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TEMPORAIS

Após capital, Interior 'coleciona' estragos

Cidades da Grande SP tiveram enchentes após o rio Tietê transbordar na Capital


    • São José do Rio Preto
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Após as chuvas mergulharem a capital paulista no caos, esta terça-feira, 11, foi marcada por rastros de destruição e morte em cidades do Interior. Defesa Civil e Corpo de Bombeiros contabilizavam quatro mortes durante os temporais que atingiram diferentes regiões do Estado desde a madrugada de segunda-feira, 10.

Na manhã desta terça, os Bombeiros encontraram os corpos de duas mulheres que estavam desaparecidas desde o dia anterior, quando o carro que ocupavam foi arrastado pela enchente do rio Capivari, na via de acesso ao distrito de Vitoriana, em Botucatu. Os bombeiros ainda buscam um homem que também estava no carro e continua desaparecido.

Também em Botucatu, onde a prefeitura decretou estado de calamidade, a forte enxurrada arrastou um caminhão para dentro de uma cratera que se abriu na rodovia Marechal Rondon. Um trecho da estrada desmoronou no km 258, causando o acidente. O motorista Epaminondas Macedo Souza, 50 anos, foi sepultado em Porto Feliz. "No momento em que o caminhão estava passando, a roda de trás afundou no asfalto. Ele empinou, já virou de lado e sumiu na cratera", disse o cabo Clauderval José Bento.

Ainda de acordo com informação dos bombeiros, no mesmo local em que o caminhão foi 'engolido', um carro ficou "cravado" no canteiro da rodovia após ser arrastado pela água. Segundo a concessionária que administra a rodovia, o motorista foi retirado do veículo sem lesões. Outro carro também ficou parcialmente submerso e duas pessoas foram resgatadas pelos bombeiros.

Também madrugada desta terça, uma chuva forte causou o rompimento de um aterro e causou a abertura de uma cratera em outra rodovia, em Júlio de Mesquita, na região de Marília - um carro e um caminhão foram tragados para dentro dela. O acidente aconteceu no km 308 da rodovia Leonor Mendes de Barros (SP-333). O motorista do caminhão conseguiu escapar com ferimentos leves, mas o motorista do carro acabou morrendo no interior do buraco. O corpo da vítima, um funcionário da concessionária que administra a rodovia, foi resgatado de manhã.

Reflexos da Capital

Cidades cortadas pelo Tietê na Grande São Paulo enfrentaram enchentes nesta terça, 11, causadas pelo transbordamento do rio, após receber as chuvas que levaram o caos à capital na segunda-feira, 10. O grande volume de água obrigou à abertura das comportas das barragens do Rasgão, Pirapora do Bom Jesus e Porto Góes, por razões de segurança. Com isso, as águas atingiram rapidamente as cidades à jusante (rio abaixo).

Em Pirapora do Bom Jesus, o Tietê saiu do leito, invadiu ruas da região central e isolou bairros. Ao menos 100 pessoas tiveram de abandonar as casas e foram abrigadas em uma escola. A prefeitura decretou estado de emergência e as aulas estão suspensas, devendo voltar apenas na quinta-feira, 13. O cenário se repetiu em Cabreúva, onde o rio transbordou, cobriu estradas e alagou bairros como o do Bananal, que está isolado.

As águas invadiram a Estrada dos Romeiros, único acesso ao bairro, que também teve queda de barreiras e está interditada. Famílias que tiveram as casas alagadas estão sendo atendidas na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro. Na manhã desta terça, um helicóptero da Polícia Militar foi usado para resgatar duas pessoas que precisaram de socorro médico de emergência.

O dia seguinte

Um dia depois do temporal que deixou São Paulo submersa, a cidade amanheceu nesta terça, 11, com uma fina garoa, o trânsito habitual e a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) fechada. No interior, contudo, o número de mortos pelos temporais chegou a quatro, enquanto uma pessoa ainda está desaparecida. Milhares de caixas de frutas tiveram de ser descartadas e os comerciantes ainda não conseguem estimar o prejuízo.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), após cair 114 mm de chuva na segunda-feira na capital, maior volume de fevereiro em 37 anos, nesta terça foram registrados 43 mm. O trânsito voltou ao normal, mas o rodízio de veículos permanecia suspenso. Os trens do Metrô também circularam normalmente.