Diário da Região

    • São José do Rio Preto
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06/02/2020 - 00h30min

Painel de Ideias

Juntando os cacos

Hoje, as pesquisas indicam que Bolsonaro mantém um naco fiel de pouco mais de 30 por cento do eleitorado, índice que tem potencial para colocá-lo no segundo turno na eleição de 2022. Seus potenciais adversários estão no seu campo ideológico, como o ministro Moro

A eleição de Bolsonaro representou um duro golpe nas esquerdas que, aparentemente, ainda não se recuperaram totalmente da queda. Bem antes do processo eleitoral, quando se autoproclamava candidato, o então obscuro deputado do chamado baixo clero, com quase 30 anos de improdutiva atividade parlamentar, era levado a sério por poucos.

Já no período de eleição, e ainda desprezado pela maioria dos analistas, Bolsonaro conseguiu, de várias maneiras, chamar a atenção do eleitor. Ninguém foi capaz de deter o avanço da candidatura do ex-capitão. Mas o mundo seria bem melhor se tudo fosse tão simples e as explicações, principalmente em política, surgissem com tanta facilidade. Não é assim. Vários fatores, objetivos e subjetivos, contribuíram para a vitória do grupo que hoje está no poder e que por lá pretende ficar por mais alguns anos.

Uso de notícias falsas, discurso identificado com ideais da extrema-direita, apoio religioso e do capital, promessas que soaram como música para o eleitor descontente "com tudo que está aí". A roda girou. Mas Bolsonaro não ganhou sozinho. Ele se candidatou num momento de desgaste profundo na relação das forças de esquerda, PT à frente, com a massa.

As esquerdas não conseguiram barrar o crescimento de um discurso moralista e que atacava o flanco mais aberto de sua atuação em mais de uma década no poder: o combate à corrupção. O governo Dilma foi ruim na (des)articulação política e na estabilização econômica, especialmente no segundo mandato. No poder, o PT afastou-se de suas bases, os movimentos sociais, e passou a frequentar os palácios.

Os escândalos do mensalão e do petrolão feriram a postura ética sempre defendida pelo partido, que busca ser hegemônico num campo tradicionalmente dividido, a margem esquerda do rio político. Isso provocou uma grande rejeição do eleitorado. O atual presidente foi eleito com quase 58 milhões de votos, 55 por cento dos votos válidos. Muitos eleitores, assumidamente, votaram em Bolsonaro "só pra tirar o PT do poder". Votaram com o fígado.

Águas passadas? Não, porque, como diz o ditado, as consequências sempre vêm depois. Estamos no segundo ano do governo Bolsonaro. Weintraub, Damares e Sales seguem desfilando seus delírios e suas incompetências. A oposição no Congresso está aturdida, sem conseguir uma reação em bloco às propostas ultraliberais do ministro da Economia, Paulo Guedes. Quantas vezes ele falou em combater a miséria no Brasil?

Hoje, as pesquisas indicam que Bolsonaro mantém um naco fiel de pouco mais de 30 por cento do eleitorado, índice que tem potencial para colocá-lo no segundo turno na eleição de 2022. Seus potenciais adversários estão no seu campo ideológico, como o ministro Moro. Além de juntar os cacos, a oposição, esquerda principalmente, terá de reconectar-se com as ruas, que, já faz um tempo, não lhe dão ouvidos.

Adib Muanis Junior, de Rio Preto, é jornalista, consultor de conteúdo jornalístico e de entretenimento do SBT Interior. Escreve neste espaço quinzenalmente às quintas-feiras.

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