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Saúde Emocional

Guardado a sete chaves

Todo mundo tem um segredo, aquele que não revela a ninguém


    • São José do Rio Preto
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Quem de nós não tem um segredo guardado? Aquele que não vai ser revelado nunca nem ao melhor amigo, ao padre, nem ao terapeuta. Isso não quer dizer que seja necessariamente algo que precisamos esconder, mas que não será dividido por ser uma coisa só nossa.

Pode ser uma mania, o desejo de dar o troco. São muitas as variantes e muitas vezes são guardados porque as pessoas têm medo de serem julgadas, mal interpretadas ou por não confiar nos outros. O motivo não importa, o fato é que é normal guardarmos para nós o que não queremos dividir com os outros.

A necessidade de dividir um problema é comum. Ansiamos por falar, desabafar. Somos tão carentes de pessoas que nos ouvem que sejam compreensivas, que quando encontramos alguém com essas características, não nos seguramos e, quando percebemos, contamos passagens muito íntimas de nossa vida.

O psiquiatra Eduardo Ferreira Santos explica que não se compartilha tudo nas relações, não importa quais. "Nela existe o 'eu', o 'tu' e o 'nós' e as pessoas têm de ter isso muito bem organizado intimamente e entender que o 'eu' é fundamental para a vida de cada um, já que nele estão nossos genuínos pensamentos, sentimentos, desejos, sonhos, manias, devaneios e, claro, segredos", diz.

Guardar ou não?

Mas, afinal, o que é o certo? Conviver bem com seus segredos ou sair revelando por aí? Para especialistas, a confissão tem poder libertador. Muitos acreditam que o fato de contarmos nossas histórias mais secretas pode levar a uma catarse: ao ouvirmos nossas próprias revelações, a situação pode não nos parecer tão ruim assim. Abrir o coração. "Isso faz bem e devemos considerar contar a alguém o mal que nos aflige, abrir o coração para uma pessoa em quem confiamos. Certamente temos alguns segredos que não queremos contar a ninguém, mas manter muitos segredos faz mal ao próprio organismo. Não devemos ser um livro fechado, cheio de segredos irreveláveis", diz o consultor internacional Roberto Sakay Beco.

Como ensina James Pennebaker, professor da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, a expressão das nossas emoções pode nos curar, trazer o bem-estar físico e emocional. Ao guardar muitos segredos, esse ato de inibição dos pensamentos faz mal ao corpo, e já sabemos disso, pois ao falar com alguém sobre um assunto que nos angustia, essa aflição parece se atenuar. Na mesma proporção que o medo, o preconceito muitas vezes impede as pessoas de serem transparentes. Por isso, acaba existindo um critério de seleção do confidente, uma vez que as pessoas buscam a cumplicidade de quem ouve.

Quando o segredo é compartilhado com alguém, ele perde sua característica. "Segredo entre dois não é mais segredo", afirma o psiquiatra e psicanalista Luiz Alberto Py, autor do livro "A Felicidade é Aqui" (ed. Rocco). Segundo Py, há uma necessidade psicológica interna de termos a privacidade com alguma coisa. Segredo é aquilo que chamamos de segredo. "A melhor maneira é não se preocupar em rotular as coisas que sabemos de segredo. Temos necessidade desse refúgio psicológico."

Acredite ou não, é sempre bom ficarmos com algo secreto para nós, jardins particulares onde podemos fincar raízes, onde podemos voltar de vez em quando para encontrar a tranquilidade da nossa alma.