primeiro caso, os participantes ouviam músicas que detestavam; no segundo, as que gostavam e, por último, num ambiente silencioso. "Ouvir suas canções favoritas faz com que o seu cérebro produza dopamina, que tem a função de transmitir informações entre nossas células nervosas, os neurônios", disse o educador físico Matheus Machado Gomes, coordenador do estudo.

Ao ouvir canções durante e depois do treino, o cérebro capta essas vibrações e transforma em energia por meio de seus neurotransmissores, fazendo com que a fadiga seja menor.