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21/02/2020 - 00h30min

Painel de Ideias

Comunismo, 2ª parte

Segundo o professor Richard Pipes, houve alguns poucos e tímidos programas comunistas postos em prática. O de Virginia Company, Jamestown, em 1607, e o de New Harmony, em Indiana, EUA, fundado em 1825 pelo filantropo Robert Owen

Divulgação Evandro Pelarin | epelarin@gmail.com
Evandro Pelarin | [email protected]

No último texto, tratou-se do comunismo como um ideal, um desejo. Resumidamente, ideias de Platão e Aristóteles, apontamentos no cristianismo e uma menção ao final da idade média e início da moderna, com a 'A Utopia', de Moore, tida como a primeira tentativa teórica da edificação de uma sociedade baseada na comunidade dos bens. Seguindo o plano de análise, proposto na dissertação anterior, passa-se a discorrer sobre os principais programas comunistas.

E quem politiza o tema, primeiramente, são pensadores dos séc. XVIII e XIX, denominados, depois, de 'socialistas utópicos'. Babeuf, um ex-jacobino guilhotinado, organiza, durante a revolução francesa, a 'conspiração pela igualdade', a conclamar o povo a socializar toda a propriedade privada. Saint-Simon prega a divisão de bens a partir da tentativa de convencimento dos ricos, o que logo se mostrou ineficaz. Nenhum deles, portanto, foi capaz de demonstrar como se efetivariam tais programas.

Segundo o professor Richard Pipes, houve alguns poucos e tímidos programas comunistas postos em prática. O de Virginia Company, Jamestown, em 1607, e o de New Harmony, em Indiana, EUA, fundado em 1825 pelo filantropo Robert Owen. Esses experimentos falharam, de modo geral, pela incapacidade de se resolver o problema dos 'free riders': membros das classes dirigentes que, sem trabalhar, usufruíam do excesso da produção dos demais.

Assim, historicamente, o programa de Marx e Engels é o de maior importância até hoje. Eles pretendiam demonstrar que não só o ideal de igualdade social plena era desejável e exequível, mas também que esse ideal era 'inevitável' na história da humanidade. Formularam a teoria do 'socialismo científico', segundo a qual, pela evolução natural da economia, a sociedade sem propriedade privada era o futuro inexorável.

O socialismo científico recebeu várias influências, entre elas, a da teoria darwiniana da 'Origem das Espécies', quanto ao evolucionismo. Tanto que Engels, no funeral de Marx, pronunciou: 'Assim como Darwin descobriu a lei do desenvolvimento na natureza orgânica, Marx descobriu a lei da história humana'. Daí que o socialismo científico aponta que o próprio capitalismo, inexoravelmente, produziria, com o tempo, o socialismo. As ações humanas poderiam até retardar essa evolução, mas não poderiam detê-la.

A obra máxima do socialismo científico é 'O capital'. Porém, como um livro de 1.400 páginas, técnico, denso e difícil pode exercer tanta influência? A resposta vem de uma proposição razoavelmente simples do socialismo científico: a economia é o fundamento da vida organizada; o restante, como a religião, as artes, a cultura, é a decorrência, chamada de superestrutura.

No próximo texto traremos um resumo do programa marxista. Uma tentativa esquemática para se entender - obviamente, pelo reduzido espaço, de modo muito singelo - a noção de 'classes sociais', de 'luta de classes', de 'revolução do proletariado', o sentido de 'libertação do homem' para o marxismo, além das críticas às previsões marxistas; entre elas, adiantadamente, a de que, historicamente, nenhum país de capitalismo avançado teve revolução socialista, de modo a frustrar, essencialmente, o programa marxista em sua base programática ou 'utópica', pode-se assim dizer. Esse e outros fatores ocasionaram reformas profundas na doutrina original, inclusive, com arrefecimento ou afastamento da economia como eixo central do marxismo, além de dissidências políticas internas.

EVANDRO PELARIN, Juiz da Vara da Infância e Juventude de Rio Preto. Escreve quinzenalmente neste espaço às sextas-feiras

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