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Comportamento

Deixe de ser tão bonzinho

Isto pode ser muito bom para os beneficiados; para você nem tanto


    • São José do Rio Preto
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Você é o tipo de pessoa solícita, que está sempre disponível e é conhecida como boazinha, pronta a ajudar a qualquer hora? Deixa sua vida de lado para resolver o problema dos outros? Isto pode ser muito bom para os beneficiados com toda essa generosidade, mas e para si mesmo?

Este tipo de comportamento pode esconder o medo intenso de desagradar o outro. Mas é do desejo de contentar todo mundo que nascem as decepções com a família, com os amigos, companheiros ou colegas de trabalho. Ao crescer, nos privamos dos próprios sentimentos e necessidades para tentar escutar nossos pais, irmãos, professores: "Faça como a mamãe disse", "faça o que sua professora mandar". E assim, prestamos atenção aos sentimentos e às necessidades de todos - chefe, marido, clientes, colegas de trabalho - exceto de nós mesmos.

Para nos integrar, acreditamos que é necessário nos privar daquilo que necessitamos. Só que um dia essa ruptura cobra seu preço: timidez, depressão, dúvidas, hesitação diante de tomadas de decisões, incapacidade de fazer escolhas, dificuldade de se comprometer, perda de alegria de viver. Esperamos que alguém nos salve, que nos diga o que fazer. Ao mesmo tempo, não suportamos mais escutar nenhuma recomendação. Estamos saturados de ouvir: "você precisa...", "você devia...", "acho melhor...". Precisamos nos ancorar em nós mesmos, sentir lá no fundo que somos nós que falamos, que decidimos e não mais nossos hábitos, nossos condicionamentos, nosso medo do olhar do outro.

Mas como fazer isso? É exatamente o que o advogado belga Thomas d'Ansembourg trata no livro "Deixe de Ser Bonzinho e Seja Verdadeiro- Como se relacionar bem com os outros sendo você mesmo" (ed. Sextante). "É possível melhorar sua qualidade de vida, respeitando mais os próprios desejos e evitando cair na armadilha da agressividade ou da generosidade excessiva", diz ainda.

"Temos dificuldade em dizer 'não' para os outros e acabamos nos sobrecarregando com tarefas que não deveriam fazer parte da nossa rotina", explica o consultor Christian Barbosa, especialista em produtividade.

  • O respeito pelos sentimentos e pelas necessidades do outro tanto quanto os seus;
  • A autonomia necessária para parar e verificar o que você sente e quer;
  • Que a primeira pessoa da sua lista tem que ser sempre você. É claro que se for para resolver uma crise inesperada ou para fazer algo que vá gerar impacto na vida do outro você deve ajudar;
  • A responsabilidade de escutar diferentes pontos de vista e tentar cuidar de todas as necessidades em questão e não apenas a do outro em detrimento das suas, nem das suas em detrimento das do outro;
  • A estabelecer uma linha, uma fronteira e acredite, isto dá credibilidade e inspira confiança. É mais fácil confiar em alguém que estabelece limites, porque normalmente esta pessoa também respeita os limites alheios;
  • A força para manifestar seu desacordo e propor uma solução ou uma atitude, talvez totalmente diferente da que te propõem.