Em 48 horas, pesquisadores brasileiros sequenciam genoma do coronavírusÍcone de fechar Fechar
    • São José do Rio Preto
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Em apenas 48 horas desde a confirmação do primeiro caso brasileiro de infecção pelo novo coronavírus, pesquisadores brasileiros conseguiram sequenciar o genoma do vírus que chegou ao País. O trabalho foi conduzido por cientistas do Instituto Adolfo Lutz, do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da USP e da Universidade de Oxford e publicado nesta sexta, 28, na edição científica Virological.Org. Eles fazem parte de um projeto chamado Cadde, apoiado pela Fapesp e pelo Medical Research Centers, do Reino Unido, que desenvolve técnicas para monitorar epidemias em tempo real.

Conhecer os genomas completos do vírus, que recebeu o nome de SARS-CoV-2, nos vários locais onde surge, é importante para compreender como se dá sua dispersão e para detectar mutações que possam alterar a evolução da doença. Isso pode ajudar no desenvolvimento de vacinas e de tratamentos.

A amostra, retirada do paciente de 61 anos de São Paulo, que tinha passado duas semanas na região da Lombardia, a mais afetada da Itália, confirma que ela veio da Europa. É geneticamente parecida com a do genoma sequenciado na Alemanha.

Pesquisadores italianos já isolaram o vírus que circula no país, mas não depositaram ainda o sequenciamento do genoma em nenhum banco público para comparação.

"Uma sequência só não revela muita coisa, mas a importância é mostrar que rapidamente somos capazes de fazer e colocar isso à disposição de outros cientistas do mundo. Quanto mais genomas tivermos, mais podemos entender como a epidemia vai evoluindo no mundo. Por isso precisamos ter isso muito rapidamente", disse ao Estado a pesquisadora Ester Sabino, do Instituto de Medicina Tropical.

Em média, no resto do mundo, os grupos de pesquisa estão levando cerca de 15 dias para conseguir fazer o sequenciamento. O projeto brasileiro foi lançado justamente com o objetivo de agilizar esse processo, para ajudar a fornecer informações com mais rapidez.

Ocorrências

No início da noite desta sexta, 28, o Ministério da Saúde informou que os casos suspeitos de coronavírus chegaram a 182, a maioria em São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas. O País segue com um caso confirmado - o do homem de 61 anos, que está em isolamento domiciliar.

Alto risco

A situação global do vírus fez a Organização Mundial da Saúde elevar o patamar de alerta para "muito alto". E nem cachorros escaparam da doença. Em Hong Kong, um cão foi levado para isolamento.

A confirmação da presença do coronavírus em todos os continentes chama atenção para a capacidade de reação global à doença. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o contínuo crescimento do número de casos e países afetados são motivo de preocupação e que por isso a organização aumentou o alerta para de muito alto risco.