Diário da Região

    • São José do Rio Preto
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11/02/2020 - 00h30min

Painel de Ideias

O ícone e os chernoboys

Tenhamos o discurso de Joaquin Phoenix como parâmetro. O homem pode ser bom, cortês, ético, belo e virtuoso, abdicando de posturas grosseiras, feias, criminosas e tóxicas. Lutemos por um novo perfil de masculinidade, por um novo tempo

Arquivo Washington Paracatu | washingtonparacatu@gmail.com
Washington Paracatu | [email protected]

Temos a arte para não morrer da verdade - disse Friedrich Nietzsche. O filósofo ficaria chocado se vivesse no Brasil atual: infelizmente, parcela significativa do nosso povo não aprecia a arte, nem a verdade. Sufocada numa trama de fake news e de alucinação coletiva, parcela expressiva do povo brasileiro não vai ao cinema, não abre um livro, não cultua museus. O impacto disso torna-se aparente quando analisamos duas realidades paradoxais na América: ao norte, o discurso emocionante de Joaquin Phoenix na cerimônia do Óscar; ao sul, o discurso tóxico e preocupante de alguns participantes do reality Big Brother Brasil.

De um lado, um lendário artista. O ator deu voz e alma ao personagem Coringa, filme essencial para a compreensão de inúmeras questões sociais e existenciais da humanidade. Premiado com a estatueta de melhor ator, Joaquin emocionou a todos com um discurso vibrante. Reconheceu erros, falhas e desvios de conduta, e propôs um novo tempo. Vejamos parte da fala:

"Se brigamos contra disparidades entre gêneros, racismo, por direitos de pessoas LGBT, ou por direitos dos animais, estamos brigando contra a injustiça. Quando temos amor e compaixão como princípios, podemos criar sistemas de mudanças benéficas para todos os seres vivos e o meio ambiente." Um homem branco, belo, rico, talentoso. Usou seu espaço de fala para falar por muitos desprovidos de voz.

Por outro lado, tenho acompanhado a atual edição do Big Brother Brasil, e fiico dividido entre preocupação e alívio. De início, ignoro críticas mesquinhas e infundadas ao programa: ademais de entretenimento para muitos, o reality é um laboratório de análise social, e ignorar seus ecos na vida virtual e real denota falsa de senso. Em seguida, mesmo sem assistir ao programa em si, torna-se impossível não sentir sua presença no Twitter, no Facebook, na mídia impressa. Por fim, os ditos brothers abrem uma janela para a preocupação e outra para a esperança.

Por um lado, rapazes denominados "chernoboys" - alusão ao incidente em Chernobyl - revela um comportamento agressivo, grosseiro e criminoso. O programa revelou personagens de cunho misógino, machista, homofóbico, zoófilo e racista. Personagens que, infelizmente, existem aos milhares, catapultando casos de estupro, de agressão, de violência contra o próximo e contra os animais.

Em contrapartida, muitas vozes levantaram coro contra tais machos tóxicos, pedindo seu cancelamento virtual, conclamando por seu ostracismo. O Big Brother confirma que a máscara de homem cordial está caída, revelando um brasileiro agressivo e tosco. Temos de lutar contra tal estereótipo pelo bem das mulheres, dos negros, dos pobres, dos gays, dos inocentes animais molestados por seres grotescos e desconhecedores da ética, da boa religião, da lei.

Tenhamos o discurso de Joaquin Phoenix como parâmetro. O homem pode ser bom, cortês, ético, belo e virtuoso, abdicando de posturas grosseiras, feias, criminosas e tóxicas. Lutemos por um novo perfil de masculinidade, por um novo tempo.

WASHINGTON PARACATU, Professor de Língua Portuguesa e Redação em Rio Preto. Escreve quinzenalmente neste espaço às terças-feiras

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